Prestação de serviços está absorvendo desempregados
Prestação de serviços está absorvendo desempregados
A sociedade está buscando alternativas para o desemprego, que cresce cada vez mais, em todo o país. O setor de prestação de serviços está assumindo pouco a pouco o papel de criar novos postos de trabalho e os oferecer ao mercado, para recolocação dos desempregados. Essa é a tendência que está sendo notada pelo Cepet, Centro de Pesquisa e Encaminhamento ao Trabalho, agência de colocação de mão de obra mantida pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), a partir da análise dos números relativos às atividades do órgão durante o mês de março.
No mês passado, o setor de prestação de serviços, chamado "terciário", representou 68% das vagas oferecidas pelo programa, 39 ao todo. Para a diretora do centro, Patrícia Souza Santos, o segmento foi o grande responsável pela expansão de vagas registradas no
órgão, entre março do ano passado e março de 99: eram 16, agora são 39, ou seja, o número aumentou em mais de 100%.
Em contrapartida, os números do desemprego se mantêm na cidade, pelo menos de acordo com a procura por colocação na agência municipal. Os desempregados cadastrados no órgão eram 809 em 98 e passaram a 704 em março deste ano. A diretora do Cepet observa, no entanto, que no ano passado, o atendimento era oferecido por oito horas. Em março, eram apenas seis horas, ou seja, das 12
às 18 horas.
"Isso significa que para um atendimento em menor período tivemos um número de desempregados bem próximo". Na avaliação de Patrícia Souza Santos, houve, de fato, uma ampliação de 30% no nível de desemprego na cidade, exatamente a procura por vagas registrada no Cepet no período da manhã.
Outra justificativa para o aumento relativo do número de desempregados cadastrados é o fato de maior parte deles, cerca de 70%, ser da área operacional, que não está absorvendo esse contingente de trabalhadores.
A diretora da agência municipal não acredita que o quadro venha a se modificar a curto prazo, pelo menos até agosto. No seu entender, será muito difícil, para a economia, gerar novos empregos até lá, porque precisa primeiro se recompor, se reorganizar, diante dos efeitos da crise cambial do começo do ano. "Houve muita perda de PIB (Produto Interno Bruto), há muita gente endividada". A recuperação, acredita Santos, deve vir a partir de setembro, com o reaquecimento da economia determinado por dois fatores: o início da superação dos problemas provocados pela crise e o incremento sazonal de produção e vendas no final do ano. A projeção da diretora do Cepet é que a nova ampliação das ofertas de emprego, quando houver, virá a partir de uma estrutura diferenciada, com maior concentração no setor de prestação de serviços, como já indicam as tendências atuais.
Novo horário
Desde a última segunda-feira, 5 de abril, o Centro de Pesquisa e Encaminhamento ao Trabalho passou a atender em novo horário, mais extenso: das 7 às 17 horas. O funcionamento é contínuo, sem interrupção para almoço. A diretora da agência afirma que o horário
é ideal, em termos de atendimento ao público, porque praticamente não há filas e todos os procedimentos podem ser agilizados.
Para curto prazo, a agência deve iniciar a captação de vagas diretamente nas empresas, um projeto que até agora não pôde ser levado em prática por falta de condições técnicas. Agora, esses problemas estão sendo superados, garante a secretária do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore Rodrigues.
Na captação de vagas diretamente nas empresas, um funcionário do centro se desloca até as direções e colhe as eventuais necessidades de contratação, divulgando, ao mesmo tempo, a ação do Cepet. "É interessante para os empresários, porque o serviço é gratuito, e para o órgão, que poderá oferecer mais vagas aos desempregados, cumprindo sua função", comenta a diretora do Departamento de Ação Social da Sebes, Jussara Canela.
Há outros projetos que estão sendo estudados pela Sebes para a área da colocação de mão de obra. Todos dependem de parcerias com a iniciativa privada para a sua viabilização: pesquisa para conhecer o perfil do desemprego, levantamento das necessidades do mercado de trabalho (a mão de obra em falta) e cursos de capacitação e qualificação para desempregados cadastrados há mais de um ano no órgão.