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Denúncia

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Vereador denuncia compra de carne

Vereador denuncia compra de carne

Texto: Josefa Cunha

O vereador Rogério Medina (PTB) denunciou ontem, na sessão da Câmara, a compra pela Prefeitura de 28 mil quilos de carne (patinho moído) com preço 40% superior à média cobrada no mercado varejista. A aquisição aparece em resultado de tomada de preço publicado no Diário Oficial do último dia 10. O fato agitou os parlamentares, que cobraram da administração abertura imediata de sindicância e chegaram a cogitar a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Casa para apurar a discrepância de valores.

Antes de levar o fato a público, Medina afirma ter consultado o preço do patinho em vários açougues da cidade, levantamento através do qual verificou que o quilo do respectivo corte bovino não ultrapassa R$ 3,50. Em algumas casas, inclusive, o preço teria sido cotado em R$ 3,30, com a ressalva de que acima dos mil quilos, o valor poderia ser ainda menor. Na início da noite de ontem, a reportagem do JC, em rápida consulta, comprovou a mesma média de preço no mercado varejista - no lugar mais caro, o patinho está sendo vendido a R$ 3,75. Verificando ainda anúncios do produto, é possível constatar que o quilo de cortes tradicionalmente mais caros, como o contra-filé, não chega a R$ 4,00.

A Bom Bife Comercial de Carnes Bauru Ltda., vencedora da tomada de preços, entretanto, cotou o quilo do patinho em R$ 4,72, faturando a compra total no valor de R$ 132.160,00. Matematicamente, se a mesma quantidade tivesse sido adquirida com o quilo a R$ 3,30, ou seja, a menor cotação no varejo, a compra sairia por R$ 92.400,00, numa expressiva diferença de quase R$ 40 mil. O prefeito Nilson Costa (PL), porém, salientou, em resposta à denúncia, que a tomada de preços envolve muitos outros fatores, inclusive previsão de alta em virtude da entressafra (leia boxe).

Considerações à parte, o fato é que a administração terá que apresentar boas justificativas aos vereadores, que já demonstraram ânimo em apurar as possíveis irregularidades. As críticas dos parlamentares também se aplicaram à modalidade da compra, no caso, tomada de preço, que, legalmente, é o expediente utilizado nesse tipo de aquisição. Na tomada de preço, é o interessado (a Prefeitura) que define os locais para a cotação e escolhe o orçamento mais vantajoso. O problema, na opinião de alguns vereadores, é que nesse sistema os "direcionamentos" tornam-se mais fáceis.

Nilson descarta irregularidades

O prefeito Nilson Costa garantiu ontem à noite que o processo da compra dos 28 mil quilos de carne está correto, mas assegurou aos vereadores que não hesitará em abrir uma sindicância caso reste alguma suspeita após os esclarecimentos oficiais. "Temos pessoas muito sérias

à frente da comissão de licitação e a certeza de que tudo está correto. Amanhã (hoje) cedo, terei uma reunião com a Maristela Gebara (presidente da Comissão de Licitação) para ficar por dentro de todo o processo. Se houver alguma dúvida, serei o primeiro a pedir a instalação de uma sindicância", disse.

Na opinião de Nilson, entretanto, o dimensionamento dado ao fato está além do que merecia. "Querem julgar sem antes conhecer o processo. Pessoalmente, vejo isso como uma ação de represália por parte de quem vem tendo os interesses contrariados", disparou, referindo-se, particularmente, ao vereador Rogério Medina, que, desde o início, é oposição confessa à atual administração.

Embora desconheça detalhes sobre os métodos do processo de aquisição, Nilson sabe que vários fatores interferem no preço. Segundo ele, é preciso levar em conta que a compra é por vários meses e com recebimento a prazo. Em outras palavras, isso significa que a cotação pode embutir, por exemplo, riscos do fornecedor, como a alta de preços em razão da entressafra.

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