Falta de funcionários sobrecarrega IML
Falta de funcionários sobrecarrega IML
Texto: Adriana Amorim
Apesar de tudo, a direção da instituição afirma que a situação local ainda é privilegiada se comparada a outras unidades do Estado
Recursos escassos e quantidade insuficiente de funcionários. Esta é a realidade do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, que enfrenta dificuldades para prestar atendimento dentro do quadro de limitação orçamentária. Só este ano, o instituto realizou 1.909 exames com um quadro funcional formado por seis médicos legistas e apenas um auxiliar de necrópsia.
A direção da instituição afirma que a situação local é privilegiada em comparação a outras unidades do Estado. No entanto, confirma a sobrecarga no trabalho do auxiliar de necrópsia.
Pelo volume de atendimento, há necessidade de três profissionais. O quadro foi preenchido através do último concurso público, realizado há mais de 10 anos. No entanto, um dos especialistas morreu, outro conseguiu aposentadoria e agora o IML depende de nova seleção para contratar profissionais, o que não tem data prevista.
Para ajudar no atendimento, o auxiliar de necrópsia aposentado continua trabalhando. "Ele está nos ajudando de favor", explica o diretor do instituto, José Bartholomeu Moni Venere. Ele diz que o trabalho vem sendo desenvolvido sem ocasionar problemas porque é feito o remanejamento de funcionários, o que muitas vezes se torna impraticável. "Não dá para colocar mulheres para fazer serviços que cabem exclusivamente aos homens, mas dá para irmos tocando", argumenta.
O IML presta atendimento a 17 cidades da região e chegou a atender 5,3 mil casos no ano passado. Neste ano, a quantidade de exames já foi tão grande que os formulários se esgotaram. Para dar conta de toda essa demanda, o IML trabalha com apenas uma viatura. O carro é de 1990 e já tem 140 mil. quilÃmetros rodados. "O carro está precisando de revisão. Se não conseguirmos o dinheiro aqui, teremos que recorrer a São Paulo", diz.
A falta de recursos inviabiliza também a compra de equipamentos como ar-condicionado, máquina de xerox e bebedor de água para as pessoas que aguardam resultados no local. Até o cafezinho dos funcionários foi cortado, obrigando a própria equipe a comprar o produto.
Venere diz que os serviços não chegam a ser prejudicados devido ao esforço dos próprios funcionários e da existência de estrutura e equipamentos médicos suficientes. "As nossas acomodações são boas e não temos necessidade de tantos equipamentos para fazer esse tipo de trabalho", garante.
O diretor diz que os exames toxicológicos e necroscópicos são todos feitos pelo próprio IML ou por laboratórios ligados aos instituto. Ele explica que os recursos para manutenção são destinados conforme a necessidade, mas os investimentos estão parados.
Desde o ano passado, o IML é vinculado à Superintendência da PolÃcia Técnico CientÃfica, mas o instituto em Bauru continua encaminhando as solicitações à Secretaria de Segurança Pública. Os pedidos de verba para manutenção de carro, fornecimento de combustÃvel, aquisição de materiais, pagamento de mão-de-obra usada em reparos na estrutura fÃsica e outras necessidades são feitas para a Delegacia Regional de PolÃcia. Venere afirma que a PolÃcia Civil tem sido "solÃcita".
"Para nós não importa de onde venha o dinheiro, desde que ele venha", argumenta.