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Márcia Buzalaf
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Região exporta 49% a mais para o Mercosul

Região exporta 49% a mais para o Mercosul

Texto: Márcia Buzalaf

Em uma pesquisa especialmente feita para verificar se a mudança na política cambial de fato havia aumentado as exportações das indústrias de Bauru, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) revelou que, nos primeiros meses deste ano, a média das exportações para os países do Mercosul cresceu em 49% se comparados com a média mensal de 98. As exportações da região aos países do bloco latino nos primeiros três meses e meio deste ano é 33% menor do que o total dos oito últimos meses de 98, que foram considerados na pesquisa.

De acordo com o diretor titular da diretoria regional do Ciesp-Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, 35 anos, o motivo para se fazer uma pesquisa para medir a exportação das indústrias bauruenses e da região foi a insistência da mídia em divulgar o novo filão do mercado - as exportações, favorecida pela desvalorização cambial.

De fato, o resultado conferiu o que a teoria indicava: com a economia nacional retraída e o real valendo menos do que o dólar, o escoamento da produção das indústrias em Bauru também está sendo o exterior, especialmente, a Argentina e o Paraguai.

Entre as exportações dirigidas aos países do Mercosul e aos outros países, nota-se que as indústrias da região privilegiam bastante o bloco latino-americano. Simonelli explica que o acordo do Mercosul realmente facilita a exportação e que vem contribuindo para que a exportação seja mais "democrática" entre os diversos portes de empresas.

A recente decisão da Argentina de sobretaxar alguns produtos brasileiros em terras portenhas, segundo Simonelli, foi meramente preventiva, uma vacina contra a crise brasileira. "Era uma gripe que poderia pegar no vizinho", diz. Como a desvalorização do real favorecia muito a entrada de produtos brasileiros na argentina, prejudicando o preço do produto portenho no Brasil, o presidente Carlos Menen veio a público defender o protecionismo alfandegário.

Simonelli acredita que a Argentina tomou uma decisão que deveria ter sido tomada pelo Brasil há cerca de quatro anos atrás, de estabelecer uma certa proteção ao desenvolvimento industrial brasileiro. "Mas acho que nós não teríamos condições de nos abastecer com pouca importação", alega.

Dados

Os dados de Bauru refletem a produção nacional toda, já que a região sempre foi industrialmente diversificada. Simonelli diz que a produção da região sempre foi pulverizada em vários setores. Segundo ele, a média de empregos e desempregos é um indicador que refletem bem a situação. A pesquisa foi feita em meados de março, mas inclui dados de 98 até o dia 13 de abril.

A medição da exportação foi feita com base na emissão de certificados de origem, documento que contém dados técnicos do produto exigidos para a exportação. A competência de emitir estes certificados é do Governo Federal, mas, recentemente, ele autorizou algumas entidades a emitir este certificado.

Na região, apenas a regional de Bauru é a única que tem esta autorização, por isso, seus dados concentram informações de outras cidades, como Lençóis Paulista, Botucatu e Jaú.

O período inicial deste ano, Simonelli conta, também cresceu a procura por informações sobre exportação.

"A própria mídia colaborou com isso quando divulgou os benefícios e os malefícios da desvalorização. A exportação foi vista como saída", explica.

Das 100 indústrias da cidade, 27 exportam. Os setores de plástico, alimentos e gráfico são os que mais exportaram em 98 e continuam crescendo este ano. As áreas de acumuladores de energia, carne bovina processada, mecânica e metalúrgica também são destaque na produção local.

A exportação está ao alcance de todos os portes de indústria, de acordo com Simonelli. Para ele, qualquer tamanho de indústria pode se preparar para a exportação, que está crescendo nas pequenas empresas, desde que os produtos tenham bom padrão no mercado internacional.

Simonelli diz que a qualidade da produção nacional

é uma das vantagens das indústrias. Muitas vezes, ele diz, o Brasil fornece qualidade superior ao produto importado.

O setor industrial voltado para a exportação deve ser privilegiado por criar empregos em terras brasileiras. O desenvolvimento desta área, entretanto, depende também da desmistificação da exportação, e da desburocratização do sistema, que tende a aumentar com a globalização.

Exportação aumenta, nível de emprego cai

Apesar do crescimento da exportação, o nível de emprego industrial de janeiro deste ano registrado pela regional do Ciesp de Bauru é de menos 0,20% em comparação com o mês anterior, dezembro de 98. Em fevereiro de 99, a queda do nível de emprego foi de 0,17% se comparado aos números de janeiro.

As maiores variações negativas em janeiro foram do setor alimentício e gráfico, de menos 0,57% e 0,32% respectivamente, que são os que mais crescem. Em fevereiro, os mesmos setores apresentaram novamente as maiores quedas, de menos 0,10% e 0,07%, respectivamente, auxiliados pela queda no setor de vestuário, artefatos de tecidos e de viagens.

Se comparados com janeiro do ano passado, nota-se uma queda ainda mais acentuada. Em janeiro de 98, o nível de emprego da indústria na regional do Ciesp em Bauru foi de menos 0,07%.

A variação do nível de emprego no período entre janeiro de 97 e o mesmo mês de 98 foi de menos 7,56%. Entre janeiro de 98 e 99, a queda foi de 0,35%.

A variação entre fevereiro deste ano e do ano passado foi de 0,40%. Entre 97 e 98 no mesmo mês, a queda acumulada foi de 7,20%.

Como os dados de março deste ano ainda não estão disponíveis, dá para calcular que o nível de emprego caiu nos dois primeiros meses 0,37%. Nos mesmos primeiros dois meses do ano passado, a queda acumulada do nível de emprego havia sido de 0,20%.

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