Geral

Desemprego

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Indústria quer combater desemprego

Indústria mostra idéias de combate ao desemprego

Texto: Luciano Augusto

Num mundo globalizado, as fronteiras passaram a ser simplesmente demarcatórias. Comercialmente, as relações estão muito mais próximas entre as nações. Da mesma forma, as condições de trabalho também se alteraram e, quem ainda não se adaptou às mudanças, como é o caso do Brasil, precisa andar rápido para poder competir com as regras modernas do jogo comercial.

Tendo pouco a comemorar, em relação à data de ontem, o setor industrial é um dos que sofrem mais rapidamente os efeitos de uma desvalorização da moeda. O País, comparado com os países do primeiro mundo, ainda tem um parque indústrial defasado, muito embora já bastante modernizado.

Pela rapidez do mundo contemporâneo, além da modernização das nossas indústrias, já necessitamos de adaptarmos também às relações capital/trabalho. Segundo o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luís Miranda Simonelli, 35 anos, precisamos modernizar a nossa legislação trabalhista, a Consolidação das Leis Trabalhistas

(CLT), que remonta à época de Getúlio Vargas, para que entremos em uníssono com outros países na relação capital/trabalho, que já possuem esta relação bem diferenciada.

Mesmo vislumbrando uma superação da crise, a médio e a longo prazo, com a recuperação da confiança diante do mercado internacional, Simonelli diz que é essencial alguns ajustes para recuperarmos um nível de emprego menos ruim.

Ele destaca três vertentes fundamentais, no seu ponto de vista.

A primeira seria investir em linhas de crédito para exportação. Dar condições para os industriais poderem financiar a exportação, e com isso incentivar a produção, criar mais vagas e gerar mais riqueza no mercado interno.

Uma outra vertente seria o Governo Federal, através de

órgãos como a Caixa EconÃmica Federal (CEF), ou o próprio Governo Estadual, através da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), investir no setor da construção civil. "É um setor extremamente importante que tem a característica de responder muito rapidamente a estes estímulos de recursos", afirma o diretor do Ciesp. De acordo com ele, a construção civil responde por 17% do Produto Interno Bruto (PIB).

Conforme explicou Simonelli, a realização de obras não é uma coisa que depende de aquecimento da demanda para poder aquecer também a produção. A resposta do setor é imediata. Outro lado positivo de se investir na construção civil é encobrir o déficit habitacional que existe. Além disso, argumenta o industrial,

"o setor da construção civil, envolve indiretamente, um grande número de setores, que estão atrelados a ele, que também vão estar se movimentando", gerando mais negócios e empregos.

Uma terceira vertente, é o investimento político nas reformas, principalmente a tributária, que vai dar mais condição ao País de competir no mercado internacional. Se não fizermos a reforma tributária este ano, lembra Simonelli, não poderemos interagir de igual para igual no mercado internacional atual, porque a confiabilidade depende do andamento desses ajustes na tributação.

Bauru só não sente mais claramente os efeitos de uma recessão, porque possui uma indústria bastante pulverizada. O parque industrial local é composto pelos mais variados segmentos. "Não é uma cidade, por exemplo, como Franca, que depende da indústria calçadista e sofre com a sazonalidade do setor, as chamadas crises pontuais", diz Simonelli.

Como já foi dito, Bauru é uma cidade essencialmente comercial, com muita prestação de serviço e que emprega, atualmente quase que o mesmo número de trabalhadores da construção civil.

A mão-de-obra, para o setor da indústria especificamente,

é bem formada, principalmente, pela existência de uma "escola Senai muito forte, bem administrada e de um corpo técnico extremamente competente". Pelo Senai formam-se técnicos bem preparados, aptos para entender os avanços tecnológicos e abertos para a qualificação.

Já o mercado da construção civil não

é tão aberto assim à introdução de novas tecnologias, afirma Simonelli. "Estamos na época da 'pedra sobre pedra'", completa. O setor pouco mudou, em termos tecnológicos, nos últimos 50 anos. O diretor do Ciesp acredita que é preciso haver uma mudança cultural, para que se mude a receptividade do mercado às novas tecnologias.

Comentários

Comentários