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Trânsito

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 7 min

Pedestres também reclamam dos motoristas

Pedestres também reclamam dos motoristas

Não é só motoristas que reclamam sobre a desobediência à lei e às sinalizações de trânsito. Os pedestres também estão apreensivos com as atitudes de motoristas e motociclistas no trânsito.

Ângela conta que motoristas de ônibus e moto cortam a frente do carro, sem ao menos dar seta. "Há muitos motoristas de ônibus irresponsáveis, pois não respeitam os pedestres", relata.

Para Antônio Alves, 59 anos, há motoristas que mesmo no centro da cidade correm em alta velocidade. E os motociclistas ao invés de passar em cima da lombada, passa ao lado para correr mais. "Eles não respeitam a sinalização e conseqüentemente nem os pedestres", argumenta.

A dona de casa Maria José, 40 anos, também critica a velocidade com que alguns motoristas de ônibus dirigem.

"Os motoristas de ônibus não respeitam os passageiros. Eles dirigem a uma velocidade alta, sem importar-se com a gente até parece que estão carregando uma carga de boi", disse.

Segundo o cabo Floret, da 4ª Cia da Polícia de Trânsito, os pedestres ainda não estão cooperando para que o trânsito melhore. "Temos dificuldades para orientar os pedestres. Eles não tomaram consciência do perigo que é atravessar a rua sem cautela".

Ele também disse, que os pedestres sempre pensam que a preferência é deles. "São poucos, os que sabem atravessar a rua", completa.

A dona de casa Maria José, 56 anos, comenta que não importa o local, onde o pedestre esteja atravessando a rua, pois os motoristas não respeitam do mesmo jeito. "Mesmo que o sinal acabou de abrir, ou fechar sempre temos que correr para que não sermos atropelados, e também não há uma sinalização para pedestres", reflete.

Essas situações ocorrem diariamente, conforme informações dos bauruenses, mas dias próximos às datas comemorativas o fluxo de veículos no trânsito tende a aumentar e piorar o andamento dos carros e pedestres nas ruas.

De acordo com o tenente Enio Bianospino, da 4ª Cia de Trânsito, o fluxo de veículos aumenta e torna-se confuso em datas comemorativas, o que faz com a que a polícia aumenta seu efetivo. "Quando há datas festivas, aumentamos o número de contigente, para manter a cautela no trânsito, principalmente com os pedestres", ressalta.

Quer andar de carro velho?

Quer andar de carro velho, amor, que venha...A letra da música baiana da banda Eva, levanta o moral de quem possui um carro velho e até suscita o desejo de algumas pessoas a economizar dinheiro e comprar um carro velho. Mas por outro lado o comprador cheio de desejos em ter um carro, deve estar atento no momento da compra, para não ficar à pé, que é

"lenha".

Para atender a esse desejo alguns ferros velhos vendem veículos antigos, para acabar com a vontade de algumas pessoas de possuirem carros. Mas em relação ao novo Código Nacional de Trânsito (CNT), donos de ferros velhos estão preocupados e temem não vender mais carros.

Segundo o proprietário do estacionamento de carros velhos, Denis Oliveira de Alvarenga, 33 anos, com o novo código a tendência do mercado é extinguir o carro velho e permanecer o novo.

"Temos que esperar para ver como o mercado vai ficar, para então, investir em carros mais novos", comenta.

Ele também afirma que a procura por carros velhos se dá tanto pelo preço baixo, quanto pela forma de pagamento, em parcelas.

Como o preço dos carros não está favorável

à certos consumidores, segundo Alvarenga, "muitas vezes as pessoas arriscam-se comprando carros velhos, por não ter dinheiro para comprar um novo".

Por R$550 ou R$700 o sonho de algumas pessoas em ter um carro torna-se real, mas somente carros com linhas inferiores a 82 e muitas vezes com estado precário.

Denis acha difícil sair desse mercado, porque sempre surge um cliente que traz outro carro mais velho para fazer a troca.

Na loja de carros velhos localizada na Vila Industrial trabalha com o mesmo sistema de troca e venda dos demais estabelecimentos. Mas os proprietários estão preocupados com o novo código de trânsito e pretendem comercializar carros mais novos, como dos anos 88.

De acordo com a sócia-proprietária do estacionamento de carros velhos da Vila Industrial, Maira Cristina Brun Pereira, 28 anos, a loja continuará vendendo carros antigos, mas desde que tenham boas condições de uso. "Nós vendemos carros novos também, mas para não parar de vender carros velhos, iremos aguardar pela nova lei para trabalhar somente com carros novos", conclui. O novo CNT deixa motoristas em estado de alerta Com a resolução 84 instituída pelo novo Código de Trânsito Brasileiro, o motorista deverá permanecer em estado de alerta antes de licenciar seu veículo, para não levar advertências ou multas para casa.

O novo código exige uma inspeção técnica obrigatória em todos os veículos que tenham mais de três anos de fabricação, para atestar as reais condições de segurança da frota em circulação.

De acordo com o delegado da 5ª Ciretran Bonilha, esta lei será uma forma para se evitar acidentes na estrada e na cidade. "Esta lei permite que somente carros com boas condições de uso saiam nas ruas", declara.

A periodicidade da inspeção será semestral para os transportes escolares e anual para os demais veículos.

Uma vez por ano o veículo deverá ser inspecionado e regularizar-se de acordo com as normas da Abnt, caso contrário será reprovado e não poderá circular livremente. Conforme a nova lei, a reprovação se dará caso sejam encontrados dois tipos de defeitos no veículo, classificados como: defeito muito grave (considerado como dmg), ou defeito grave (dg).

Estes defeitos serão apontados durante a inspeção e só irão existir se o veículo colocar em risco a segurança no trânsito.

O defeito leve (dl) não provoca risco à segurança no trânsito. O carro que estiver com esta classificação pode circular no trânsito sem que cause acidentes, mas deve ser consertado brevemente.

A inspeção será executada de acordo com as normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (Abtn) e as informações serão registradas no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

A lei entrou em vigor desde o dia 3 de março, mas está em processo de licitação internacional, segundo Bianospino, "a polícia ainda não está fazendo autuações no caso dos carros que não fizeram inspeção, pelo fato de não haver uma empresa com estrutura adequada para a nova lei".

A empresa Centro Tecnológico Mecânico S/C Ltda (Cetem), localizada em Bauru está concorrendo para fazer a inspeção dos veículos da cidade e região, mas aguarda sair um edital para apresentar seu projeto e ser aprovado. A empresa vencedora deverá ser credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualificação

(Inmetro).

"Nós acreditamos que temos estrutura para ganharmos a concorrência, com excelentes equipamentos importados da

Alemanha, o que falta é esperar", argumenta o proprietário da Cetem, Luis Cremonezi, 47 anos.

A Cetem faz a entrega do Certificado de Segurança Veicular aos veículos que são envolvidos em acidentes e é uma empresa credenciada ao Inmetro. E os carros velhos?

Muitas pessoas perguntam se com a nova lei os carros velhos vão ter que desaparecer. Mas de acordo com a nova lei, o importante será a regularização do carro, para não ocorrer mais acidentes no trânsito.

A respeito da aceitação do novo código, muitas pessoas são favoráveis a ela, porém há algumas idéias que divergem. Principalmente para aqueles que têm o veículo como um instrumento de trabalho.

Como é o caso da vendedora de flores, Luzia da Silva Guilherme, 57 anos. "Eu acho que não deve acabar com o carro velho, pois há muitas pessoas que dependem do veículo para trabalhar, assim como eu", desabafa.

Ela completa, "eu não tenho condição financeira para comprar um carro novo e o que tenho é antigo, mas está em boas condições de uso, com bom motor. Só a lataria precisaria trocar".

Já Ilhesca concorda com a nova lei. Para ele há muitos carros que não podem estar viajando e até coloca em risco a vida das pessoas.

Bezerra, não aceita ter que pagar para fazer a inspeção de sua moto.

"Eu não aceito ter que pagar para a inspeção, pois já pago tantos impostos", resume.

Mateus acredita que cada um tem o carro que pode comprar, "mas o veículo deve ser levado para a manuteção".

Itens a serem inspecionados, segundo a classificação dos defeitos:

Identificação do veículo, Equipamentos obrigatórios, sistema de sinalização, de iluminação, de freios, de direção, de eixo e suspensão; e pneus, rodas e sistema de componentes complementares.

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