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Ser mãe

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Papel de Mãe

Papel de Mãe

Texto: Gustavo Cândido

Não é preciso ter dado à luz a uma criança para ser mãe. Aliás nem é preciso ser mulher para isso. Calma, não é preciso espanto. Além dos casos de adoção existem outras e mais comuns maneiras de exercer a maternidade sem ser mãe efetivamente.

É simples, basta lembrar as mães naturais que trabalham e após o fim da licença de quatro meses têm que voltar às suas funções e com isso deixar os filhos nas mãos de babás, domésticas, irmãs mais novas ou as próprias mães, avós dos bebês. Quem acaba fazendo o papel de mãe na história? Quando é cuidada com amor e carinho, a criança mesmo na ausência da mãe natural tem um desenvolvimento emocional normal e só tem a ganhar com isso, já que ao invés de uma mãe apenas, fica com duas. Portanto, babás, avós que cuidam de seus netos, irmãs e irmãos mais velhos que cuidam dos caçulas da família, pais que cuidam dos filhos comemorem, hoje também é o seu dia!

Ela mesma já viveu a experiência de criar a própria filha, hoje repete a dedicação, o carinho, o amor, para criar o neto, José Antonio, de 2 anos e oito meses. Djanira Giacon Negrato tem direito a comemorar duas vezes o dia das mães já que sua filha Márcia, mãe de José Antonio, sai para trabalhar todos os dias e deixa o pequeno com a avó, que já se acostumou com o movimento, tão típico das crianças nessa idade, em casa.

"Ela para mim é uma terapia, a maior alegria, é bonzinho e não dá o menor trabalho", revela Djanira.

Não são poucas as avós que como ela cuidam dos netos para que as filhos, filhos, genros e noras possam trabalhar. O raro é encontrar alguma que não goste de estar repetindo a tarefa de ser mãe na prática mais uma vez na vida numa idade mais avançada. "Adoro cuidar das minhas três netas", diz Lourdes Bianchini, que todas as tardes recebe em sua casa a visita da pequenas para que a mãe delas possa trabalhar. "Nos domigos ou nos dias que elas não vêm eu sinto muita falta", revela.

A ligação entra a mãe e a criança inicia-se mesmo antes do seu nascimento, explica a psicóloga Prof. Dra. Marilene Krom. Estudos recentes mostram que a criança reage a sons e a voz materna e consegue sentir a intensidade dos seus sentimentos em relação a ela. Quando há uma separação entre a mãe e o filho, ainda muito cedo, a criança sente a falta da segurança que sentia ao lado dela e sofre com isso. Se a criança for ser cuidada por outra pessoa, o seu vínculo afetivo vai ser fortalecido à medida em que ela se sentir acolhida, protegida e respeitada em suas necessidades, como era com a sua mãe, por quem tinha uma relação de troca de afeto mútua. "As pessoas sobrevivem às separações e sobrevivem às perdas mas devemos estar atentos. A pessoa que for fazer o papel de mãe deve ser uma pessoa com características condizentes com a função materna que ela vai ter que exercer e é muito melhor que seja uma pessoa próxima do que um estranho ", diz a psicóloga.

Uma criança privada de cuidados maternos tem o seu desenvolvimento quase sempre retardado, física, intelectual e socialmente, com sintomas de doenças podendo aparecer no futuro. Portanto uma figura significativa, importante e positiva é vital para o desenvolvimento saudável de uma criança e possibilita bases seguras para a formação da sua personalidade. Uma figura materna é quase insubstituível para a criança nos primeiros anos de vida.

Mãe postiça

Se não há como a mãe cuidar pessoalmente do filho durante os dois primeiros anos, para "apresentá-lo ao mundo", é imprescindível que a criança fique sob os cuidados de alguém que ama tanto quanto a sua mãe e nesse aspecto, pessoas da família parecem ser sempre as mais indicadas, já que o contato entre elas e a criança existe desde o seu nascimento.

Com Cristina Bastos Pimentel foi assim, ela cuida dos filhos da irmã Andreia, desde que eles nasceram. Mateus, o mais velho, com 3 anos, já chegou a chamá-la de mãe, tamanha proximidade entre eles. "Estou muito acostumada a cuidar deles (o mais novo tem dois meses e se chama Pedro), sinto falta quando não estão aqui", diz Cristina.

Mas nem sempre é uma mulher quem acaba fazendo o papel de mãe para a criança. Segundo Marilene Krom, o pai na família também exerce uma postura materna quando cuida da esposa que cuida de um filho recém-nascido e pode cuidar do filho muito bem porque está naturalmente tão próximo do filho quanto a mãe. É o caso de Amauri Donega que ajuda a esposa Angélica a cuidar dos três filhos, Rodolfo, Marcela e Samir, de cinco, quatro e dez meses, respectivamente. "Hoje a gente precisa dar uma força, senão ela sozinha não agÃenta", ele diz.

O pai no papel de mãe, "pãe", como dizem alguns, é uma figura cada vez mais comum hoje em dia, quando as mulheres estão avançando em todas as áreas no mercado de trabalho, fazendo o que antes era considerada uma função masculina. É quase uma inversão de papéis, mãe que trabalha, pai que cuida dos filhos.

"Um completa o outro, como deve ser na família", diz Marilene Krom.

Mãe

Mãe... que faz vingar

Um ser que pÃr si só morreria.

Sempre pronta para amar,

Sem você o que de nós seria?

Mãe... que ajoelha diante da vida

E abraça com carinho a noite mal dormida,

Que embala, usando a força da mente,

No seio o filho doente.

Mãe... que possui o toque mágico.

Mãos que parecem curar.

Todo momento, mesmo que trágico,

Se transforma com seu lânguido olhar.

Mãe... que vê mudado em tormento,

O sonho vivido e imaginado.

Que luta a todo momento,

Para ver seu filho criado.

Mãe... que sente a dor correr no peito,

Ao ver atirado em seu rosto, o egoísmo do filho desgarrado, desfeito...

Perdoa, compreende e responde com altruísmo!

Mãe... que assim sofre e padece,

Supera suas deficiências e enobrece.

Mostra do mundo a realidade,

Esquece de lembrar sua própria vaidade.

Mãe... que na miséria não come,

Que consegue vencer a própria fome,

Mas alimenta sua criança,

Deixando nunca morrer a esperança.

Mãe... do rico ou do pobre,

Não importa a procedência.

Será sua missão sempre nobre,

Com certeza, cumprida com eficiência.

Mãe... esteio da sociedade

Que com carinho, meiguice e bondade

Mostra na sua fé, a imensa Luz

E faz seu filho viver, novamente, Jesus!

Mãe... que pÃr mais que se tente em versos cantar

A importância que tua presença nos traz,

Jamais conseguiremos retratar toda a beleza que existe neste teu mundo de Paz! A C Marsíglia

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