Abertura do comércio sábado à tarde gera polêmica
Abertura do comércio sábado à tarde gera polêmica
Texto: Luciano Augusto
Novamente a questão da legitimidade da abertura ou não do comércio aos sábados à tarde causa polêmica. O vereador Paulo Agustinho (PTB) decidiu direcionar suas forças no sentido de elaborar um novo projeto, pelo qual tentará fazer com que as lojas abram somente uma vez por mês aos sábados subseqÃentes ao pagamento dos salários.
O artigo 4.º da lei municipal estabelece que a abertura do comércio aos sábados depende de convenção coletiva entre o sindicato representante do comércio e o sindicato dos trabalhadores no comércio.
A proposta do vereador, de abertura de um sábado por mês ou, "no máximo, dois por mês", caiu como uma bomba sobre os representantes patronais do comércio.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Orlando Burgo, 67 anos, afirmou de forma incisiva que o "vereador será o responsável pelo aumento do desemprego na cidade, por querer simplesmente acabar com o comércio na
área central". Burgo disse ainda que se o comércio fechar às portas aos sábados, as lojas perderão, em vendas, pelo menos 40%.
Para ele, o vereador está se esquecendo de que Bauru, uma cidade com mais de 300 mil habitantes, precisa de liberdade total no horário de funcionamento do comércio, para oferecer mais emprego e mais dividendos para os cofres públicos.
Agustinho alega que os trabalhadores no comércio estão insatisfeitos com a abertura do comércio em todos os sábados
à tarde e que sofreram pressão, por parte dos patrões, para aceitarem esta situação. Segundo o vereador petebista, na prática, "os empregados são induzidos a fazer o acordo que o patrão quer" e deixam de lado o lazer e o convÃvio familiar.
Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista
(SinComércio) Walace Garroux Sampaio, 49 anos, disse que, pelos contatos que o SinComércio mantém com o sindicato que representa os empregados e que possibilitam a abertura, não existe descontentamento e nem reclamação nenhuma por parte dos trabalhadores.
Sampaio comenta que "não sabe qual o interesse do vereador neste assunto", mas simboliza uma absoluta falta de respeito do vereador com o consumidor de Bauru, porque o que fica visÃvel "é que em momento algum ele (vereador) consultou a população". O representante do SinComércio complementou dizendo que a polêmica em torno deste assunto é absurda e que muitas pessoas podem estar se aproveitando dela para realizar projetos polÃticos.