Geral

Combate as drogas

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 6 min

Jaú organiza Semana Antidrogas

Jaú organiza Semana Antidrogas

Texto: Fábio Grellet

Presidente do Conselho de Entorpecentes prepara atividades e expõe orientações para que pais e professores reduzam a atração entre os jovens e o vício das drogas

Jaú - Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Jaú, Benedito Antonio Valencise, que também preside o Conselho Municipal de Entorpecentes da cidade, a prevenção contra as drogas deve começar cedo: ele alerta que é necessário educar as pessoas ainda enquanto bebês, desde seus primeiros dias de vida, para evitar que eles venham a se tornar consumidores de drogas. Para isso, alertas realizados através de campanhas preventivas são importantes, porque promovem a reflexão sobre o tema. Por isso, Jaú já está preparando a campanha que vai realizar durante a Semana Jauense Antidrogas, promovida entre os dias 20 a 26 de junho.

Uma lei federal instituiu o dia 26 de junho como data nacional de combate às drogas, mas a entidade jauense não vai se limitar a um dia, promovendo atividades de alerta e esclarecimento durante toda a semana.

O Conselho foi criado, em Jaú, há aproximadamente um ano e, desde então, é presidido por Valencise, a quem foi atribuído um mandato de dois anos. O delegado explica que o Dia Nacional Antidrogas foi instituído no ano passado mas, à época, o Conselho ainda estava em fase de implantação em Jaú, o que impediu a promoção de uma campanha de alerta. Neste ano, porém, houve esmero dos organizadores, e a expectativa deles é de que a campanha se torne um sucesso. Já há previsão de distribuir 10 mil panfletos com informações sobre o combate ao consumo de drogas, além de diversas palestras agendadas em várias escolas da cidade. Se é bom para os organizadores, o sucesso da campanha é melhor ainda para o público em geral, porque a conscientização sobre os perigos que a droga proporciona deve fazer com que os jovens reflitam e evitem seu consumo.

Valencise alerta que os dados estatísticos demonstram um aumento contínuo do consumo de drogas, apesar do combate incessante promovido por diversos órgãos - em especial, a própria Dise. Caso não houvesse a intensificação do combate, diz ele, o consumo seria muito maior, razão porque Valencise é contrário à proposta de liberação das drogas. Segundo o delegado, já basta a legalidade das bebidas alcoólicas, cujo consumo

é incentivado pelas belas peças publicitárias veiculadas na tevê e, muitas vezes, pelos próprios familiares da criança, quando a incentivam a beber ou, mesmo, dão maus exemplos, bebendo exageradamente durante reuniões familiares.

Valencise explica que a personalidade das pessoas começa a ser determinada através das primeiras experiências de vida a que ela se submete. Muitas vezes, essas experiências determinam, também, alguns dos problemas que a pessoa vai enfrentar durante a vida. Por exemplo, quando a família atende todos os desejos do bebê, ele se habitua com a satisfação plena de sua vontade e tende a se revoltar muito mais que outro, o qual já tenha enfrentado privações, quando não tem um de seus desejos atendidos. Os tempos modernos, aliás, favorecem o surgimento desses problemas: habitualmente, hoje - ao contrário de há décadas atrás

-, tanto o pai como a mãe trabalham e, durante muitas horas por dia, os filhos são entregues aos cuidados de alguém que, por mais carinho que tenha pela criança, não substitui os progenitores. Por isso, nas horas em que ainda é possível o contato com seus filhos, os pais normalmente querem compensar a ausência de outrora, atendendo todos os seus pedidos. Mas isso traz problemas depois, quando a pessoa se deparar com algum desejo que não pode realizar. Por isso, é recomendável que os pais limitem o atendimento da vontade dos filhos, desde cedo, e lhes exponham as responsabilidades que cabem a eles, como aquelas de conservar os objetos de que dispõem e de realizar as tarefas a eles atribuídas.

No decorrer da vida, porém, a influência da família passa a ser dividida (desproporcionalmente, aliás) com outros grupos, dos quais os professores e os amigos são os principais. Quando as crianças iniciam os estudos, a influência que recebem dos professores é maior que aquela recebida dos amigos. O tempo, porém, inverte essa equivalência, fazendo a influência dos amigos superar a dos professores.

A influência dos professores tende a ser positiva para as crianças, mas será que eles conseguem corrigir comportamentos errados adquiridos em casa? Valencise acredita que é bastante difícil, mas vale a pena tentar, através da imposição de normas de conduta e da discussão sobre a responsabilidade dos alunos, para expor a eles que respeitar as normas e as pessoas, mais que uma imposição, é uma forma de fazê-los ter menos problemas e, portanto, viver mais feliz.

A escola, embora tenha surgido como uma forma de trazer benefícios aos frequentadores, também se tornou uma fonte de perigos, dos quais o tráfico de drogas é um dos maiores. Muitas vezes, professores e funcionários observam comportamentos suspeitos dos alunos. Se estes, porém, nunca foram flagrados usando ou portando drogas, não cabe àqueles imputá-los a acusação O ideal, conforme o delegado, é que os professores ou funcionários busquem saber, através dos pais de alunos, se seus filhos também apresentam algum comportamento suspeito em casa. Expor a questão aos pais

é bastante delicado e deve ser feito com muita cautela, para que não se confunda com um ato discriminatório.

Mas se o aluno é flagrado portando ou usando entorpecentes, Valencise orienta professores e funcionários a chamar os pais e expor o caso a eles, mesmo se o aluno pede que a família não seja avisada, sob promessa de nunca mais ter contato com tóxicos. Caso o responsável atenda esse pedido, estará sinalizando ao aluno que o combate às drogas não é incisivo naquele estabelecimento, tornando mais atraente a prática de novas condutas reprováveis.

Com o passar dos anos, porém, a influência dos professores

é superada pela dos amigos. E, quanto a estes, como os pais devem agir? Ao perceber que a conduta dos amigos não

é um exemplo recomendável para seus filhos, cabe aos pais exigir deles que cortem relações de amizade com aquelas pessoas? Valencise destaca que não, e fundamenta: a partir da adolescência, os amigos se tornam muito mais importantes para os jovens que suas próprias famílias. Assim, se os pais não admitem a manutenção de uma convivência pacífica com os amigos, os filhos preferem se aliar aos amigos, e a influência dos pais é refutada cada vez mais.

Por isso, resta aos pais dialogar e expor os argumentos que fundamentam seu conselho. Se os filhos estiverem conscientes sobre as razões dos pais, tendem a aceitar seus conselhos. O que não quer dizer que jamais será necessária uma atitude mais enérgica...

Essas são algumas das orientações que Valencise, enquanto presidente do Conselho Municipal de Entorpecentes de Jaú, tenta expor através das atividades desenvolvidas pela entidade. Entre os próximos dias 20 e 26, através de campanha específica, essas orientações serão intensificadas, com o objetivo de reduzir a atração das pessoas pelas drogas, tendo os jovens como principal público-alvo. Afinal, como Valencise compara, "nossos filhos são como flechas, por cujo lançamento somos responsáveis, mas que não conseguimos controlar depois. E uma educação adequada corresponde ao lançamento preciso, que reduz a possibilidade de errar o alvo, ou criar um filho problemático".

Comentários

Comentários