Crea tem dificuldades para apurar blecaute
Crea tem dificuldades para apurar blecaute
Texto: Paulo Toledo
A comissão coordenada pelo vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), Luiz Antonio Moreira Salata, 45 anos, encontrou dificuldades para ouvir técnicos e engenheiros da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), sobre o blecaute do dia 11 de março, que deixou no escuro 11 Estados do País. Inicialmente, nenhum dos convocados compareceria
à audiência da comissão especial, ontem, em Bauru. Porém, após pressão do Crea-SP, a Cesp enviou alguns convocados, que não estavam presentes no dia do incidente.
Ao todo, eram para ser ouvidas sete pessoas, três engenheiros e quatro operadores, que são técnicos com registro no Crea. Porém, somente os engenheiros Antonio Celso Pereira Fábio e Carlos Francisco dos Santos Souza e o encarregado Carlos Roberto Bonfim compareceram perante a comissão. O detalhe é que nenhum deles estava presente na subestação de Bauru no momento do incidente. Chegaram depois. Os que estavam de serviço, como os operadores Antonio Edgar Bressani Júnior, Renato Munhoz e José Adalto da Silva, além do engenheiro Hamilton Spagolla de Lemos, o responsável pela Cesp-Bauru na época, não compareceram. Lemos, inclusive, segundo Salata, teria sido transferido de Bauru.
Quem não compareceu terá que justificar a ausência e marcar nova data para depor na comissão, sob pena de ser punido pelo código de ética da profissão. O vice-presidente da entidade de classe disse que, inicialmente, a alegação era de que todos os sete convocados estavam prestando serviços fora de Bauru e não poderiam comparecer. A posição da empresa se alterou depois da pressão exercida pela entidade. "O Crea não abre mão de suas prerrogativas, da sua legitimidade de levantar todas as questões que foram feitas através do roteiro da instalação da comissão, no dia 29 de abril", afirmou.
Salata disse que encaminhou solicitação à diretoria da Cesp, no sentido de que a empresa forneça todos os relatórios de manutenção corretiva e preventiva e outros documentos que a companhia tem em sua rotina. Além disso, foram pedidos os registros de ocorrências de todas as perturbações meteorológicas ocorridas entre às 21 horas do dia 11 de março até
às 6 horas do dia 12. A diretoria da Cesp prometeu entregar toda a documentação.
A comissão vai avaliar o posicionamento dos técnicos. A próxima reunião será no dia 13 de maio. De acordo com o vice-presidente, o Crea não abre mão de ouvir todos os convocados, para que a análise do problema possa ser profunda. "Nosso posicionamento é irreversível. Temos o dever de informar a sociedade. O Crea não vai ficar omisso, deverá concluir as causas do evento, avaliando sempre o posicionamento dos nossos profissionais", afirmou.
Salata diz que a comissão vai analisar todas as informações com muito rigor, apesar dos interesses existentes, já que muitas empresas do setor energético estão sob nova direção. Porém, o vice-presidente do Crea diz que as contradições dos interlocutores oficiais foram muito grandes, o que levou a constituição da comissão. Para ele, os documentos e relatórios do momento da perturbação, que serão analisados, serão pontos decisivos para avaliar as causas do incidente.
"Foi um acidente de grandes proporções, que só não causou perdas de vidas humanas, em razão da própria solidariedade do povo brasileiro e também pelo horário em que aconteceu, depois das 22 horas. Mas,
é uma preocupação constante", afirmou, destacando que o Crea está caminhando para se tornar um fórum permanente de discussão dos problemas relacionados a engenharia e desenvolvimento do País.
Comprovação
A comissão foi formada para comprovar ou não a versão de que um raio, que teria caído numa subestação da (Cesp), em Bauru, teria sido a causa do blecaute no dia 11 de março. O blecaute deixou sem luz 11 Estados e a versão de que um raio o teria provocado gerou polêmica em todo o País. A comissão tem trinta dias para emitir um parecer, a partir de 29 de abril.
Como houve risco para a sociedade, com o blecaute, e como o Crea tem um programa de proteção da população ele tem que cumprir este objetivo, destaca Salata.