Bauru pode perder INSS para Marília
Bauru pode perder INSS para MarÃlia
Texto: Nélson Gonçalves
Servidores do INSS foram à Câmara alertar que governo FHC lança reestruturação do órgão para privatização
O programa de reestruturação no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), proposto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vai provocar a centralização dos procedimentos no setor e o fechamento de gerências em todo o PaÃs. A informação é do Comando Estadual de Mobilização do Sindicato dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias de São Paulo. Presentes à sessão da Câmara Municipal, ontem à noite, os integrantes do movimento alertaram, ainda, que na reestruturação Bauru pode perder o escritório regional, onde a gerência do INSS passaria a ser subordinada
à MarÃlia.
As afirmações foram feitas na tribuna da Câmara. O espaço foi utilizado pela servidora Marisa de Fátima Amorim Ferrari, que faz parte do movimento contra o processo de reestruturação. Na opinião dos manifestantes,
"o governo federal inicia o processo de reestruturação com o discurso de inchaço e, com isso, prepara a privatização do INSS. Ao mesmo tempo, transfere cargos para barganha polÃtica em BrasÃlia e provoca o desfacelamento do atual sistema de serviços com a centralização, forçando a burocratização e dificuldades para a concessão de benefÃcios".
Na opinião dos manifestantes, o processo de reestruturação do INSS é o desmonte do órgão para a privatização.
"É só observar os itens das alterações feitas pelo governo Fernando Henrique Cardoso para perceber que ele centraliza tudo em BrasÃlia, tira a autonomia dos escritórios espalhados por todo o PaÃs e congestiona os serviços. Hoje um processo demora 45 dias para ser finalizado em Bauru. Quanto vai demorar com todo o processo sendo centralizado em BrasÃlia?", pergunta Marisa Ferrari.
Para o movimento contrário à privatização do INSS os escritórios como o de Bauru vão se transformar em "meros postos de serviço". E onde Bauru corre o risco de perder a gerência para MarÃlia. Os integrantes do movimento alertam que já estão sendo feitas articulações em MarÃlia para que a cidade abrigue a gerência de Bauru. O raciocÃnio é o de que o projeto prevê a redução das atuais 34 gerências de arrecadação para 25.
Pela proposta inicial, MarÃlia seria extinta, passando a ser subordinada à Presidente Prudente. Em função do escritório de Bauru ser muito maior, inclusive em volume de arrecadação, seria mantido. "Mas agentes polÃticos ligados a MarÃlia já trabalham para tentar reverter essa decisão técnica. Nós somos contra o processo de reestruturação por se tratar de um plano para desmantelar o INSS para sua privatização. Somos ainda mais contrários ao fechamento da gerência de Bauru. É um posto muito mais importante que o de MarÃlia, basta analisar os números e aspectos técnicos. Nós viemos até a Câmara para alertar para esse processo e evitar que uma decisão polÃtica leve ao fechamento da gerência de Bauru", comenta Ferrari.
O movimento divulga que com a reestruturação, em curso em BrasÃlia (DF), seriam extintos em todo o PaÃs 14 superintendências, além de 270 postos de seguro social, 126 gerências de seguro social, 105 gerências de arrecadação e 80 procuradorias. "O projeto do governo Fernando Henrique prevê a demissão de 43 mil funcionários do órgão, ficando com 12.400 dos atuais 55 mil servidores. Cerca de 4.500 cargos de chefias estão previstos para serem cortados. "É preciso desmascarar o projeto do FHC também neste ponto. Porque não significa enxugamento mas privatização. O governo federal prepara a terceirização desses serviços através de clientelismo polÃtico".
O movimento contrário ao processo de reestruturação também condena o corte nos cargos. "O presidente não vai economizar nada com esses cortes. Ele transfere esses cargos para BrasÃlia e lá oferece os cargos de acordo com sua ação fisiológica, de barganha polÃtica", fala Marisa de Fátima Amorim Ferrari. Outro ponto criticado no projeto de FHC em relação ao INSS é o fim da estabilidade de emprego para o fiscal. "A proposta inclui esse desserviço à comunidade. Como é possÃvel esse servidor ser fiscal da lei, agir com independência, sem pressões, sem ao menos a garantia de emprego. É um contra-senso", adverte a representante do movimento. Somente o estado de São Paulo perderia mais de 70% das gerências que hoje possui, conforme o estudo feito pela comissão contrária ao projeto.
Na sessão de ontem à noite, o vereador João Parreira de Miranda (PMDB) assinou moção de apelo aos presidentes do Senado Federal, Antonio Carlos Magalhães
(PFL), e da Câmara dos Deputados, Michel Temer, bem como aos lÃderes de bancada das duas casas do Congresso, para alertar dos objetivos da reestruturação comentados pelos servidores do setor.