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Nélson Gonçalves
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Ayub diz que Izzo mandou sumir com acusados

Ayub diz que Izzo mandou sumir com acusados

Texto: Nélson Gonçalves

Ex-secretário municipal declarou que o prefeito afastado mandou que "os seguranças acusados saíssem de circulação"

A situação do prefeito afastado Antonio Izzo Filho

(PPB) se complica um pouco mais a cada dia que as investigações sobre os atentados contra vereadores prosseguem. A redação apurou, ontem, que as declarações do ex-secretário Municipal de Turismo da gestão Izzo, forma, novas provas contra o próprio prefeito afastado. Um dos homens fiéis ao prefeito, Alberto Ayub acabou mencionando que o próprio Izzo Filho mandou que ele, Ayub, desse ordem para que os seguranças, acusados dos atentados, deixassem a cidade antes da prisão temporária, o que acabou acontecendo no último domingo. A afirmação de Ayub é de que Izzo lhe falou para avisar "os caras que a casa caiu e é para eles saírem fora de circulação".

As informações que partiram de Izzo Filho, segundo Alberto Ayub Jr., foram feitas antes que a DIG-Garra tivesse em mãos os mandados de prisão temporária dos acusados, entre os quais o dos segurança de Izzo, Djalma Duarte Gonzaga. A redação apurou que, no domingo passado, Ayub ligou várias vezes para a residência do segurança Djalma, no Jd. Eldorado II. A previsão era de que às pressas o segurança Djalma Duarte deixasse Bauru. A intenção inicial era que ele se fixasse, por alguns dias, em uma cidade da região. Entre as cidades mencionadas foi citado Araraquara. O problema era a falta de dinheiro e a família de Djalma, esposa e filha.

Diante do impasse e correndo contra o tempo, na iminência da prisão temporária dos acusados, Alberto Ayub ligou para Izzo Filho informando da dificuldade financeira. Izzo teria, então, pedido que fosse dado R$ 400,00 para o segurança Djalma Duarte. A viagem às pressas seria feita por via rodoviária, no final da tarde de domingo passado. A DIG-Garra, entretanto, efetuou a prisão de Djalma logo no início daquela tarde, levando junto com ele o contratado Alexandre Humberto, que estava em sua residência. Alexandre e Djalma confessaram a participação em vários atentados.

Também foi apurado que Alberto Ayub ainda revelou que os R$ 400,00 foram levados para Djalma Duarte através de outro segurança, Henrique Kimura. Kimura, Marco Pantaleão e Djalma Duarte eram cedidos para serviços de segurança mas eram contratados da Emdurb. Roberto Carlos Thomaz, outro segurança, era contratado pela Cohab, com salário melhor: R$ 2.999,00. Em relação ao veículo Gol branco, modelo novo (bola), utilizado por Djalma em pelo menos um atentado, Ayub mencionou que havia uma pendência de R$ 700,00 com a empresa que o alugou, a Locar. Segundo o ex-secretário de Izzo, foi feito um rateio do valor entre integrantes da administração, faltou R$ 300,00 que, conforme Ayub, foram completados pelo próprio Izzo Filho. O dinheiro teria sido utilizado para a regularização do carro.

As informações são de que Alberto Ayub também comentou que a tentativa de "sair de circulação" na iminência de uma prisão foi discutida depois que o segurança Robertão, Roberto Carlos Thomaz, falou para Ayub na Cohab que estava pressentindo que poderia ser preso. Ayub ainda teria revelado que Robertão foi contratado através do chefe de Gabinete de Izzo, Nélson Quagliato, como mencionou o próprio prefeito afastado em sua entrevista anteontem.

Antes disso, Ayub foi procurado por Robertão na época da cassação do mandato de Antonio Izzo Filho. Do contato teria sido discutido a necessidade da contratação de amigos pessoais de Robertão, que teria indicado Djalma Duarte, Henrique Kimura e Marco Pantaleão. Roberto Carlos Thomaz é apontado por dois acusados no inquérito dos atentados como o "mentor" das ações, a mando de Izzo Filho. O prefeito afastado negou a autoria pelo planejamento dos atentados.

Formação de quadrilha

O prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB) pode sofrer nova denúncia de formação de quadrilha, desta vez em relação aos atentados contra vereadores. As indicações estão nos depoimentos de pelo menos três acusados e já são discutidas nos bastidores políticos da cidade, com opiniões de juristas da área criminal.

Antonio Izzo Filho já responde por denúncia de formação de quadrilha no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em esquema de corrupção acusado pelo Ministério Público. Nesta acusação, Izzo Filho e outros integrantes de seu governo são colocados como réus por cobrança de propina como condição para a liberação de pagamentos para fornecedores. Na ação, 14 fornecedores denunciam que foram vítimas ou pagaram propina para receberem por serviços prestados na administração municipal.

No meio jurídico local, já despontam opiniões de que Izzo teria poucas chances de novamente não ser denunciado por formação de bando ou quadrilha, desta vez sendo colocado como mandante, por dois dos próprios acusados, de atentados contra vereadores, um técnico de som e jornalista. As investigações estão sendo concluídas pela DIG-Garra.

A DIG-Garra pediu, ontem, a prorrogação da prisão temporária de seis acusados nos atentados. Depois da liberação do advogado Francisco Ramos, ex-assessor de Izzo, foram solicitadas as prorrogações das prisões dos seguranças Djalma Duarte Gonzaga, Roberto Carlos Thomaz, do pedreiro contratado para os serviços, Alexandre Humberto, do mototaxista Fábio Souza Fernandes, do ex-assessor da Regional do Mary Dota, Nivaldo Aparecido da Silva, e do ex-assessor da Cohab-Bauru, Lourival Dadamus. O inquérito deve ser concluído na próxima segunda-feira e apresentado ao Judiciário com vistas para o Ministério Público. O promotor criminal Hércules Sormani Neto vem acompanhando as investigações na DIG-Garra.

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