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Assassinato

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Crime passional choca Lençóis Paulista

Crime passional choca Lençóis Paulista

Depois de matar a estudante a tiros e facadas no sábado

à tarde, o acusado viajou para Chavantes e tentou o suicídio

Lençóis Paulista - O assassinato da estudante Rosemeire Garcia Braga, 18 anos, abalou Lençóis Paulista no último final de semana. Ela foi morta no sábado com onze tiros à queima-roupa e quatro facadas, mas o crime só foi descoberto no domingo. O acusado, que inclusive tentou o suicídio no domingo de manhã, é o marmorista Marcelo de Oliveira, 24 anos, que de acordo com vários depoimentos colhidos pela polícia, era apaixonado pela vítima e não se conformava por não ser correspondido.

O crime segundo o delegado titular de Lençóis Paulista, Luís Cláudio Massa, ocorreu no sábado à tarde na casa do acusado, na rua Paulo Ronaes número 36, no Cecap. A polícia ainda não sabia até ontem

à tarde de quais os meios o acusado se utilizou para atrair a vítima até sua casa. Sabe, entretanto, através de familiares e amigos que ele era apaixonado por Rosemeire e que eles não eram namorados. Já haviam trabalhado juntos na marmoraria, emprego que ela havia deixado há cerca de dois meses.

As informações colhidas pela polícia dão conta que o rapaz teria se aproveitado do momento em que estava sozinho na casa, já que seus pais haviam viajado para Avaré e os irmãos também não estavam em casa. Após atrair a vítima para a casa, o acusado levou-a para o seu quarto onde efetuou os onze tiros à queima-roupa que atingiram várias partes do corpo de Rosemeire e também quatro facadas, sendo uma no pescoço. O corpo foi colocado sob a cama e as portas, do quarto e da casa trancadas. As chaves teriam sido deixadas com um vizinho. Um dos vizinhos teria visto Oliveira deixando a casa levado uma pequena mala de mão. As armas utilizadas no crime não haviam sido localizadas até ontem à tarde.

Outro fato que a polícia já constatou através de laudo pericial é que a vítima não sofreu violência sexual antes de ser morta.

A polícia apurou também que durante a noite, Oliveira telefonou para sua casa e queria falar com uma determina irmã, mas como ela não se encontrava acabou não dizendo nada para uma outra irmã que atendeu ao telefonema.

Na noite do sábado duas irmãs teriam pernoitado na casa, mas segundo o delegado, ninguém percebeu nada de anormal, já que o quarto do irmão estava trancado e, portanto, elas não entraram já que sabiam, através de vizinhos, que ele havia saído.

Avisou por telefone

Mas no domingo de manhã Oliveira voltou a telefonar e falou para uma das irmã o que havia matado Rosemeire e o corpo estava em seu quarto. Ligou também para o patrão e contou o caso. Durante os telefonemas Oliveira teria ainda dado a entender que pretendia se suicidar. A Polícia Militar foi então acionada e se dirigiu para o local. A porta foi aberta e policiais e familiares do acusado e da vítima constataram a tragédia.

Suicídio

Um pouco mais tarde, por volta do meio-dia, já na Delegacia de Polícia, o delegado de Lençóis Paulista recebeu a comunicação que Oliveira havia tentado o suicídio na cidade de Chavantes, cidade onde nasce. Segundo a polícia de Chavantes, crianças que brincavam no Bosque Municipal acharam muito estranho o fato do rapaz estar sentado sobre uma árvore com uma corda na mão e acionaram a Polícia Militar. Quando os dois policiais se aproximavam do local, Oliveira pulou da árvore com a corda no pescoço, mas não chegou a morrer porque os policiais o retiraram e o levaram para a Santa Casa da cidade, onde entrou em coma. No mesmo dia foi transferido para a Santa Casa de Ourinhos

(cidade a 22 km de Chavantes). O boletim de ocorrência divulgado ontem à tarde informava que Oliveira já havia saído do coma, e o seu estado de saúde era grave e estável.

Bilhete

Antes de tentar o suicídio Oliveira deixou um bilhete que foi escrito numa conta de energia elétrica. Escreveu se desculpando pelo ato e lamentando o fato de não ser correspondido. Escreveu também uma pequena mensagem num dos braços, grafando inclusive a hora que tentava acabar com a própria vida: 11 horas. Ainda nas mensagens que escreveu, ele afirmava que havia nascido em Chavantes e queria morrer naquela cidade.

Prisão

Ontem mesmo o delegado Luís Cláudio Massa, de Lençóis Paulista pediu a prisão temporária de Oliveira por trinta dias, tempo em que transcorrerá o inquérito. Na sequência, o delegado disse que poderá pedir a prisão preventiva do acusado. Massa informou também que assim que o quadro de saúde de Oliveira se estabilizar, ele deverá ser transferido para o hospital de Lençóis Paulista, onde a Justiça estará definindo a questão.

Uma outra questão que a polícia tentar esclarecer ainda é a procedência da arma, calibre 22, que ainda não foi encontrada. O delegado quer saber se foi comprada, emprestada ou alugada. Caso o fornecedor da arma tivesse conhecimento sobre o que Oliveira pretendia fazer com ela, poderá ser autuado por co-autoria, explica o delegado.

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