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Moda canina

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Vira-latas mostram moda canina hoje

Vira-latas mostram moda canina hoje

Texto: Marcos Zibordi

Todos os "modelos" são ex-cachorros de rua que foram recolhidos e tratados. Entidade completa quatro anos neste mês.

Jaú - A Associação Protetora dos Animais de Jaú (Apaja) realiza hoje, no Balneário Aristides Coló, um desfile de moda para cachorros. O objetivo é arrecadas fundos para a compra de instrumentos que serão utilizados no Centro Cirúrgico já construído na sede da Associação. Os cachorros estarão exibindo, em passarela, modelos de roupas e acessórios que podem ser usados pelos animais, no inverno que se anuncia.

Todos os "modelos" são cachorros, recolhidos das ruas, que foram tratados pela Apaja. Maria Aparecida Fernandes, presidente da Associação, disse que o desfile vai incrementar o bingo que ocorrerá no mesmo dia e local, com os mesmos fins de arrecadação. "Sempre, quando chega o inverno, as pessoas procuram colocar alguma roupa nos seus animais. Então a gente vai dar oportunidade para as pessoas verem a quantidade de roupas, acessórios, bonés, que existem hoje no mercado para animais".

As pessoas que adquirirem o convite têm direito a três rodadas de bingo. Alimentação e bebida serão servida no evento, além de uma mesa de bolos. A sala da cirurgia que a Apaja construiu é mais um passo em direção ao aparelhamento da associação, que começou funcionar em local precário, mas que devagar vai se estruturando.

Foram selecionados dez animais para o desfile. Alguns adestradores irão demonstrar como é possível adestrar um vira-lata. "A Apaja procura, em todos os eventos dela, passar um mensagem bonita de ajuda para que as pessoas passem a se preocupar mais com a vida. Qualquer ser precisa de alimentação e qualquer ser precisa de ajuda", define Fernandes.

Para quem pensa que ajudar animais nesses tempos em que pessoas morrem de fome é uma bobagem, a presidente da associação diz que "a frase de parar de dar ajuda para animal com tanta criança morrendo de fome, é uma das frases mais ignorantes que eu já ouvi. Nós fazemos para o animal, mas as pessoas que perdem tempo dizendo essa frase, se fizessem para o ser humano, pode ter certeza que teríamos um mundo muito melhor".

Quatro anos

Após esse tempo de trabalho, a Apaja já atendeu mais de 3 mil animais. O serviço prestado pela associação vai do abrigo e cuidados com os animais recolhidos, geralmente doentes e sarnentos, ao atendimento em casos de maus tratos com animais. "Nessa semana mesmo nós tiramos 9 animais de uma casa por maus tratos e falta de cuidados. A Apaja é bem abrangente. Se há caso de mau trato com um cavalo, o fiscal vai na casa fiscalizar. Se o dono for notificado e ele não botar aquele animal em condições de sobrevivência, nós levamos o caso para a polícia, entramos com um processo contra ele, que hoje o crime contra o animal doméstico

é um crime, não é mais uma contravenção. Todo o dia da associação é voltado para os animais", diz Maria Aparecida.

A presidente avalia que nesses quatro anos a população se conscientizou em relação aos animais. Um número bem menor de cães e gatos abandonados são vistos pela rua. "Eu acho que nesses quatro anos, criou-se uma conscientização. A gente acredita que muitos animais que aparecem na nossa cidade são de cidades da região, porque há o costume muito errado das pessoas de abandonarem os animais em outras cidades para que ele não volte para sua casa. É uma forma cruel de abandono. A gente até teve que mover ações contra pessoas da cidades de fora".

A Apaja vem constantemente preocupada com o número de animais. Atualmente, mais de 150 cadelas recebem vacinais para não procriar, fora os animais que são castrados, numa média de 20 por mês.

Outra preocupação é contra a matança dos animais. No Centro de Zoonoze de São Paulo, por exemplo, os animais passam pelo chamado corredor da morte. Existem cinco jaulas e os animais vão passando por cada uma delas em cinco dias. Na última jaula, se ninguém os adotou, o animal é sacrificado.

A presidente da Apaja admite que muitas pessoas maltratam os animais por ignorância. Muitos pensam que o cachorro pode ficar amarrado no fundo do quintal, sob o sol, sem sentir dor nem fome. Nas casas onde a Apaja detecta mau trato com o animal, são feitas outras visitas para averiguar se o problema persiste. "Algumas pessoas tinham uma mania de mudar de casa e deixar o cachorro no quintal da casa. Quando acontece um negócio desse, nós ligamos para a rádio, passamos o endereço da casa e pedimos para que o proprietário retorne à casa e recolha seu animal".

A Apaja recebe mais de 50 ligações por dia, entre denúncias e pedidos de orientação. Os interessados em adotarem um animal poderão obter informações no dia do desfile, bem como terem acesso ao cadastro da Apaja, que dispõe de animais castrados e esterilizados para doação.

Serviço

O Balneário Aristides Coló fica na rua 24 de maio, 1965, na vila Sampaio. O preço do convite é R$ 5. O evento começa 14 horas e os ingressos são limitados. O telefone da Apaja é 621 3963. E-mail: apaja.victor@netsite.com.br.

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