Hidrovia é caminho para o futuro
Hidrovia é caminho para o futuro
Texto: Márcia Buzalaf
O caminho do barateamento do custo de transporte deve estar na hidrovia, de acordo com Joaquim Carlos Teixeira Riva, diretor de hidrovias da Companhia Energética de São Paulo
(Cesp).
Apenas do setor ter sido visto como uma artéria do transporte, comumente chamada de lenta, obsoleta, precária e ultrapassada, atualmente, o setor conta com o apoio do governo em planos de desenvolvimento hidroviário.
Hoje em dia, diz Riva, as cargas precisam de meios baratos para transporta-las. "A única maneira que temos é investir na hidrovia, com os rios Tietê-Paraná, Paraguai, o Madeira o São Francisco, o Carnaíba", diz Riva quando fala sobre o poder de desenvolvimento hidroviário.
A chave principal da questão das hidrovias, na opinião de Riva e no contexto nacional, é fazer com que o "Custo Brasil" diminua para que se desenvolva uma opção mais barata de transporte que possa baratear o frete do produto.
Riva diz que não adianta ser competitivo no mercado externo. Para ele, parte do esforço para o controle econômico deve ser revertido para o desenvolvimento do produto e do custo dos produtos brasileiros. "Tem que ser competitivo também no mercado interno", explica.
Ele afirma que, se o transporte de combustíveis, de Paulínea para o Mato Grosso do Sul, fosse feito através de hidrovias, o custo do transporte ficaria 50% mais baixo.
Outro exemplo é fornecido por Riva. O milho consumido para a criação de aves no Ceará é importada de Buenos Aires. No ano passado, foi consumido um milhão de tonelada de milho a US$ 130 a tonelada. "Então, o Brasil gastou US$ 130 milhões quando, em uma distância bem perto, tinha um milho brasileiro, mas com o custo do frete muito alto", lembra ele.
Mesmo assim, ele diz que a hidrovia é um investimento para longo prazo, ou seja, deve-se começar a investir no desenvolvimento hidrográfico logo.
Ele lembra que a hidrovia do rio Tietê-Paraná tece sua construção iniciada há 30 anos, mas apenas ficou pronta recentemente. Parte de um trecho foi entregue em 1993 e, outra, no ano passado.
O rio Tietê-Paraná transportou, em 98, 800 mil toneladas em grãos e farelos. A previsão é de que, em 99, seja transportado uma quantidade de 2,2 milhões de toneladas de carga. Dentro de cinco anos, Riva afirma, vai dar um salto para 5 ou 6 milhões de toneladas transportadas.
O diretor de hidrovias há 28 anos, compara o Brasil com o sistema norte-americano, dizendo que o desenvolvimento hidrográfico está condicionado ao investimento a longo prazo. "Como foi o desenvolvimento do Rio Tenessee na década de 30", explica.
O objetivo do setor hidrográfico, segundo Riva, é atingir a segurança total no transporte de cargas em quatro anos.