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Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

O laboratório sonoro de Celso Pixinga e Mozart Mello

O laboratório sonoro de Celso Pixinga e Mozart Mello

Texto: Fabiano Alcantara

Dois dos mais virtuosos músicos brasileiros fazem hoje, no Sesc, um show imperdível; Celso Pixinga e Mozart Mello estréiam projeto experimental em Bauru. O show é de graça.

A proposta é criar um laboratório de sons e os alquimistas são o contrabaixista Celso Pixinga e o guitarrista Mozart Mello. Acompanhados do percussionista Renato Martins, a dupla de virtuoses estréia seu novo projeto, hoje, no Sesc Bauru

(grátis).

"Não vou dizer que é uma coisa nova porque

é muita pretensão. Mas, estamos em busca de uma linguagem própria. Formamos um trio sem bateria para tocar baixinho, com o Renato, que tocou muito com indianos na Europa e gosta de usar uns instrumentos diferentes, ficou uma coisa totalmente diferente", afirma Mozart Mello.

De acordo com ele, a intenção do grupo é fugir de qualquer rótulo, de modo que tenham a possibilidade de experimentar.

"Se eu falar que é música brasileira, alguém vai reclamar se eu botar um overdrive na guitarra. Apesar de passarmos por estes estilos, também não é jazz, rock, nem funk. É música experimental", afirma o guitarrista. "No fundo é música brasileira porque nós somos brasileiros. Mas não é nada radical", completa Pixinga.

Educação

Considerados dois dos principais professores de guitarra e contrabaixo do País, os músicos que se apresentam hoje em Bauru afirmam que a música tem um papel importante na formação global das pessoas.

"O artista hoje em dia é primeiro um educador, depois ele vai fazer música. Nós temos filhos é sempre procuramos dar uns toques", diz o guitarrista.

De acordo com ele, dar aula é uma maneira digna de se relacionar com a música.

"O professor educa as pessoas através da música. Para mim é uma opção, não é necessidade", explica.

Eleito pela revista Guitar Player um dos dez melhores guitarristas do Brasil, Mozart acha o título uma bobagem.

"Fiquei lisonjeado, até ajuda profissionalmente, mas como alguém pode dizer que um guitarrista é melhor que o outro?", despista.

Estudioso do instrumento, Mozart limita-se a dizer que houve tentativas na criação de uma maneira de tocar guitarra brasileira e cita dois nomes: Armandinho e Toninho Horta. "Mas para tocar como o Armandinho tem que nascer na Bahia. Em São Paulo, não tem jeito, a gente ouve muito funk, jazz. É mais música do mundo", afirma.

Já apontado pela publicação norte-americana Down Beat como o mais rápido slap (recurso em que o contrabaixista puxa as cordas do instrumento) do planeta, Pixinga também nega o rótulo. "Não tem nada a ver".

Mas a humildade dos dois fica só na conversa, ontem mesmo, enquanto faziam os últimos ajustes para o workshop que ministraram, esbanjavam sua técnica, impressionante.

Mozart tem uma agilidade incrível, a ponto de deixar qualquer guitarrista metaleiro no chinelo. Com a guitarra semi-acústica, lembra John Mac Laughlin.

Pixinga também é um arraso. Passeia do walkin' bass para o baixo funk quebrando tudo. Os dois juntos é covardia. Imperdível!

"Está sendo um trabalho gostoso de fazer. Esta vai ser nossa primeira apresentação, esperamos tocar bastante, amadurecer, achar uma linguagem e depois gravar um CD", afirma Mozart.

Serviço

"Projeto Vertentes", hoje, às 20 horas, no Sesc Bauru, com Mozart Mello, Celso Pixinga e Renato Martins. Grátis

(convites devem ser retirados antecipadamente). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (014) 235-1750.

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