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Teatro

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 15 min

O universo familiar de Mauro Rasi

O universo familiar de Mauro Rasi

Texto: Ricardo Polettini

Frases:

"Esse tipo de humanismo que eu busco na minha vertente familiar de teatro, isso faz parte, acresce na dramaticidade, na emoção."

"Acho que Bauru é a cidade mais famosa no Rio de Janeiro, não mais pelo sanduíche, mas pelo teatro."

"Meu compromisso é com o público. Eu quero fazer um teatro de entretenimento de altíssimo nível."

"Eu estou convencido de que arte é comunicação para o maior número possível de pessoas. A boa comunicação."

"É isso que dá uma universalidade à peça. Você conta uma história de um lugar, no caso Bauru, e isso na Argentina vai ser argentino, na Grécia vai ser grego, da maneira que for."

"Esse é o papel da gente. Enquanto os economistas afundam o Brasil, a gente ganha admiração pelo nosso trabalho, um trabalho espiritual"

Um personagem estranho ao elenco de "O Crime do Dr. Alvarenga", peça escrita por Oswaldo Rasi, agora "investigada" pelo filho, Mauro, roubou a cena em um dos ensaios realizados na casa do dramaturgo bauruense, na semana passada, no Rio. Um dos gatos de Mauro Rasi - ele tem quatro - Bernardo, caiu do telhado, atrapalhando o trânsito e a concentração de Paulo Autran, Drica Morais, Ernani Moraes, Marilu Bueno e Guilherme Piva, que, na hora, estudavam os papéis que vão interpretar pela primeira vez, em Bauru.

A peça tem estréia nacional na cidade, no dia 10 de março, próxima quarta, para imprensa e convidados, ficando depois em cartaz por mais dois finais de semana, de quinta a domingo, até dia 21.

"Vai ser uma estréia mesmo! Ver um Paulo Autran nervoso

é maravilhoso!", brincou Mauro Rasi durante um bate-papo com o JC Cultura, pelo telefone. Leia, a seguir, entrevista na íntegra com o dramaturgo, que revelou, entre outras coisas, que pretende construir um teatro seu, no Rio. Um espaço próprio para ensaios, longe dos gatos...

JC Cultura - Alô, Mauro? Estou ligando, conforme combinado, para uma entrevista a respeito da peça "O Crime do Dr. Alvarenga"...

Mauro Rasi - Você pode ligar daqui a cinco minutinhos?

É que o meu gato caiu... depois eu te explico.

JC - Ok, daqui a pouco eu te ligo de volta...

Rasi - Obrigado.

Cinco minutos mais tarde...

JC - Alô, Mauro?

Rasi - Sou eu. Desculpe, é que eu tive um aniversário pavoroso (domingo passado foi aniversário de Mauro Rasi).

JC - Como assim?

Rasi - Se você quiser pode até abrir a sua matéria com isso (risos). Esse lado prosaico das coisas... Você sabe que eu sou muito ligado a bichos, não é? Meus gatos são os mais famosos do Rio de Janeiro. É a família Rasi: o pai é Davi Rasi, a mãe Morgana Rasi e seus filhos, Bernardo e Benjamin Rasi.

JC - Mas o que aconteceu?

Rasi - Você sabe que eu ensaio na minha casa. E minha casa é uma espécie de Catedral de Gaudi (Barcelona), vai levar um século para ficar pronta... (risos). Então, eu tenho uma casa grande, de frente para o mar, tudo... E nós ensaiamos a peça na minha casa...

JC - É, eu fiquei sabendo que vocês iriam ensaiar na semana passada, no dia do seu aniversário...

Rasi - Exatamente. Então, o pessoal trouxe bolo, champanhe, tudo... e nada disso foi usado. Porque, durante o ensaio, meu gatinho Bernardo caiu do telhado e se arrebentou todinho, foi uma coisa horrível, parecia um seriado "Mulher"

(risos), correndo para o hospital, uma loucura, parou o Leblon, a polícia interditou... (risos) Eu tô falando sério! A PM parou o trânsito, porque ele caiu no meio da rua. Paravam carros, gente olhando pela janela... Uma cena...

JC - Cômica...

Rasi - Cômica não, triste... Cômica por esse lado prosaico. Agora, é muito curioso porque o nosso trabalho todo é voltado para esse lado... Por isso que é uma peça, assim, família, entre aspas. Uma peça família, é muito curioso, porque ensaiamos numa casa, com bichos e essas coisas. Outro dia estávamos ensaiando e o Paulo (Autran) pisou no rabo do gato, foi muito engraçado, um gato no meio do cenário... (risos).

JC - Não vai fazer falta no palco?

Rasi - É, eu acho que nós vamos ter que levá-los para Bauru... Esses dados são interessantes, porque nunca aparecem no meio de uma matéria. As reportagens são sempre muito sérias e não mostram o lado prosaico da coisa. Por exemplo, o figurino estava atrasado e não chegava nunca. O figurino é muito chique, é um figurino de época, dos anos 40. A figurinista, a Bia (Salgado), chiquérrima, ela não queria trazer o figurino aqui e não chegava. Aí eu dei um esporro, né,

"Escuta, cadê o figurino? Já não basta a gente ter só três dias antes da estréia com o cenário, e a roupa, cadê a roupa? ". Aí, tinha um buchicho: "Sabe o que é, Mauro, ela não quer trazer porque os gatos fazem xixi na roupa" (risos).

JC - E ela não tinha falado isso para você?

Rasi - Ela estava com vergonha, porque em outros ensaios, os gatos andaram fazendo xixi realmente. É que nos ensaios, as pessoas deixam tudo jogado. Não tem tempo, você está ensaiando e o gato vai lá e "jépt", faz xixi em cima de um tailleur lindo dos anos 40. E ela ficou arrasada. Esses dados todos tornam uma montagem muito divertida, calorosa. Agora, não o gato caindo do telhado, naturalmente. Agora eu tenho um super-homem dentro de casa, porque eu vou ter um gato paralítico, de cadeira-de-rodas. O primeiro gato de cadeira-de-rodas do Rio de Janeiro... (risos).

JC - Isso de ensaiar em casa faz parte de seu trabalho? Ajuda na montagem?

Rasi - Eu acho que o tema, isso tudo que eu te contei, já é a peça. Esse tipo de humanismo que eu busco na minha vertente familiar de teatro, isso faz parte, acresce na dramaticidade, na emoção. Claro que é involuntário, a gente não queria isso nunca. Por exemplo, a Marilu Bueno, que trabalha na peça, uma comediante maravilhosa, e por isso que é uma comediante, porque ela

é trágica! E é uma mulher que tem cinco gatos, três cachorros, dois periquitos, papagaio, uma bicheira... Faz dois dias que ela não ensaia, está chocada. Agora, tudo isso, ontem (segunda-feira), por exemplo, a gente foi passar um geral, foi uma maravilha, entendeu? Faz parte. O universo é esse. É um universo familiar.

JC - E como está a expectativa pela estréia em Bauru? Esse era seu desejo quando montou a peça?

Rasi - Olha, eu achei que tudo faz sentido. Eu acho que, nessa peça, tudo faz um sentido enorme. Porque eu estava para montar essa peça há muito tempo. Mas não tinha um ator para fazer isso. Porque tinha que ser um ator muito especial.

JC - Você já tinha um nome na cabeça?

Rasi - Eu sempre pensei no Paulo Autran, é o maior ator do Brasil. A gente fica babando, não é? É um ator inacreditável, é um jovem, uma criança.

JC - E dirigir um ator desses deve ser uma experiência interessante...

Rasi - É, e o Paulo estava sempre ocupado, fazendo coisas. Tanto é que eu tinha patrocínio, tudo o que ninguém tem eu tinha, mas não tinha o principal: quem é que vai fazer o Vado? Quem vai fazer esse personagem, entendeu? Porque, na verdade, eu mostro o Vado velho. É o Vado já no declínio. Eu uso a peça dele para mostrar ele jovem, entendeu? Que é o contrário de "Pérola", senão, eu teria feito a mesma coisa. "Pérola" tinha um flashback, louco, maluco. Mas essa não é flashback. Essa está num tempo presente, só que o flashback é a história dele, que não é um flashback, porque é a história dele, entendeu? Tanto que eu digo no programa a Marília Gabriela (GNT, última semana), uma coisa que ela me perguntou, do que se tratava a peça. É muito difícil um autor falar sobre o que ele escreve. Isso

é trabalho dos críticos e da imprensa, eu não quero falar nada disso, eu já escrevi a peça e pronto! Agora, se me perguntassem o que é, eu diria que é a história de um homem que sonhou do tamanho de Bauru.

É isso que é. O meu pai tinha o tamanho de Bauru. Por isso que a peça tinha que estrear em Bauru.

JC - E a montagem que você está trazendo, é a mesma que vai ficar em cartaz em São Paulo?

Rasi - Eu acho muito curioso, porque eu estava comentando com a Irmã Jacinta, da USC, é que dá um certo nervosismo na gente. Porque, normalmente, as peças quando vão para o Interior, elas vêm depois de anos de cartaz, aí vem para arrancar dinheiro. Vai um cenário pela metade do que é... Para você ter uma idéia, uma iluminação, fora o que você paga para um iluminador e não sei o quê, no "Dr. Alvarenga", mensalmente sai sete mil e quinhentos reais. A peça tem que faturar muito para se manter. Agora, a peça vai para Bauru com essa luz, por exemplo, você está me entendendo? E vamos falar a verdade, "Pérola", quando viaja, não vai com a luz inteira. Porque uma viagem tem um custo adicional, se gasta muito dinheiro. E é muita gente. Viagem

é o dobro da produção. Então você não pode, tem que cortar custos. Você simplifica o cenário, mesmo porque não entra nos teatros. Uma roupa é feita para um manequim. Se todo mundo usar aquela roupa vai ter que adaptar. Aí que está o negócio. E você pega teatros de todo calibre. Tanto como um "Guairão", como pega um teatro como o de Vitória, pequenininho, tá entendendo? Então, você tem que ter alguma coisa meio como um coringa, algo que entre em qualquer lugar. Ou um espaço que seja adaptável. Mas o adaptável

é sempre, como a palavra diz, adaptável. Não

é igual ao original. E quando você estréia Rio / São Paulo, você estréia pra valer, está jogando o destino todo. E desta vez, nós decidimos resolver esse destino todo em Bauru. É muito engraçado, porque eu virei para a Irmã Jacinta e disse que nós nunca tínhamos levado uma estréia para Bauru, nós vamos ser julgados por Bauru. Aí ela falou: "É o lugar ideal para esse julgamento, muito justo". Mas é isso que é mesmo. Tem tudo a ver. Porque é uma dramaturgia muito regional.

JC - Muito peculiar, até...

Rasi - É muito curioso, acho que Bauru é a cidade mais famosa no Rio de Janeiro, não mais pelo sanduíche, mas pelo teatro, pelas peças.

JC - E isso é muito importante para a cidade, uma estréia dessas é uma novidade por aqui...

Rasi - E a gente vai fazer de verdade! A gente vai enfiar o cenário dentro do teatro, está entendendo? Na verdade, nós vamos adaptar em São Paulo! Pode ser que fique um pedaço para fora (risos), porque o palco do Procópio Ferreira é o dobro, né? Mas a gente já fez uma coisa que pode cortar no meio, mas isso sem perder o original. Vai com tudo, todos os filós, uma coisa mágica e tal. E principalmente a luz, que é o mais caro em um espetáculo, microfones... fica caro. Vai ser uma estréia mesmo, você ver um Paulo Autran nervoso

é maravilhoso! A Drica Moraes... porque eles não viram ainda nem o cenário! Eles vão ver em Bauru! Aqui na minha casa, a gente bota uma fita crepe no chão e pronto. Na hora de encarar, por exemplo, um degrau, já muda tudo.

JC - E a adrenalina de uma estréia deve ser muita...

Rasi - Mas é tudo muito emocionante, pelo fato de ser em Bauru. E como eu estava falando, eu joguei fora várias oportunidades de montar essa peça, porque eu não tinha um ator para fazer. Porque a gente não pode fazer por fazer, não é? Tinha que ser o Paulo Autran. Ou o Jack Lemmon (risos). E é aí que acontece uma coisa maravilhosa, porque tudo é o destino.

JC - E como foi seu encontro com Paulo Autran para acertar a participação na peça?

Rasi - Eu conheci Paulo Autran em Bauru. Ele foi uma das primeiras pessoas que eu conheci em teatro, porque eu fazia teatro com estudantes aí na cidade, e eu conheci o Paulo em Bauru. E ele conheceu muito meu pai, minha mãe. Inclusive, ele foi uma das pessoas que me paternalizou, porque eu tive muita sorte, eu entrei no teatro pela porta da frente. Eu conheci as melhores pessoas. Hoje eu fico imaginando, se eu tivesse conhecido as pessoas erradas, eu já teria parado. E Paulo foi quem me paternalizou, no melhor sentido, não passando a mão na cabeça, mas me instigando, me provocando.

JC - E como você se sente podendo devolver isso agora, com o seu trabalho?

Rasi - Tinha que ser uma pessoa que conheceu a minha família, que eu conheci em Bauru. É muito curioso, não é? Como eu te disse, tem tudo a ver. Quando eu disse a meu pai que era ele, era uma coisa que fazia sentido. Engraçado, tudo faz sentido nessa produção.

JC - A peça é uma homenagem a seu pai?

Rasi - É uma homenagem, e eu tenho muito medo dessa palavra. Porque eu sou dramaturgo. E um dramaturgo não faz homenagem a nada nem a ninguém. Nós escrevemos histórias, peças. Meu compromisso é com o público. Eu quero fazer um teatro de entretenimento de altíssimo nível. É isso que eu quero. E eu estou convencido de que arte é comunicação para o maior número possível de pessoas. A boa comunicação.

É o exemplo de "Pérola", estreou na Argentina, vai estrear na Grécia, tem uma versão em italiano. Aliás, na Grécia, tem uma nota ótima para você. A tradutora grega esteve aqui no Brasil e foi lá no teatro e disse que a peça era muito boa e que periga de ter muita aceitação na Grécia porque é uma tragédia muito boa. Aí, a Sônia Guedes, que trabalha na peça, disse "não, a peça

é uma comédia". E ela "não, é uma tragédia". "O autor que escreveu a peça disse que é uma comédia!". Aí a tradutora disse "o autor não sabe, a peça é uma tragédia" (risos). Eu imagino, vai virar a "Medéia"

(risos). Mas é isso que dá uma universalidade à peça. Você conta uma história de um lugar, no caso Bauru, e isso na Argentina vai ser argentino, na Grécia vai ser grego, da maneira que for. Na Itália a gente sabe que vai ser comédia... (risos).

JC - Daqui, "O Crime..." segue para onde?

Rasi - Aí que está o negócio. A gente lutou para ir a Bauru. O Jaime Lerner (governador do Paraná) me convidou para o festival anual de teatro de Curitiba, a gente seria a grande atração do festival. Ele vive me convidando e nunca deu para eu ir. Mas fizeram tanta pressão, ofereceram tudo, avião, todas as facilidades, aí resolvemos ir. Mas acontece que eles tiveram que remexer o calendário deles, porque coincidiam as datas. A gente vai fazer lá dias 24 e 25, depois voamos para São Paulo, para estrear dia primeiro. A peça termina em Bauru dia 21 e a gente fica torcendo pela Fernanda Montenegro no Oscar. No dia 22, a gente vai de Bauru direto para Curitiba.

JC - Como você está vendo essa situação da Fernanda Montenegro?

Rasi - Ela uma das melhores coisas do Brasil. Um país que vive pedindo dinheiro, a Fernanda devolve para a gente com o nosso orgulho. Aliás, por isso que essas pessoas... é um misto de não entender, ou têm inveja. Porque é só a arte que dá esse luxo e essa dignidade. Dinheiro serve para isso, senão não serve para nada, para especular com o dólar. Sérgio Naya tem dinheiro, mas e daí, não dá para convidar ele para uma festa! Já a Fernanda abrilhanta qualquer festa, pagam cachê para ela ir. Mas esse é o papel da arte justamente. A Bahia é conhecida por sua música...

JC - E você está fazendo Bauru ser conhecida por seu teatro...

Rasi - Mas esse é o papel da gente. Enquanto os economistas afundam o Brasil, a gente ganha um respeito e uma admiração pelo nosso trabalho, um trabalho espiritual. O esporte faz muito isso, pois mexe com a emoção das pessoas. Aqui quem é ruim é economista ou político. Os artistas são ótimos. E os empresários também, pois colaboram demais. Eu sem eles não sou nada. Eu não posso me queixar da iniciativa privada. Eu vou construir um teatro aqui no Rio de Janeiro com a iniciativa privada. Eu quero ter um teatro, meu espaço.

JC - Com o seu nome?

Rasi - Não. Aí eu vou homenagear alguém, uma tia minha qualquer, um nome de um gato, Bernardo talvez (risos).

Ficha Técnica

"O Crime do Dr. Alvarenga", com Paulo Autran, Drica Morais, Ernani Moraes, Marilu Bueno e Guilherme Piva;

Direção: Mauro Rasi;

Assistente de direção: Emílio de Mello;

Cenário: Gringo Cardia; Iluminação: Maneco Quinderê; Figurinos: Inês e Bia Salgado; Trilha sonora: Marcos Ribas de Faria;

Programação Visual: Suli Kabijo; Visagismo: Marlene Moura; Fotografia: Claudia Garcia; Assessoria de imprensa: Paulo Marra;

Produção executiva: Claudia Marques e Victor Haim;

Assistente: Cristina Neves; Produção executiva - Bauru: Jurandir Bueno Filho;

Realização e Direção de produção: DBA/ Alexandre Dórea Ribeiro; Temporada em Bauru de 10 de março a 21 de março;

Local: Teatro Universitário Véritas; Capacidade: 426 lugares;

Endereço: rua Irmã Arminda, 10-50; Informações:

(014) 235-7131; Horários: quinta-feira a sábado: 21h; domingo: 19h;

Preços: quinta-feira e domingo: R$ 25,00, sexta e sábado: R$ 30,00. Ingressos à disposição na USC.

Apoio: Tilibra, Gocil, Avante, Expresso de Prata, Editora Alto Astral, Quality Suites Garden Hotel, Bekassin Hotéis, Bauru Shopping, Jalovi, Apoema Construtora, Lojas Tanger, Supermercados Confiança, Engetherm, Vitores Delta Construtora, Ebara, Emdurb, Cervejaria dos Monges, Restaurante 20-15, Templo Bar, Tequila, Restaurante Ta-Yu, Baby Búfalo, Ópera Chopp, J.A. Comércio de Refeições e Serviços, TV Modelo, TV São Paulo Centro, Empório de Comunicação, USC, Ciesp, 96 FM e Jornal da Cidade.

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