Geral

Gado de leite

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Planejamento é a palavra-chave na produção de leite

Planejamento é palavra-chave na produção de leite

Texto: Márcia Buzalaf

Como se calcula na ponta do lápis a produtividade do gado de leite nos pastos do Brasil? Como fazer esta produção lucrativa? Estas foram as propostas principais do professor do Departamento de Produção Animal da Esalq-USP de Piracicaba, pesquisador e produtor de gado de leite, Moacyr Corsi, durante o I Encontro de Pastagem e Produção de Leite de Bauru, realizado na última sexta-feira, pelo Sindicato Rural de Bauru e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Também participou do encontro Arthur Chinelatto, da Embrapa, que falou sobre a perspectiva e a viabilidade econÃmica do leite no Estado de São Paulo, em particular, na região de Bauru, tipicamente quente.

A conclusão que os palestrantes e os 240 trabalhadores e produtores rurais que participaram do evento chegaram foi que há a necessidade de um grande "comprador" para a produção.

Chinelatto pregou que os produtores deveriam vender os tratores e maquinários da propriedade a fim de investir mais no pasto, destacado pelos palestrantes como o principal fator de lucratividade na produção de gado leiteiro, conhecida por dar prejuízo aos seus produtores. Com um pasto farto, a produção de leite e derivados pode ser muito rentável, garantiram os palestrantes.

Concorda com a mesma opinião o professor universitário. Para Corsi, a importância do pasto deve prevalecer na produção leiteira.

Apesar disso, Corsi alerta, não se deve perder de vista os cuidados com o rebanho e o descarte dos bezerros em favorecimento das novilhas em uma propriedade de produção leiteira. A relação entre vacas e espaço, segundo Corsi,

é de sete unidades de animais por hectare.

Para Chinelatto, o pasto é tão importante que só se precisa de alimento para as vacas leiteiras se a produção delas exceder a elevada marca de 20 a 25 litros diários. Se a produção não atingir este patamar, não há necessidade de investir em recursos como suplementos alimentícios. "Só o pasto, bem cuidado", completa Guimarães.

Para Corsi, as duas variáveis que podem aumentar a produção leiteira estão ligadas ao pasto, ou seja, a otimização do espaço e a alimentação do animal.

Para o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, diz que várias cooperativas de leite de Bauru fecharam nos últimos anos.

"Não adianta nada produzir 120 mil litros de leite por dia, se não tem para quem vender", diz Guimarães.

O objetivo seria formar uma cooperativa de leite em que a Prefeitura Municipal teria participação, já que é grande consumidora de leite para merendas escolares, por exemplo.

Outra alternativa para incentivar a produção de leite da cidade, de acordo com Guimarães, é trazer alguma empresa forte para se instalar na região. "Isso, depende da parte política do município. Os produtores não têm força de fazer isso", completa.

O grande diferencial da produção leiteira destacado pelos palestrantes é que, nesta atividade, o ordenado é mensal.

Além disso, a região privilegia o gado leiteiro porque o clima é predominantemente quente, ou seja, o investimento no confinamento do gado na época de frio - que é mais caro para o gado leiteiro do que para o de corte - é menor.

O bom percentual de lactação dos animais, segundo Corsi, varia entre 79% e 85%. Ele diz que o uso de calcário no solo e a adubação são duas chaves do pasto e, conseqÃentemente, do gado farto.

Atualmente, os Estados Unidos são o principal produtor leiteiro do mundo em termos de volume, mas a Nova Zelândia

é a primeira em exportação.

Cerca de 70 participantes do encontro preencheram um cadastro demonstrando interesse em entrar neste programa, voltado para o desenvolvimento da produção leiteira na região. Este dado, Guimarães diz, foi o grande ganho do evento todo.

Comentários

Comentários