Criança é vítima de atentado violento ao pudor
Criança é vítima de atentado violento ao pudor
Texto: Solange Monteiro
O menino C.A.F., 5 anos, foi vítima de atentado violento ao pudor, na quinta-feira, por volta das 18h30 no Parque das Nações. Segundo declarações feitas à Polícia Militar, a vítima disse que seu primo, A.J.B.S., 16 anos, o levou para uma construção próxima à sua casa. No local, o acusado teria abaixado as calças do menino molestando-o com o órgão genital, machucando-o. A vítima disse, inclusive, segundo a PM, que houve sangramento.
O médico de plantão no Pronto-Socorro Municipal constatou que o garoto foi molestado sexualmente, através de ferimentos na região anal, de acordo com a Polícia Militar.
A própria mãe do indiciado entrou em contato com a polícia informando seu paradeiro, por temer um linchamento. Ele foi encaminhado para o Plantão Policial e negou que houvesse tentado uma penetração no garoto. Foi liberado mediante termo de responsabilidade assinado pelos pais e segunda-feira A.J.B.S. deverá comparecer ao Forum para audiência com o curador de menores. Deverá responder na Justiça por ato infracional, cuja pena vai de uma advertência até internação.
Esse é o caso mais recente de abuso sexual contra crianças, mas ainda há muitos outros camuflados como maus tratos e que só através de acompanhamento é possível constatar essa outra violência.
Tanto é assim, que o Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos à Infância (Crami) tem dificuldade em fazer o levantamento de casos de abuso sexual, porque normalmente estão registrados como ocorrências de maus tratos. Segundo a assistente social Célia Cristina Lobato, 31 anos, geralmente o caso chega ao Crami como maus tratos físicos e somente depois que se inicia o acompanhamento é que se pode constatar o abuso sexual.
Ela cita o caso de uma criança com dois anos e meio de idade que tem pavor de ficar sozinha com o pai. Segundo relatos, esse pai, quando fica embriagado, sai com a criança expondo-a a vários perigos, mas quando está sóbrio
é excelente pai. No entanto, quando a criança está com outra pessoa sente muito medo só de ver o pai. Essa criança não tem mãe, segundo o Crami.
A assistente social explicou que o pai já recebeu um berço para acomodar a criança, mas não o montou e continua dormindo na mesma cama que o bebê. Nesse caso, há suspeita de que algo esteja acontecendo porque a criança, com apenas dois anos e meio, demonstra medo de estar sozinha ou ficar com o pai, mesmo quando ele está sóbrio. Através de acompanhamento psicológico, com o desenvolvimento de atividades, é possível o profissional saber o que está acontecendo com essa criança, segundo a assistente social.
Lobato explicou que há muitas maneiras que evidenciam o abuso sexual: o pai ou padastro que xinga a criança ou adolescente com palavras vulgares, o adulto que se torna mais irritado, a própria criança ou adolescente que fica mais arredio, mais calado.
O importante, segundo a assistente social, é estar preparado e verificar o que os indícios apontam. Ela explicou que desde janeiro o número de casos registrados como maus tratos e que configuraram abuso sexual são muitos e só ela está cuidando de cinco no momento.