Penhor cresceu 16,38% no último ano
Penhor cresceu 16,38% no último ano
Texto: Márcia Buzalaf
Ao mesmo tempo, aumentou em cerca de 35% o número de pessoas que não conseguem resgatar a jóia penhorada. A vantagem do sistema é a falta de burocracia
O penhor de jóias está ganhando cada vez mais movimentação em Bauru. Em um ano, de março de 98 ao mesmo perÃodo de 99, o estoque de contratos da Caixa EconÃmica Federal
(CEF) aumentou em 16,38%, sendo que, apenas nos primeiros meses deste ano, o aumento foi de 8,46%.
De acordo com o gerente geral da agência Bauru da CEF, Luiz Alberto dos Santos, 49 anos, o motivo para o aumento é que, em uma época de crise financeira, as pessoas costumam optar pelo penhor, já que é uma operação simplificada. Quem precisar penhorar uma jóia, por exemplo, tem apenas que levar a jóia e os documentos básicos para fazê-lo. "A pessoa não precisa fazer o cadastro, não precisa de avalista, nem precisa ser correntista do banco", afirma Santos.
De dezembro para janeiro, o estoque da CEF aumentou em 258 contratos; de janeiro para fevereiro, 180; e, de fevereiro para março, 41 (vide quadro).
A agência de Bauru faz penhor apenas de jóias, mas, na capital, pode-se penhorar desde filmadora até instrumentos musicais. A CEF dispõe de dois tipos de operações. A faixa 1, chamada de social, corresponde a empréstimos de até R$ 300,00, com taxas de juros mensais de até 3,8%. Acima deste valor, na faixa 2, os juros sobem para 4,5% ao mês. O empréstimo limitado a 80% do valor da avaliação,
é referente ao valor real do bem, não ao valor artÃstico da jóia. "Considera quanto vale em ouro a jóia", determina.
Outra vantagem defendida pelo gerente é que as taxas de juros são bastante atrativas do que as linhas de crédito pessoal, que exigem que a pessoa tenha conta corrente no banco e apresente uma série de garantias. "No penhor, a garantia é a própria jóia. Você entra com a jóia na agência e sai com o dinheiro na mão
- uma operação que deve durar cerca de 15 minutos", defende Santos.
Historicamente, o penhor sempre foi uma operação bastante procurada. Quase sem excessão, mesmo em época de incerteza econÃmica, a procura pelo penhor nunca ficou ociosa.
O público que procura o penhor, segundo Santos, é o mais heterogêneo possÃvel. "Tem gente que penhora até a aliança", conta.
O número de pessoas que não conseguem resgatar a jóia penhorada, segundo Santos, também aumentou. Depois de 30 dias inadimplente, os lotes vão a leilão.
Em dezembro do ano passado, por exemplo, a CEF tinha 87 contratos catalogados, ou seja, os contratos de penhor vencidos. Em março, o banco tinha ao todo 282 contratos. No ano passado, segundo Santos, a média de contratos catalogados para o leilão, variava entre 65 e 75.
Levando em consideração que, em janeiro e fevereiro, durante o ponto máximo da crise cambial, os leilões de jóias foram suspensos, pode-se dizer que, mensalmente, a CEF tinha 94 contratos catalogados, ou seja, um aumento de quase 35% em comparação com a média mensal de 70 contratos em 98.
O aumento da procura pelo penhor fez com que o banco estenda o penhor para mais 39 agências até o final de junho. Santos diz que, na região, as agências de Botucatu e MarÃlia receberam a permissão para operar com o penhor de jóias nos últimos dois anos. "Mas a meta da Caixa é estender o serviço para todas as agências, porque o penhor nunca deixa de movimentar", defende o gerente.