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Editorial

B. Requena
| Tempo de leitura: 2 min

Uma tendência perigosa

Uma tendência perigosa

B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

A Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

- ouviu, na cidade do Rio de Janeiro, 1.220 pessoas de 15 a 20 anos. A pesquisa, denominada "Fala Galera", constatou dados conclusivos chocantes entre essa faixa jovem da população carioca.

Do resultado da enquete, primeiro considerando as pessoas de baixa renda, 21% alegaram acreditar que a ditadura ainda é o melhor regime de governo. Já 36,6% não souberam argumentar e 6,9% são indiferentes sobre que sistema deve conduzir os destinos da Nação. "Tanto faz, nada de significativo muda se quem está mandando o faz em nome da democracia ou da ditadura", eis a opinião de um deles. Só 35,5% saíram em defesa do regime democrático.

Os números mais assustadores, contudo, apareceram na pesquisa quando foram computados os dados referentes aos jovens situados nas faixas econÃmicas mais privilegiadas. Constatou-se que do universo consultado, 53% optam pela ditadura em detrimento da democracia.

Parece inacreditável que a História, os meios de comunicação cada vez mais aperfeiçoados e com informações mais acessíveis até as camadas mais humildes do povo não sejam suficientes para a formação de ideais políticos mais nobres na consciência dos mais novos. Aliás, esta tese fica totalmente descartada porque, como vimos, são os mais abastados - com boas escolas, jornais, revistas, TV a cabo, Internet, etc - que abominam o sistema político originário na Grécia. Há que se considerar também, que computados os mortos, os presos e os torturados, os moços são em grande proporção as maiores vítimas dos regimes de exceção.

Entretanto, mesmo indignados, parece que não temos tanta dificuldade para determinar as causas dessa lamentável sintomática. Como abusam da democracia! Os acontecimentos no Congresso, trapalhadas legislativas, derrapadas do Judiciário e as ligações perigosas do Executivo, em sã consciência, podem incentivar o quê na formação, na cultura política dos nossos jovens? Isto sem contar os dissabores da política econÃmica, o desemprego batendo seus próprios recordes. Fica difícil justificar para os mais novos que isto que nós estamos vendo e vivendo seja o melhor sistema de governo já praticado, embora, como Galileu Galilei, tenhamos que arguir: "E pur si muove". (B. Requena)

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