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Auto-cura

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

Sucesso e duração da terapia dependem da disciplina e dedicaçãodo paciente

Sucesso e duração da terapia dependem da disciplina e dedicação do paciente

Texto: Sabrina Magalhães

Além de tratar patologias, as técnicas de auto-cura podem ser usadas diariamente para manter o equilíbrio do corpo e prevenir doenças

O próprio nome já indica: auto-cura, ou seja, a cura promovida pelo próprio doente. A proposta do Self-healing

é desenvolver técnicas que envolvem exercícios físicos e respiratórios, massagens e visualizações, no sentido de equilibrar o organismo. Para isso, é preciso que o indivíduo dedique certo tempo do seu dia para si próprio. Esta é a maior dificuldade na adoção do método, segundo Meir Schneider: "A gente não dedica muito tempo ao corpo e porque o Self-healing requer tempo e atenção, as pessoas desanimam. Se você disser que elas precisam apenas de dez minutos por dia para obter resultados, acho que mais gente faria".

No entanto, ele afirma que para uma pessoa saudável ou com disfunções simples e que tem vontade de se trabalhar, seria suficiente focalizar em si mesmo 45 minutos por dia. Mas uma pessoa com uma doença de degeneração progressiva precisaria de horas de atividades regulares por dia. Neste sentido, a duração do tratamento está intimamente ligada ao empenho do paciente.

Questionada a respeito dos custos do tratamento, a professora Jussara Pinto, da Universidade Federal de São Carlos, explicou que o paciente não precisa de dinheiro para praticar o Self-healing, mas tempo. "Então, torna-se caro porque o paciente tem que se dedicar. Se a pessoa tem uma atividade profissional com horário flexível, ela terá certa disponibilidade. Até porque, o método não exige que a pessoa esteja numa cama, num local especial. São exercícios dinâmicos, de movimento, que podem ser feitos em diferentes locais.

Agora, se a pessoa tem horário fixo, ou a dona de casa, que tem horário para servir as refeições, horário para levar os filhos à escola ou horário para a limpeza da casa, a dedicação aos exercícios fica mais difícil. A professora lembrou que o terapeuta apenas pode orientá-lo sobre alguns exercícios e sobre a filosofia do método. Sobre como começar. Depois, a terapia deve desenvolver-se conforme a intuição do indivíduo sobre os sinais de seu corpo.

Movimento

Durante uma palestra, Schneider contou um episódio em que estava vigiando sua filha, ainda bebê, que acabara de ser amamentada e notou que, apesar de não estar com fome, estava inquieta. Mexia a cabeça para os lados, as mãos, as pernas, sem qualquer finalidade, simplesmente pelo movimento. Depois de uma hora mexendo e relaxando repetidas vezes, dormiu. Naquele dia, Schneider percebeu que o corpo humano foi feito para ficar em constante movimento e este é o comportamento saudável.

Ele comentou que, conforme vai crescendo, o indivíduo aprende a não se mexer tanto, as brincadeiras vão sendo cortadas, até que ele se torna um profissional, que passa horas sentado diante de um computador. Pelo método de Self-healing, ao ficar muito tempo sentado, na mesma posição, a pessoa está usando excessivamente os músculos maiores dos ombros, pescoço, coluna, braços. Depois de algum tempo tensionando estes tecidos, as dores vão aparecer.

"Muita gente acredita que precisa deitar e descansar por um longo período. Mas isso os torna artríticos e com má circulação. Várias pessoas acreditam que precisam pegar peso, forçar o corpo, enrijecer músculos. Eu defendo que temos que trabalhar o corpo com suavidade." Segundo ele, a melhor maneira de diminuir a tensão

é fazer movimentos que relaxem, que recoloquem os músculos enrijecidos na ativa. Movimentos adequados.

Citando um exemplo curioso, Schneider comentou que pessoas que sentem dores nas costas e no pescoço deveriam exercitar os dedos dos pés: "O que sustenta o pescoço são os ombros. O tronco sustenta os ombros. O quadril sustenta o tronco. As pernas sustentam o quadril. Os pés sustentam tudo isso. Se você joga tudo isso só no calcanhar, você força o tornozelo e desequilibra toda a estrutura.

É preciso fortalecer os dedos dos pés para que o peso da estrutura corporal toda se divida, não sobrecarregando as pernas, com conseqÃente reflexo de dor no pescoço."

Respiração

Ainda tendo como exemplo o comportamento dos bebês, Schneider falou da maneira ideal de se respirar: lenta e profundamente, deixando o abdÃmen se expandir e contrair. "Feche os olhos, inspire e expire pelo nariz. Sinta o ar entrando e enchendo seu abdÃmen, que vai expandir, deixe-o se expandir. Sinta-o contrair quando você solta o ar. Depois, sinta o ar abrindo suas costelas, sinta-o enchendo os pulmões. Então, visualize o ar chegando no cérebro, sinta sua cabeça se expandindo." É consenso que o oxigênio é um dos combustíveis fundamentais ao bom funcionamento do organismo e deve chegar a todos os órgãos e tecidos.

Massagem

Para o Self-healing, a massagem tem a função de ajudar o indivíduo e perceber seus músculos. Massageando os pés, por exemplo, fica mais fácil perceber se há tensão excessiva em algum ponto, fica mais fácil sentir a musculatura de cada dedo, de cada região do pé. Massageando a panturrilha, é possível estimular nela uma função diferente da de sustentação do corpo. Massageando a testa, como se estivesse descolando a pele dos ossos, é possível relaxar os olhos, por exemplo, de quem passa horas "vidrado" no monitor do computador.

Segundo Schneider, as massagens devem ser suaves. Podem ser feitas por alguém ou pelo próprio paciente. O importante

é concentrar-se na região que está sendo tocada, nas sensações, nas reações involuntárias, de forma a conseguir o relaxamento do tecido cansado.

Visualização

A visualização é uma técnica oriental bastante difundida. Trata-se de imaginar seu corpo executando determinada função. No caso, por exemplo, dos portadores de distrofia muscular, doença em que os músculos vão se degenerando mais rapidamente que a capacidade do organismo de repÃ-los.

Supondo uma pessoa que tenha dificuldade em movimentar as pernas. Ela pode observar o movimento de outra pessoa, percebendo quais os músculos que trabalham, como é esse trabalho, qual é o esforço. Então, visualize (imagine-se) fazendo o mesmo movimento, cada grupo de músculos imitando o trabalho daquela pessoa. Desta forma, o cérebro assimila o "como fazer" e, quando o paciente tenta fazer, o corpo já está preparado e o movimento "acontece" com mais facilidade.

Empenho

Schneider lembra, no entanto, que cada uma destas técnicas deve ser feita lentamente, com bastante concentração e repetidas vezes. Também não adianta fazer qualquer delas uma vez por mês. É preciso empenho e disciplina. Com o tempo, a pessoa passa fazer tudo isso automaticamente, de forma que um leve e natural movimento com os ombros a cada dois ou três minutos vai evitar definitivamente as dores pelo excesso de trabalho.

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