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Granja

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Granja diversificada garante qualidade

Granja diversificada garante qualidade

Texto: Márcia Buzalaf

Uma granja que agrega valores na sua produção de ovos: produz laranja, com o dinheiro da venda compra semente de milho, que serve de alimento para as aves, que geram esterco para a plantação. Com esta filosofia, a Granja Egendon, localizada em Guarantã, com quase 50 anos de produção, conseguiu driblar alguns problemas que os granjeiros vêm passando. "As pequenas granjas devem morrer em breve", garante o proprietário, Rômulo Tinôco.

Criando atualmente a raça de frangos Hyline, especialmente para poedeira (produção de ovos), a Granja Egendon não tem do que reclamar. Com uma taxa de mortalidade de 1,5%, a granja tem uma produtividade alta por ter sido adaptada aos novos padrões que o mercado exige. Enfatizando a qualidade em primeiro lugar, a granja produz 2,6 milhões de ovos por mês, mas sua capacidade é de 3,5 milhões.

O sucesso desta granja está condicionado à melhoria de qualidade constante e à diversificação das atividades, iniciada em 92. "Aqui, não se perde nada", afirma Tinôco quando explica sua cadeia produtiva. Em seus 800 hectares, o produtor tem 18 mil aves na fase de cria

(até 45 dias de vida), 18 mil na fase de recria (entre 45 e 120 dias) e 150 mil na fase de postura, em que bota os ovos.

A infraestrutura para estas fases de criação são diferenciadas, obedecendo as necessidades de cada idade, e sendo levada recentemente para a automação. Com parte da granja já automatizada, Tinôco afirma que as máquinas estão mesmo tomando o lugar do homem do campo.

Em sua fazenda, trabalham aproximadamente 45 funcionários, a maioria composta por três pessoas de uma família residente na propriedade. A automação é bem-vinda para a criação, mas não para os empregos.

"Quem não ampliar as atividades, vai ter que demitir", afirma Tinôco quando fala que apenas a ampliação que está sendo feita em sua propriedade - ele está ampliando a fábrica de rações e as poedeiras

- está mantendo todos os funcionários trabalhando.

Na época em que foi fundada a granja, um homem tomava conta de 7 mil aves. Hoje, este mesmo trabalhador é responsável por cerca de 36 mil animais.

Fases

Dentre as três fases pela qual a criação de aves passa, a cria é a mais importante para a qualidade dos ovos. Na estrutura montada, os pintinhos são debicados, vacinados e mantidos em uma temperatura média de 32 graus.

Nesta fase, o pintinho só gasta dinheiro. Em fase de alimentação, Tinôco conta, o pintinho passa 19 semanas apenas se alimentando, não botando um só ovo. Na Egendon, o consumo é de 15 toneladas por dia. "Cerca de 70% do custo da criação

é da alimentação", diz Tinôco.

O trabalhador responsável pelo pinteiro, no caso o Osmarino, costuma dormir no local quando o pintinho chega. Há alguns anos, Tinôco conta, um trabalhador não dormiu no local e houve um superaquecimento da estufa, que provocou a morte de 7 mil filhotes.

Durante esta e as outras fases da criação, as aves passam por uma triagem em que são selecionados por tamanho e peso. "É que temos que garantir uma uniformidade para ter qualidade", afirma.

Os pintinhos mais fracos são detectados e colocados aparte, para serem melhor alimentados. Para detectar a padronização do peso das aves, elas são pesadas semanalmente. "Ajuda a controlar a produtividade da granja, porque o pintinho tem que ser forte, não gordo", explica.

Quando vai para a fase de recria, é feita a segunda debicagem na franga e ela recebe mais vacinação. Mais tarde, as aves vão para a "postura", em que ficam alojadas, botando ovos.

"De ouro"

Na fase em que vai para a poedeira, a galinha começa a dar lucros. Além do esterco, que é vendido por R$ 70,00 a tonelada, os ovos são recolhidos, manualmente, e encaminhados para a triagem, lavagem e triagem novamente. Até o final do processo, os ovos passam pelas vistas de cinco funcionários que retiram qualquer suspeita de rachadura ou sujeira nos produtos.

"Nem o supermercado nem os consumidores deveriam aceitar um ovo que vem sujo, com pêlo ou rachado", afirma Tinôco.

Toda a distribuição dos ovos é feita pela própria granja, que vende o produto para atacadistas de São Paulo, Belo Horizonte e Baixada Santista.

Nem mesmo o excedente dos ovos é desperdiçado na granja Egendon. Os ovos sujos e quebrados viram ovos líquidos, que são vendidos para as panificadoras.

O setor de avicultura, na opinião de Tinôco, está passando por uma transformação. Depois de ter passado por várias crises, atualmente a criação de aves está limitada aos grandes produtores. "Quem tiver menos de 300 mil aves, pode cair fora", afirma Tinôco.

Em Cafelândia e em outras cidades da região, ele conta, a grande maioria das granjas fecharam.

O preço, pelo menos, privilegia. Apesar de estar sempre oscilando, o valor cobrado pelos ovos hoje em dia está bom.

Produto internacional

Um dos mercados que estão sendo explorados pelos comerciantes de aves é o Paraguai. De acordo com Tinôco, atualmente, o país vizinho importa bastante aves vivas do Brasil.

O maior criador de galinhas, entretanto, é os Estados Unidos seguido pelo Japão. O destaque na tecnologia usada nas granjas vem de Israel. Parte do problema enfrentado pelos avicultores de postura brasileiros é a falta de cultura em comer ovos.

Na opinião do criador, os ovos não elevam o colesterol se ingeridos normalmente, ou seja, cinco vezes por semana. "O que falta é a cultura de consumir ovos no Brasil", alega.

Agenda

No dia 21 de junho, o Moinho Santo Antônio de São Paulo realiza o II Leilão Elite Blonde Rosazul, promovido pela cabanha Rosasul. O leilão começa às 20 horas, e deve ofertar 45 matrizes e cinco reprodutores PO e POI selecionados. Informações pelo fone: (041) 335-5534.

Leilão

A Fazenda Bentoca promove, neste sábado, o leilão de animais puros e cruzamentos de Aberdeen, Limousin, Marchigiana e Simental. Informações na Sampaio Ferraz Leilões, pelo fone: 238-2215.

Leilão 2

Dia 3 de julho, em Barretos, o criador de Nelore Rubens de Andrade Carvalho vai realizar o 24.º Leilão Brumado, no recinto da Fazenda Brumado. Serão ofertados 120 machos em início de período reprodutivo, 28 touros e 10 fêmeas, todos analisados pelo Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore, da USP. Informações pelo fone: (011) 5641-1176.

Nelore

O Grupo LR de Bauru estará realizando dia 21 de agosto, no Recinto de Exposições Mello Moraes, o Leilão Nelore do Vale. Serão ofertados 80 touros criados a campo e 20 fêmeas. Informações na Programa Leilões, pelo fone: (043) 328-400 ou diretamente com o grupo LR, pelo número

(014) 230-3088.

Leilão em Iacanga vende 92% dos rebanhos

Dos 1.309 animais ofertados para venda no leilão Quatro Patas realizado em 2 de junho, em Iacanga, foram comercializados 1.205, mais de 92% do total.

Os maiores vendedores do leilão foram a Agropecuária Stéfani, de Jaboticabal; José Antônio Fernandes Neto, de Jaboticabal; Jerônimo Flávio Rodrigues, Novo Horizonte; Luiz Carlos Bianchini, de São João do Rio Preto; e José Spuri, de Reginópolis.

Os maiores compradores do leilão foram Walter de Biasi, de Novo Horizonte; Edwar Sávio, de Jaú; Lourival Albert, de São João da Boa Vista; Duarte Sampaio, de Assis; e Paulo Pacheco Silveira, de Bauru.

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