Junho deverá ser mês de testes para economia
Junho deverá ser mês de testes para economia
Texto: Luciano Augusto
A expectativa é quando às consequências que os acontecimentos no cenário nacional e internacinoal trarão
Maio, para a economia, foi um mês de pressões internacionais, de descobertas como o grampo telefÃnico que gravou o presidente Fernando Henrique Cardoso, e, conseqÃentemente, de preocupações. Para este mês, segundo os economistas, o cenário
é de testes econÃmicos e de expectativa.
Todos os percalços e solavancos econÃmicos de maio provocaram um certo nervosismo no mercado interno, que acabou interferindo na reorganização da economia brasileira do pós-crise. Segundo o economista e professor universitário Reinaldo César Cafeo, 38 anos, os problemas deixaram o mercado nervoso e houve interferência no ajuste fiscal do Governo, confirmado com as liminares judiciais conseguidas por empresas e pessoas fÃsicas contra a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outros impostos, justificada, entre outras coisas, por inconstitucionalidade.
Para Cafeo, tem que haver um "mÃnimo de ajuste para dar sustentação em cima daquilo que foi planejado com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", as metas de crescimento econÃmico traçadas junto ao organismo internacional.
A crise argentina provocada pela desvalorização do peso em relação ao dólar refletiu também no Brasil e, de certa maneira, obrigou o Governo brasileiro a controlar mais de perto sua polÃtica cambial, diz o economista. Por outro lado, argumenta Cafeo, "o Brasil goza de um certo respeito externo", tendo a confiança das economias mais fortes. O Brasil tem, por exemplo, três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina e Arminio Fraga, presidente do Banco Central, está em evidência nos paÃses desenvolvidos, chegando a ser comparado com o presidente do Fed, o banco central americano.
"Acredito que o perÃodo em que aconteceu a crise na Rússia e no sudeste asiático, em que, a partir de um movimento de fuga de capital em um paÃs, todos os paÃses emergentes sofreram, não tem ambiente para acontecer novamente por causa da Argentina", acalma o analista econÃmico.
Cafeo lembra ainda que o forte consumismo observado no mercado americano pode ter conseqÃências no Brasil. De acordo com ele, este consumo excessivo, pode pressionar preços e elevar os Ãndices de inflação naquele paÃs. Uma das formas de se combater o problema é elevar as taxas de juros, afetando o desempenho empresarial americano e estimulando a migração de capital para fundos de renda fixa. Num efeito dominó, o desempenho econÃmico brasileiro também sai prejudicado, principalmente, em relação
à polÃtica cambial.
Outro que mostrou preocupação com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, foi o também economista e professor universitário Herman Vos, 59 anos. Ele destacou que a elevação das taxas de juros torna as aplicações financeiras internacionais mais atraentes e provoca a fuga de capital do Brasil.
De acordo com ele, a crise argentina afeta não só o Brasil, mas todo o Mercosul. Com a desvalorização do peso argentino, os produtos portenhos ficam mais caros, assim como os nacionais se encareceram com a desvalorização do real. "Isso prejudicou o funcionamento do Mercosul", diz Vos. Como saldo deste funcionamento inadequado sobra a desconfiança da comunidade internacional. Segundo ele, "o Mercosul está mais problemático e menos suscetÃvel à ajuda internacional".
As soluções, para ele, passam, mesmo com tempo ruim, pelas reformas polÃticas e econÃmicas. Para ele, só com as medidas corretas será possÃvel crescer economicamente e reconquistar a confiança internacional. Para o brasileiro comum, que é quem sente na pele os problemas de uma crise econÃmica, o momento é de "não se endividar", aconselha.