Tidei diz que gerou dívida suportável
Tidei diz que gerou dívida suportável
Texto: Nélson Gonçalves
Ex-prefeito destaca que triplicou a receita da Prefeitura de Bauru, ao rebater levantamento da evolução da dívida
O ex-prefeito Antonio Tidei de Lima (PMDB) avalia que a evolução da dívida da Prefeitura Municipal de Bauru nos dois últimos anos de sua gestão, de 1995 para 1996, criou uma situação financeira suportável para a capacidade de endividamento dos cofres municipais. Tidei aponta que realizou investimentos, ainda que com obras para "mais de um governo" e não deixou a "cidade inerte" em seu último ano de governo. Dessa forma, o ex-prefeito acredita que a evolução da dívida em sua gestão não traduz a realidade do proporcional aumento de receita e os débitos trazem contratos com margem para composição ao longo dos próximos anos.
A opinião de Tidei de Lima vem depois que o vereador Edmundo Albuquerque (PSDB) divulgou levantamento da evolução da dívida municipal de 1995 a 1998, pegando dois anos da gestão do peemedebista e outros dois de seu sucessor, Izzo Filho. Conforme o estudo de Edmundo Albuquerque a dívida da Prefeitura de Bauru saltou de R$ 24,6 milhões em 1995 para R$ R$ 59,6 milhões em 96. Depois, com a eleição de Izzo, passou de R$ 73,2 milhões em 97 para os atuais R$ 80,9 milhões.
O ex-prefeito aponta que a Prefeitura de Bauru "tinha recursos para administrar os débitos e a cidade recebeu investimentos de importância no último ano do governo, em 1996, ano histórico do Centenário de Bauru". Tidei de Lima considera que obras para mais de um governo, como o teatro municipal, avenida do Oeste e o início do Complexo Viário eram "necessárias e viáveis tanto sob o ponto de vista financeiro quanto sob o aspecto da conveniência. Um administrador não poderia sob a desculpa de gerar dívida para seu sucessor deixar que a cidade ficasse sem obras importantes para seu desenvolvimento. E a evolução da receita foi substancial no período", comenta Tidei.
Tidei atribui a tentativa de comparação entre sua gestão com a de Izzo a "um objetivo eleitoral e político. Minha administração não tem área para contestação no campo da honestidade. Então aparecem essas comparações justamente com um governo que foi marcado pela corrupção, tendo como pano de fundo elementos sobre dívidas geradas em situações completamente distintas".
Tidei de Lima levanta que no final do governo Tuga Angerami (PSDB), em 1988, a receita foi de R$ 36 milhões, contra R$ 44,6 milhões de despesas no exercício. "A diferença foi de pouco mais de 23% entre a arrecadação e os gastos ". Em 1991, penúltimo ano da primeira gestão de Izzo, a receita subiu para R$ 59,1 milhões, contra R$ 74,9 milhões de despesas, segundo Tidei gerando déficit de 26,4%. Já em 1996, o ex-prefeito diz que a receita foi de R$ 109,6 milhões, contra despesa de R$ 136,1 milhões,
"tendo um resultado de 24,5%, número bastante razoável para o momento e levando-se em conta as obras importantes realizadas naquele período e para serem complementadas nos anos seguintes", indica Tidei.
Entretanto, o ex-prefeito menciona que seu sucessor, Izzo Filho,
"além de utilizar o dinheiro público sem qualquer critério, ainda não terminou nenhuma das obras importantes e ainda não pagou os compromissos assumidos, mesmo tendo uma arrecadação de mais de R$ 100 milhões. Só nos quatro primeiros meses de 97 foi arrecadado mais de R$ 40 milhões. Entretanto, os salários ficaram atrasados, não foi paga nenhuma parcela da dívida do Chase Manhattan e nem a Antecipação de Receita
(ARO)".
A menção de Tidei de Lima é para chamar a atenção do contexto da evolução da dívida. "Não é nenhum absurdo verificar o valor dos investimentos que foram feitos em minha gestão com o que foi repassado no final de 96. Agora a situação ficou insustentável na medida em que o Izzo teve caixa, não pagou as contas de curto prazo e ainda gerou outras despesas sem qualquer critério de prioridade. É de 97 os R$ 3 milhões gastos com a Camargo Correa, para começar a fundação de um segundo viaduto quando o primeiro estava na fase final, os R$ 2,8 milhões gastos com a Coesa para um programa de Lotes Urbanizados que até hoje não tem resultado nenhum e outras ações como os R$ 2,1 milhões pagos à família Duque", lembra o ex-prefeito.
Tidei também reforça que, em sua gestão, a receita aumentou de pouco mais de R$ 30 milhões para R$ 109 milhões, devido a um trabalho importante feito pela Secretaria de Economia e Finanças, através do Raul Gomes Duarte. "O piso dos servidores era de US$ 64 quando eu assumi e foi entregue com US$ 216. São dados importantes que não podem ficar isolados nessa questão. Agora hoje a Prefeitura enfrenta situação difícil porque o sucessor não honrou os compromissos e ainda gerou outras dívidas. Nesse momento a Prefeitura ainda enfrenta problema de perda de receita, na contramão da administração pública nacional que vem tentando manter e ampliar a arrecadação", fala.
Para o vereador Edmundo Albuquerque, autor do estudo da evolução da dívida, os comentários de Tidei de Lima não modificam os números, mas confirmam a evolução dos débitos ao longo dos últimos quatro anos. "Se a receita foi triplicada aumenta também a responsabilidade por ter gerado uma dívida ainda maior, quando mais dinheiro em caixa significa capacidade de reduzir débitos". Edmundo Albuquerque diz que o propósito de seu levantamento
"não é o de comparar despesas geradas entre este ou aquele prefeito mas de apresentar para a população como está a dívida da Prefeitura e como ela evoluiu nos últimos anos".
Sobre a menção de que a gestão Tidei foi colocada em comparação com a de Izzo por motivação política-eleitoral, o vereador menciona: "não tenho preocupação em interesse político mas na verdade dos números levantados e o secretário de Economia e Finanças agora tenta fazer milagres com as dívidas geradas nesses últimos anos. A discussão a partir da realidade desses números preocupantes agora passa a ser o de encontrar soluções, com recuperação de receitas que estão sendo extintas".