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Fábio Grellet
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Protesto de canavieiros em Jaú reuniu 8 mil

Protesto de canavieiros em Jaú reuniu 8 mil

Texto: Fábio Grellet

Trabalhadores rurais, sindicalistas, empresários e políticos participaram de ato para reivindicar do governo a adoção de uma política de incentivos ao setor

Jaú - Milhares de trabalhadores rurais empregados de usinas da região, além de sindicalistas, empresários do setor sucro-alcooeiro, prefeitos e vereadores de diversas cidades se reuniram ontem, pela manhã, no kartódromo de Jaú, para reivindicar do governo a implementação de uma política de apoio à produção de cana-de-açúcar.

Segundo os organizadores do movimento, cerca de oito mil pessoas estavam presentes ao ato. Trabalhadores de usinas de Bariri, Barra Bonita, Bocaina, Brotas, Dois Córregos, Jaú, Lençóis Paulista, Macatuba e São Manuel foram dispensados do serviço e conduzidos, pelos próprios veículos que os transportam

à zona rural, até o local da concentração, em Jaú. Centenas de Ãnibus, portanto, se dirigiram

à cidade, causando a lentidão do tráfego nas rodovias de acesso. Mesmo após as 10 horas, horário marcado para que o ato se iniciasse, caminhões e Ãnibus ainda chegavam, trazendo gente dos mais diversos lugares. Apesar da intensidade do tráfego, não foi registrado qualquer acidente, decorrente do deslocamento dos veículos, nas estradas de acesso à Jaú.

O protesto teve início, efetivamente, às 11 horas. O primeiro a discursar foi o presidente da Câmara de Jaú. Em seguida, também falaram o prefeito de Jaú, Paulo Sérgio Almeida Leite, e outros políticos de diversas cidades e representantes de sindicatos ligados à produção de cana na região. Todos destacaram a importância do cultivo desse produto para a economia regional e alertaram sobre a necessidade de que o governo crie formas de incentivar o uso do álcool, por exemplo, como combustível, para evitar que a crise nas usinas se alastre e cause um desemprego em massa entre os cortadores de cana.

O discurso mais emocionado foi de Paulo Brandão, presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), uma das entidades que organizaram o movimento na cidade. Ele destacou que o cultivo da cana gera lucros e sustenta muitas famílias, e não é justo que a falta de iniciativa do governo para apoiar os trabalhadores dessa área cause uma crise irreversível. Brandão também fez uma comparação com as mobilizações realizadas pelos metalúrgicos na região do ABC paulista, afirmando que, diante da proporção que a mobilização de ontem atingiu, é impossível que o governo não passe a se preocupar mais intensamente com a crise do setor sucro-alcooeiro.

Durante os discursos, foram apresentados dados que indicam a crise do segmento: o preço da cana caiu aproximadamente 48% desde janeiro de 1998, cerca de 30 mil trabalhadores rurais, que atuavam no corte de cana, já estão desempregados em todo o Estado de São Paulo e há um estoque, restante da safra anterior, de aproximadamente 2 bilhões de litros de álcool.

Na região de Jaú, predomina um tipo de terra chamada roxa, ideal para o cultivo da cana, que ocupa a grande maioria do espaço agrícola na área. Estatísticas indicam que 65% da economia de Jaú gira em torno do cultivo do produto. Em Barra Bonita, esse percentual atinge 80%, e em Bocaina, 90%. Isso justifica a enorme preocupação com a falta de incentivos à produção de cana.

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