Dois mil trabalhadores discutem em Araraquara apoio ao Proálcool
Dois mil trabalhadores discutem em Araraquara apoio ao Proálcool
Cerca de 2 mil pessoas ligadas a entidades governamentais, de trabalhadores e patronal estiveram reunidas, quarta-feira, em Araraquara, discutindo as vantagens do Proálcool e as perdas do setor alcooleiro. O evento foi promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Araraquara, que se aproximou dos usineiros, em defesa dos empregos.
A indústria sucroalcooleira emprega cerca 1,2 milhão de pessoas em todo o Brasil. Desses, 50% só no estado de São Paulo. Foi com esse argumento que Antônio Gonçalves Filho, presidente do Sindicato de Araraquara, trouxe para discussão a retração no setor. Sua posição era de defesa do emprego da categoria, não da classe patronal.
Representando os sindicatos estaduais dos produtores de açúcar e álcool, Oscar Figueiredo Filho salientou a importância do movimento social para fortalecer o setor. Ele lembrou que até o começo dos anos 90, o governo definia preços e políticas de mercado para a indústrica.
Para Figueiredo, o setor foi "abandonado" pelo governo sem experiência para lidar com o mercado que, na época, já estava em baixa. Somente no ano passado, a indústria sucroalcooleira no Brasil registrou perdas da ordem de R$ 1 bilhão.
O prefeito municipal de Motuca, Emílio Carlos Fortes, esteve em Araraquara apoiando o Proálcool e exigindo políticas de incentivo. Sua cidade tem a economia baseada na indústria sucroalcooleira, que contribui com 85% da arrecadação do ICMS. O cultivo da cana ocupa 78% das terras limítrofes de Motuca.
Fortes explica que o município também está sentindo a crise no setor. "Houve uma queda no nível de emprego. A taxa de desemprego que em média era de 5% no período de safra, hoje gira em torno de 10% em função da crise do álcool. Se esse setor falir, vai levar o município para o fim," teme o prefeito. O pronunciamento mais esperado da tarde foi do presidente da Associação dos Municípios Canavieiros do Estado de São Paulo (AMCESP), Antônio Mendes Thame. Ele afirmou que um dos principais causadores na crise do setor foi a drástica redução do consumo do álcool. Em 4 anos, cerca de 1 milhão de veículos movido ao combustível deixaram de circular no país. Hoje, a produção de carros a álcool brasileira não alcança 1%. Nas concessionárias, o veículo equipado com esse tipo de motor pode ter uma espera de até 60 dias para entrega.
O movimento terminou com uma passeata por ruas centrais e um ato público na igreja de Santa Cruz. A maior parte dos presentes era de trabalhadores de usinas da região, mas contou também com a particição de autoridades políticas, usineiros, sindicalistas e fornecedores.
AMCESP traz lista de propostas
O presidente da Associação de Municípios Canavieiros do Estado de São Paulo, Antônio Mendes Thame, participou do movimento em defesa do Proálcool, ontem, em Araraquara. Entre as medidas apontadas estão modificações em combustíveis, tributos e incentivos à produção de carros a álcool
Para reverter a crise no setor sucroalcooleiro, uma das propostas da AMCESP é a mistura do álcool no diesel à razão de 3%. Em países como a Suécia, a mistura
é de 15% e o litro do álcool ainda é mais caro do que o do diesel. Nesse caso, a preocupação
é ambiental porque a queima do álcool reduz a emissão de gases tóxicos no meio ambiente, evitando a degradação da atmosfera.
Outra conquista almejada pelo Proálcool é a frota de táxis a álcool. A idéia é fazer com que apenas os veículos movidos a álcool possam ser comercializados com isenção de ICMS e IPI, privilégio dos taxistas.
No Brasil, há cerca de 200 mil veículos rodando como táxis, 65 mil deles só nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Além dos táxis rodarem em média 3 vezes mais do que um carro particular, eles são renovados a cada 3 anos. Como resultado, cerca de 50 mil novos veículos a álcool seriam colocados no mercado a cada ano.
Também para aumentar a frota de carros a álcool no mercado, o Proálcool está pressionando o governo a instaurar a Frota Verde nos três níveis, federal, estadual e municipal. Se tiver êxito junto ao governo federal, a inclusão de carros a álcool sobe para 66 mil por ano.
Para que essas medidas funcionem é preciso que as montadoras ofereçam veículos a pronta entrega. Outra exigência são campanhas publicitárias de conscientização.
"A população tem que saber que o carro a álcool
é um ótimo produto. E que comprando um carro a álcool ele vai estar gerando emprego e contribuindo para o desenvolvimento do país," afirmou Thame.
O Proálcool também quer que o governo realize os leilões de compra do álcool. Essa medida seria aplicada como reguladora do preço do produto no mercado. No entanto, a AMCESP teme que o governo venda seus estoques quando o preço estiver alto.