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Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 7 min

Escritório de Negócios da CEF em Bauru é o 2º no País e vai abrir novas agências

Escritório da Caixa em Bauru é o n.º 2 do Brasil e vai abrir novas agências

Texto: Paulo Toledo

O Escritório de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru (EN-Bauru) fechou o segundo semestre de 1998 como o segundo classificado do Brasil em desempenho geral. Entre os 73 Escritórios de Negócios no País, o de Bauru teve um desempenho igual ao do primeiro colocado, o do Sul de Minas Gerais e o desempate ficou na quarta casa decimal da análise. Para buscar a melhora do desempenho, o superintendente do EN, Júlio César Scaramuze de Toledo, 41 anos, anunciou a abertura, em abril, de mais duas agências: em Bauru, na avenida Nações Unidas, e em Marília, na avenida Tiradentes.

A habitação foi o "carro-chefe" do EN-Bauru. Para se ter uma idéia, da importância desse setor no resultado global, a regional da CEF financiou 26,12% do total que a Caixa concedeu de empréstimos em todo o Brasil, dentro do Programa Carta de Crédito FGTS Associativo (incluindo Cohabs e assemelhados), voltado para população de baixa renda, com recursos do FGTS, ou seja, contratou a construção de 9.332 unidades habitacionais na região, num investimento total de R$ 109.922.010,00, que beneficiou 37,5 mil pessoas. Desse total, somente a cidade de Bauru recebeu um investimento de R$ 41.867.745,00, ou seja, 38,09% do total.

Incluindo as outras modalidades de Carta de Crédito - Individual e Caixa -, os financiamentos habitacionais sobem para R$ 186.417.599,00, sendo R$ 58.328.218,00 para a cidade de Bauru, o que corresponde a 31,29% do total do EN.

Toledo destaca que, em 97, quando a modalidade associativa ainda engatinhava, o EN-Bauru já havia obtido a primeira posição em relação à concessão de cartas de crédito individuais, em nível nacional. Para ele, o sucesso no associativo se deu graças ao entendimento por parte das equipes da instituição, que buscaram um contato maior com as construtoras, para viabilização da concessão das cartas de crédito associativas.

O superintendente do EN-Bauru disse que a decisão de apostar nas cartas de crédito da modalidade associativa impôs um aumento no risco de inadimplência. "É muito mais arriscado do que fazer uma individual, pois concentra as unidades num mesmo local, concentra as pessoas e, portanto, concentra os problemas", destacou.

Toledo lembra que quando se faz um conjunto habitacional a instituição está indo contra à "lei de diversificação dos recursos", que é pulverizar os recursos para reduzir o risco, uma tendência adotada pela maioria dos bancos que atuam no Brasil. "Sabíamos que estávamos aumentando o risco. Mas, tínhamos a consciência de que nossa empresa tem um papel importante no desenvolvimento do País na geração de emprego e renda e na construção de casas. Entendemos que esse risco era mais do que justificado, para que pudéssemos fazer", afirmou.

Para se ter uma idéia, para cada unidade habitacional construída, quatro empregos (diretos e indiretos) são criados, informou Toledo. Dessa forma, as 13.241 unidades financiadas pelo EN-Bauru

(veja quadro) geraram cerca de 53 mil postos de trabalho. Para ele, isso fez com que a região sentisse menos o impacto do desemprego do que outras do Estado de São Paulo. "Quando você coloca cerca de R$ 186 milhões no mercado, há um efeito multiplicador na economia, beneficiando empresas da construção civil, as que fabricam tijolos, telhas, ferragens, etc., e a população", afirmou.

Apesar do aumento de risco com a construção de casas pelo sistema de carta de crédito associativa, o Escritório da Caixa de Bauru conseguiu reduzir a inadimplência geral de 13,69% para 10,5%, em dezembro, quando a inadimplência geral da Caixa no setor de habitação estava em 26%. A meta para 99, segundo Toledo, é fazer um trabalho forte em cima da inadimplência, para reduzir, ainda mais o índice. Essa é uma das prioridades da instituição financeira para este ano.

Constante

Toledo afirma que a segunda colocação foi um resultado importante, uma vez que o EN-Bauru manteve essa colocação durante todo o ano, enquanto que o primeiro colocado no primeiro, o EN de Passo Fundo (RS), semestre caiu para 16.º, e o Sul de Minas subiu de terceiro, no primeiro semestre para o primeiro agora. "Mais do que a segunda colocação, estamos mantendo a tendência do escritório, que teve não somente um semestre bom, mas o ano de 98 todo bom, um ano excelente.

É um orgulho para todos nós", afirmou.

Toledo disse que o resultado se deve ao trabalho de equipe, que

é realizado de forma "afinada, desde o superintendente até os escriturários", levando em conta as prioridades traçadas para o EN-de Bauru e da Caixa.

A performance obtida pelo Escritório de Negócios de Bauru contempla resultado financeiro, cumprimento de metas estabelecidas pela diretoria geral da Caixa, inclusive com medição da efetividade de sua distribuição entre as agências, custeio próprio e resultado de pesquisa de satisfação de clientes. Em todos os itens mensurados, os resultados de Bauru foram excelentes, com destaque para resultado financeiro e metas.

O EN-Bauru atua numa região abrangida por 95 municípios através de 25 agências. Houve, também, investimento em saneamento e desenvolvimento urbano, através dos Programas

- viabilizados com recursos do Orçamento Geral da União

(OGU), beneficiando diretamente inúmeros municípios da região.

Na área comercial, o destaque foi a aplicação no Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que atendeu recém-formados e pequenos-micro empresários, além do CaixaGiro Sebrae, linha de crédito, também voltada para os micros e pequenos empresários, para obtenção de capital de giro.

Houve, ainda, um trabalho específico, desenvolvido pelas equipes das agências, no sentido de renegociar os créditos concedidos na área comercial, estudando-se condições, propostas pelos clientes, para viabilizar o pagamento dos valores em atraso.

Outro item que merece destaque na região foi o investimento na ampliação e melhoria de sua rede de agências. Foi iniciada a construção de uma nova agência na cidade de Bauru, que deverá ficar pronta até o final deste ano. Além disso, houve a reforma e melhoria do parque tecnológico das agências, dentro do Projeto 500, que visa a melhoria do atendimento aos clientes e usuários; instalação de unidades de penhor nas agências Jaú, Botucatu e Lins - até então, somente Bauru e Marília contavam com esse serviço.

Crescimento no mercado

O superintendente do Escritório de Negócios da caixa econômica federal (CEF), Júlio César Scaramuze de Toledo, 41 anos, disse que a instituição vai buscar, neste ano, o crescimento no mercado bancários. Ele destaca que, nos últimos três anos a Caixa resgatou a cultura de fazer financiamentos habitacionais no balcão, que havia sido perdida.

Toledo afirma que, paralelamente ao combate à inadimplência no setor habitacional, neste ano, a Caixa deve mudar seu posicionamento e começar um trabalho de recuperação de crédito por administração de perdas. Esse sistema, que está sendo discutido, tenta recuperar, pelo menos, parte dos créditos que hoje são tidos como irrecuperáveis integralmente.

"Essa é uma filosofia que a diretoria da Caixa tem que implantar e, provavelmente, neste ano, vai conseguir", afirmou.

A instituição também vai ampliar as operações de penhor, instalando em mais agências da região. Além disso, em Bauru ou Marília, pode começar a funcionar o penhor mercantil, aquele que a CEF aceita, por exemplo, eletroeletrônicos como garantia de empréstimos.

Outra medida de crescimento é a ampliação dos clientes que tem o Cheque Azul (cheque especial), popularizando um produto que tem um potencial grande. A Caixa quer resgatar, ainda, os empréstimos de consignação - aqueles que a empresa desconta na folha de pagamento do funcionário e, em caso de demissão, a empresa leva o funcionário até a Caixa para renegociar o pagamento e tem como contrapartida uma taxa de juros mais baixa do que a praticada no mercado.

O finaciamento para micros e pequenas empresas, em condições mais facilitadas do que as praticadas atualmente, é outro produto que deve ser priorizado pela Caixa. (PT)

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