Prazo para desocupação do horto vence hoje e sem-terra recusam-se a sair
Prazo para desocupação do Horto vence hoje e sem-terra recusam-se a sair
Texto: Adriana Rota
O prazo para a saída dos sem-terra do Horto Florestal de Aimorés vence hoje à meia-noite, mas eles se recusam a sair, alegando que a intimação para desocupação só foi entregue na terça-feira. A informação foi obtida através de uma conversa com integrantes do acampamento, que, no entanto, impediram a entrada da equipe de reportagem do JC no local. Na sexta-feira pela manhã a ordem de desocupação deve ser cumprida por um oficial de Justiça, que terá força policial à disposição para o caso de uma eventual resistência. O destino das 300 famílias ainda não foi definido.
O "porta-voz" do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
(MST) de Bauru, Adailton Manoel da Silva, confirmou em entrevista por telefone que as famílias não deixarão o local enquanto não tiverem um destino certo. "O que nós pedimos foram sete dias depois de ter recebido o papel, foi um prazo que não valeu nada", disse, referindo-se ao prazo concedido pela empresa arrendatária da área, na última segunda-feira. "Nós estamos correndo contra o tempo, não temos área para ir".
De acordo com o juiz da 5.ª Vara Cível de Bauru, Horácio Guanaes, um oficial de Justiça teria estado no acampamento na segunda-feira em que o pedido de prorrogação do prazo foi aceito pela empresa mas, quando perguntou por Adailton, a resposta dos acampados teria sido de que lá não havia ninguém com esse nome. O oficial retornou ontem, encontrou Silva e entregou a intimação.
Silva afirmou, também, que "o pessoal está tenso". "Eles querem sair, mas com um destino, sem destino não tem como sair. Pode haver problema". Ele disse acreditar que até o final de semana seja possível conseguir uma outra área na região, através com o empenho do Instituto de Terras de São Paulo (Itesp). Uma possível instalação no acampamento de Iaras foi descartado.
Uma nova reunião entre a Polícia Militar (PM) e os sem-terra está agendada para hoje, às 13 horas, no Horto Florestal. Paralelamente, um dos advogados responsáveis pela causa, Sandro Fernandes, tentará transferir o caso da Justiça Comum e para a Federal, em conversação com o procurador da República.