"Comércio" de vales-compra será apurado
"Comércio" de vales-compra vai ser apurado
Texto: Josefa Cunha
Um requerimento apresentado ontem pelo vereador pedetista Luiz Carlos Valle pode desencadear um processo de investigação sobre a possÃvel existência de "intermediários" no recebimento dos vales-compras distribuÃdos pela Prefeitura aos servidores municipais. O "câmbio paralelo" estaria ocorrendo entre fornecedores credenciados - no caso, supermercadistas
- e terceiros alheios ao processo.
Em requerimento que será remetido ao prefeito Nilson Costa, Valle faz uma série de solicitações, a começar pelo fornecimento da relação de todos os pagamentos efetuados a tÃtulo de vales-compras ao funcionalismo (Prefeitura, Emdurb, DAE e Cohab) a partir de janeiro deste ano. O parlamentar também pede a listagem de todos os nomes das pessoas fÃsicas e jurÃdicas (supermercadistas e outros) que estão recebendo os tÃquetes nas relações comerciais
(receptores e fornecedores), o rol dos pagamentos mensais realizados aos receptores e o montante total da dÃvida hoje existente junto aos fornecedores, com os valores respectivamente discriminados.
Na verdade, as informações solicitadas têm a intenção de comprovar a existência de eventuais intermediadores, que estariam trocando os vales com os fornecedores credenciados e recebendo da administração. Nesse possÃvel processo paralelo, suspeita-se, inclusive, da ocorrência de um certo tipo de agiotagem, o qual estaria prejudicando diretamente os servidores que gastam seus vales nos estabelecimentos supostamente envolvidos. Procedente ou não tal suspeita, vale questionar qual seria o interesse de terceiros em "comprar" os vales dos fornecedores para, possivelmente, receber depois da Prefeitura. Nesse virtual comércio atravessador, alguém estaria lucrando e, certamente, não é o servidor.
Os vales do funcionalismo são distribuÃdos geralmente depois da segunda quinzena do mês e o prazo para seu desconto na rede credenciada gira em torno de 10 dias. Sabe-se que alguns supermercados ainda rejeitam o tÃquete da Prefeitura em virtude de créditos ainda não recebidos. Entre os vereadores parece já haver ânimo para cobrar a liberação dos tÃquetes junto com o pagamento, uma vez que distribuição em separado não apresentaria, pelo menos à primeira vista, nenhuma justificativa.
Questionado sobre o levantamento da suspeita na Câmara, o prefeito Nilson Costa (PL) afastou qualquer possibilidade de a Prefeitura estar envolvida no suposto esquema de intermediação. Segundo ele, os pagamentos são feitos diretamente aos supermercadistas credenciados e através de borderÃ. "Depois de todos os escândalos com a administração passada, resolvemos abolir até os pagamentos em cheque", assinalou.