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Nova denúncia

Nélson Gonçalves
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MP denuncia Izzo por formação de quadrilha

MP denuncia Izzo por formação de quadrilha

Texto: Nélson Gonçalves

Procuradoria de Justiça denunciou, ontem, Izzo Filho ao Tribunal de Justiça por formação de quadrilha nos atentados

A Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo denunciou, ontem, ao Tribunal de Justiça o prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB), por formação de quadrilha ou bando, crimes de incêndio, explosão com aumento de pena, coação no curso do processo com concurso material (soma de penas) foi baseada nos atentados contra vereadores, com o uso de bombas incendiárias e disparos com armas de fogo contra veículos em Bauru. O procurador de Justiça, José Benedito Tarifa, coloca Izzo Filho como mandante dos crimes acontecidos na cidade e pede sua condenação com penas combinadas que podem levar a cerca de 10 anos de reclusão. Izzo Filho está foragido até definição de habeas-corpus protocolado no Superior Tribunal de Justiça

(STJ), onde tenta derrubar dois decretos de prisão preventiva assinados pelo desembargador Djalma Lofrano. Os outros seis acusados de participação nos atentados estão presos preventivamente.

O procurador de Justiça José Benedito Tarifa considera que Antonio Izzo Filho é o mandante dos crimes levantados em investigação policial e agiu contra "aqueles que teriam atuado para apurar suas ações criminosas contra o erário e alcançar seu afastamento do cargo". Para a procuradoria de Justiça, Izzo Filho convidou seguranças para formar o grupo, bem remunerados na gestão municipal, dando a cada um, ainda, "gratificações em dinheiro por cada crime praticado".

Roberto Carlos Thomaz, "Robertão", é colocado como segurança pessoal do prefeito afastado, contratado como motorista da Cohab-Bauru em abril de 98 por R$ 649,42, sendo promovido a assessor de diretoria em janeiro de 99 com salário de R$ 2.991,16. "A procuradoria entende que "Robertão tinha posição de destaque no grupo, mantendo contato direto com Izzo Filho através de telefone celular durante a execução de todos os crimes. Djalma Duarte Gonzaga

é citado como outro segurança do prefeito, admitido na Emdurb em janeiro de 99 como assessor técnico administrativo com salário de R$ 1.015,54, sendo nesta mesma data cedido para prestar serviços junto ao gabinete de Izzo. A procuradoria fala que cabia a Djalma o recebimento do dinheiro pago pelos delitos cometidos, das mãos de Izzo, para ser repartido entre os

"quadrilheiros".

No rol de acusados, o MP paulista ainda cita Nivaldo Aparecido da Silva, funcionário da Emdurb e chefe da Regional Administrativa do Mary Dota que confessa autoria do atentado contra a residência do vereador Erlon Vinícius Torquato Junqueira, Lourival Dadamos, assessor na Cohab com salário de R$ 2.665,71, acusado de participação em delitos, Alexandre Humberto Santos, contratado para a realização de vários atentados e o mototaxista Fábio Souza Fernandes, contratado para o transporte de alguns dos acusados até o local dos crimes.

O procurador reforça, na denúncia ao Tribunal de Justiça, que a "sociedade criminosa constituída por Antonio Izzo Filho tinha estabilidade e era permanente, com remuneração regular dos membros, cargos na administração pública e planejamento com antecedência das atividades". José Benedito Tarifa amplia que estavam planejados disparos contra as pernas do vereador Toninho Garmes (PSDB), homicídio contra o juiz da 3ª Vara Cível do Fórum de Bauru, Mauro Ruiz Daró (autor da liminar que afastou o prefeito do cargo), assassinato do promotor público Carlos Roberto Simioni (responsável pela apuração de acusações de improbidade contra Izzo), tentativas de agressões contra o jornalista Nélson Gonçalves e o gerente de produtos editoriais do JC, João Elias Jabbour e destruição de um veículo de um profissional de imprensa do JC.

Todos os atentados foram desvendados em investigação feita pelas autoridades policiais de Bauru, através de trabalho desenvolvido pela DIG-Garra e Delegacia Seccional. A Polícia Civil encaminhou representação ao Ministério Público que subscreveu pedido de prisão preventiva dos acusados. O Tribunal de Justiça, através do desembargador Djalma Lofrano, decretou a prisão preventiva dos seis acusados e do prefeito afastado Antonio Izzo Filho (PPB). O advogado Francisco Roberto Ramos, preso temporariamente e citado por depoentes como responsável pelo fornecimento do endereço de vítimas foi liberado e não está sendo denunciado pela Procuradoria de Justiça do Estado.

A procuradoria de Justiça coloca 13 pessoas como testemunhas, entre as quais parentes e conhecidos das vítimas, além do vereador Lucrécio Jacques e sua assessora Josete Dias Pereira, o advogado Francisco Roberto Ramos, os seguranças Henrique Kimura e Antonio Marcos Pantaleão e o ex-secretário Municipal de Turismo da gestão Izzo Filho, Alberto Ayub. Ayub compareceu para depor à polícia e disse que o prefeito afastado pediu para que os seguranças saíssem da cidade quando foi percebido que os atentados estariam sendo descobertos. No mesmo final de semana a polícia prendeu os acusados.

Os crimes segundo a denúncia

1) No dia 8 de dezembro de 98, por volta das 2h30, no Jd. Bela Vista, por determinação de Izzo Filho, sob a supervisão de Robertão, Nivaldo Aparecido da Silva e Lourival Dadamos causaram incêndio na residência do vereador Erlon Junqueira, expondo perigo a sua integridade física, patrimônio e de seus familiares. O crime foi praticado com a utilização de uma Brasília e duas garrafas de cerveja contendo querosene, com pavio aceso

(coquetel molotov).

2) Em 17 de dezembro de 98, por volta de 2h25, no Jd. América, Robertão, Djalma, Alexandre Humberto e Fábio Souza Fernandes causaram incêndio na residência do vereador Luiz Roberto Relvas, relator do processo que culminou com a cassação de Izzo Filho.

3) No mesmo dia 17, por volta das 2h30, no mesmo bairro, Roberto Carlos, Djalma Duarte, Alexandre e Fábio causaram incêndio na casa do vereador Luiz Carlos Valle, ex-presidente da Câmara Municipal. O atentado é atribuído a mando de Izzo, com o uso de bomba incendiária. Roberto levou Alexandre num Vectra verde escuro, pertencente ao DAE, até as residências dos vereadores. Mostrado o local, na hora combinada Fábio levou Alexandre que jogou as bombas. Izzo

é acusado de pagar R$ 1 mil a Djalma, para ser repartido em R$ 400,00 para ele, R$ 400,00 para Roberto e R$ 200,00 para Alexandre.

4) No dia 8 de janeiro de 98, no Jd. Europa, Roberto, Djalma e Alexandre, contando com o concurso de uma pessoa chamada de

"Dez", tentaram causar incêndio no escritório do advogado Sérgio Mangialardo, que representou a ECCB em denúncias de extorsão contra Izzo e que motivaram seu afastamento do cargo pela Justiça. Izzo é colocado também como mandante.

5) No dia 22 de janeiro de 99, por volta das 0h50, no Jd. América, Roberto Carlos, Nivaldo e Lourival, expuseram perigo à integridade física e patrimônio de Rubens Spíndola e seus familiares. O vereador, presidente de Comissão Processante contra Izzo, teve seu veículo Ford Mondeo atingido por artefato explosivo.

6) No dia 28 de janeiro de 99, por volta das 0h45, Robertão, Djalma, Alexandre e Fábio Souza participaram de disparos de arma de fogo contra o veículo do técnico de som Luiz Carlos Castro, testemunha em inquérito policial instaurado pela Delegacia Seccional para apurar concussão cometida contra a ECCB. Izzo teria decidido coagir Luiz Carlos Castro em função de gravação que este realizou.

7) No dia 18 de fevereiro de 99, por volta das 0 horas, no centro, aconteceu os disparos contra veículo da assessora parlamentar de Lucrécio Jacques, Josete Dias Pereira. Novamente Roberto, Djalma e Alexandre são colocados pela promotoria como co-autores do atentado. Djalma forneceu o revólver Taurus 38 a Alexandre. A gratificação pelo serviço foi de R$ 600,00 a Djalma, sendo R$ 200,00 para Roberto, R$ 200,00 para Roberto e R$ 150,00 para Alexandre.

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