Verdades de pescador e cobras nas cidades
Verdades de pescador e cobras nas cidades
B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade
Muitos leitores do JC ficaram boquiabertos ao ver na edição de quarta-feira o jovem M.L.F. levando uma pesada cobra piton para passear no centro da cidade. Imediatamente lembrei que o surgimento desses casos inusitados e gostos exóticos, que algumas décadas atrás nem imaginávamos pudessem ocorrer, leva a exigências muito mais amplas e detalhadas quando se discute, por exemplo, aquilo que a cidade acabou de discutir, isto é, o uso de focinheiras para passear com cachorros. Poderíamos liberar o passeio de pitons, sucuris e jararacas, desde que todas estivessem comportadinhas, usando as higiênicas focinheiras! A focinheira, aliás, resolve tudo. Um crocodilo, por exemplo, puxado por uma cordinha, ficaria, digamos, uma gracinha ao ser conduzido, com sua focinheira de um metro e meio.
O caso da piton de MLF lembrou o que está acontecendo em Brasília. O ministro da Justiça, Renan Calheiros, tendo que passar à noite pelo edifício de seu ministério, para pegar algo que esquecera durante o dia, no silêncio da noite, ouviu um verdadeiro pagode de chocalhos em algum lugar desconhecido do prédio. Ficou todo arrepiado porque se lembrou de um boato que corre entre vigias de que semelhante concerto já havia sido ouvido. E vinculou o acontecimento à
época da construção da Novacap. Muitos candangos, que já morreram, se reuniam no meio das obras para uma batucada improvisada. Quem sabe, a turma do chocalho, hoje no além, resolvera retornar no horário das trevas para atormentar ministro?
O chefe da Justiça, no dia seguinte, antes que tivesse comentado com alguém sua suposição, ficou sabendo que um eletricista vira no forro do prédio uma nutrida cascavel e seus cinco pimpolhos. Está matada a charada. No mínimo, a sra. Crotalus terrificus à noite resolveu ensaiar a orquestrinha de chocalhos da criançada. Daí o barulho que assusta faxineiros, vigias e... ministro.
Esses fatos me fazem recordar um acontecimento envolvendo um de meus irmãos. Faz tanto tempo que nem sei ao certo se foi com um deles. Não sei se com Antonio (Nene), Vilson (Bióta) ou Germano (Maninho). Freqüentadores assíduos do Pantanal, junto com outros amigos, narram um fato inicialmente sobrenatural, porém que terminou de maneira curiosa.
Voltando da pescaria, quando se recolhiam na barraca, tarde da noite, porém sempre no mesmo horário, ouviam bater o sino da capelinha da fazenda abandonada, ao lado da mata onde acampavam. Noites sem vento, não tinham dúvida de que algo do outro mundo era responsável por aquilo. Como o fato se repetia nos dias seguintes, um mais corajoso resolveu ficar observando à noite para investigar o caso.
De um buraco parecendo toca de tatu, sob a igrejinha toda trincada, saía uma grande sucuri. Para ir caçar ou quando retornava. A cobra estava muito gorda e com a dificuldade que tinha para passar pelo buraco, sacudia a capelinha, fazendo o sino bater. É democrático e um direito de cada um acreditar ou não nesta história...