Empresas de RH acusam alta na procura por emprego
Empresas de RH acusam alta na procura por emprego
Texto: Luciano Augusto
As empresas que trabalham com seleção de mão-de-obra em Bauru, vêm verificando, principalmente nos últimos meses, um aumento na procura pelas vagas oferecidas. Em contrapartida, a oferta de novos postos está cada vez mais escassa.
A especialista em recursos humanos (RH) da agência Gênesis, que trabalha essencialmente com recrutamento, treinamento e seleção de mão-de-obra para empresas, Regina Maura Pereira Torres, 44 anos, disse que o principal problema com relação
à mão-de-obra disponível é a carência de qualificação profissional e especialização. Grande parte das pessoas que concorrem a uma determinada vaga, não preenchem os requisitos exigidos pela empresa.
Entretanto, aponta Torres, até mesmo os trabalhadores que possuem uma especialização, estão encontrando dificuldades para arrumarem um novo emprego.
O setor que, segundo ela, mais tem captado mão-de-obra, ultimamente, é o setor calçadista e está difícil arrumar profissionais para funções específicas. "Este setor se deu bem com a alta do dólar e está exportando bastante", completa.
Quem também confirma o momento ruim é Sueli Pereira da Silva Ramos, 25 anos, auxiliar de seleção da Meridional RH. "Teve uma queda enorme em todos os ramos de atividade", atesta a auxiliar.
Silva diz que há cerca de dois anos, o número de vagas na área de produção industrial era bastante grande. A partir do segundo semestre de 98, esse número diminuiu bastante. Para ela, o entrave que está impedindo o empresário de contratar é político. "O Governo está impossibilitando o empresário de dar chance para o trabalhador assalariado". Na agência que trabalha, o número de pessoas que procuram por uma determinada vaga "aumenta a cada dia".
De cada dez pessoas que procuram por uma recolocação no mercado de trabalho na Meridional, duas ou três estão realmente qualificadas para a função. Os outros oito candidatos são descartados. Sem emprego, as possibilidades de investir na qualificação profissional ficam prejudicadas.
Para Gabriela Afonso Casério, 27 anos, psicóloga da agência RH, o momento ruim pelo qual passa o País e que, conseqüentemente, afeta os níveis de emprego, já se arrasta desde o ano passado.
Entretanto, ela está um pouco mais otimista para o segundo semestre. Com a retomada da produção e a evolução das vendas, "acredito que deva dar um reflexo para o segundo semestre, porque a produção aumentando, equilibra as vendas, e a área administrativa vai ser beneficiada", complementa a psicóloga.