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Indústria têxtil

Fábio Grellet
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Frio faz dobrar produção de edredons

Frio faz dobrar produção de edredons

Texto: Fábio Grellet

O anúncio de que este inverno será um dos mais rigorosos que o País já teve, permite a fabricantes da região dobrar a produção de cobertas

Ibitinga - Mesmo em meio à crise econômica

- que, aliás, é quase permanente, no Brasil -, vários produtores de edredons (espécie de colcha com maior espessura que, gradualmente, está substituindo os cobertores) estão comemorando o resultado (ainda que parcial) das vendas: o inverno habitualmente "aquece" bastante o comércio desses produtos mas, neste ano, a estação, anunciada como uma das mais rigorosas dos últimos anos, já permitiu aos fabricantes vender até 100% a mais, em relação ao inverno anterior.

Em Arealva, por exemplo, uma fábrica que, desde 1995, fornece edredons para as 12 lojas da rede Tanger, até o ano passado produzia diariamente 800 edredons, em média, durante o inverno. Neste ano, está produzindo 1,5 mil. Márcia Terezinha Furquim Bórnia Giatti, 39 anos, é a proprietária da empresa e conta que, quando os pedidos dos lojistas começaram a surgir, em março

(mês em que tem início, também, a produção dos edredons), o volume solicitado não ultrapassava 800 peças diárias, mesma quantia que era fabricada durante os anos anteriores. Em maio, porém, os pedidos já somavam 1,5 mil edredons por dia, e a empresária teve de contratar mais 20 funcionários e implementar um turno adicional de trabalho. Atualmente, a fábrica tem 50 funcionários, que se revezam em dois turnos diários. A linha de produção funciona ininterruptamente entre 7 horas e meia-noite.

Segundo a proprietária, nunca houve período semelhante a este, em termos de volume de vendas, e ela credita o aumento destas ao temor de que este inverno seja mais rigoroso que os anteriores. Márcia supõe que, diante de alguns dias em que o frio foi mais intenso, as pessoas tenham se surpreendido, já que é raro o País submeter-se a um inverno realmente "gelado", e corrido

às lojas em busca das peças.

A fábrica de Arealva foi inaugurada em 1994 e oferece apenas a mão-de-obra e o equipamento para produzir as peças. Cabe aos lojistas ou interessados em geral entregar o material (a espuma e os panos para revesti-la) ao fabricante. Para a Tanger, que compra 1,2 mil das 1,5 mil peças produzidas pela empresa de Arealva, são fabricados edredons das marcas Royal Grouse e Horizon, das quais a rede de lojas é proprietária. As diferenças entre elas está na medida de cada peça: a Royal Grouse só dispõe de edredons em tamanho para casais, correspondente a 1,95 m por 2,15 m. Já a Horizon produz tamanhos para casais (2,15 m por 2,40 m) e solteiros (1,45 m por 2,40 m). Mas a primeira

é a marca mais procurada: a cada dia, das 1,2 mil peças, 700 saem da fábrica em embalagens da Royal Grouse, que, segundo Márcia, são vendidas por cerca de R$ 25

(solteiro) ou R$ 29 (casal), quando não há oferta, nas lojas da Tanger.

A empresa de Arealva, porém, atende também outros clientes, que absorvem o restante da produção diária (cerca de 300 peças). Um deles é a rede de lojas Sultan, sediada em São Paulo, e há também várias lojas da própria cidade e da região. Márcia conta que a produção de edredons ocorre entre os meses de março e agosto e, durante os demais meses do ano, a empresa se volta para a fabricação de cortinas, lençóis e colchas.

Iacanga

Em Iacanga, outra empresa desse segmento também sente indícios do aumento no volume de vendas. A Albano Bordados, cuja proprietária é Sérgia Maria Moreira Machado Albano, 31 anos, fabrica 300 edredons por dia, além de jogos de cama e mesa e colchas. Seu principal mercado é o Sul e Nordeste do País, mas a produção

é vendida em quase todos os Estados brasileiros. Além dos 40 funcionários que trabalham na própria sede da empresa, há outros 110 que atuam como autônomos, produzindo peças em suas próprias casas, sob supervisão da fábrica. Apesar do volume de pedidos, segundo Sérgia, não ter sofrido um aumento significativo, em relação ao ano passado, ela concluiu que, de forma geral, as vendas devem ter aumentado, porque a demora das fábricas responsáveis pela produção da matéria-prima (panos e espuma) para entregar esses produtos é anormal. Ela afirma que

é habitual acontecer alguma demora, justificada pela falta do produto mas, nos anos anteriores, esse problema surgia apenas em julho. Neste ano, desde maio as entregas estão bastante atrasadas, e ela mesma diz que ainda não recebeu produtos solicitados em abril.

Capital do bordado concentra produção

Batizada como "capital do bordado", a cidade de Ibitinga também se destaca porque lá está instalado o maior número de empresas produtoras de edredons, na região.

Uma delas é a indústria de bordados Cristiane, cujo proprietário é Ademir Aparecido Basana, 40 anos. A empresa tem 20 anos, mas produz edredons há apenas quatro. Nos anos anteriores, fabricava cerca de 600 peças por dia, durante o inverno. Neste ano, atingiu uma produção diária de 1,2 mil edredons, vendidos principalmente no interior de São Paulo e no sul do País. Com o acentuado aumento das vendas, foi necessário contratar mais dez funcionários, e todos os 35 que atualmente trabalham lá têm feito horas extras, devidamente contabilizadas, para atender todos os pedidos. A linha de produção está trabalhando ininterruptamente entre 7 e 22 horas.

Ademir explica que sua empresa produz três tipos de edredons, com medidas diferentes: aquele de solteiro mede 1,60 m por 2,20, enquanto para casais existem os tamanhos pequeno (2,00 m por 2,20 m) e gigante (2,20 m por 2,40 m ). O tamanho "pequeno", para casais, é a peça mais comercializada, correspondendo a 60% das vendas.

O empresário atribui o aumento das vendas à popularização do produto. O edredon, em relação ao cobertor, tem a vantagem de ser mais decorativo e servir também como uma colcha. Além disso, sua venda não se restringe às lojas especializadas, podendo ser encontrado até em supermercados, durante o inverno.

José Miquelim dos Santos é outro morador de Ibitinga que está satisfeito com o aumento na produção de edredons. Ele é proprietário da fábrica de embalagens Ibiplas, que produz embalagens para diversos produtos (desde bordados até perfumes) mas, durante o inverno, tem a maior parte de sua linha de produção voltada para a fabricação de embalagens para edredons, cobertores e peças afins. Miquelim diz que, em relação ao mesmo período do ano passado, a procura por embalagens para edredons aumentou em 30%, o que o obrigou a contratar, recentemente, 20 novos funcionários. Mas ele ainda reclama, justificando que houve períodos melhores. Em comparação com os últimos três anos, porém, este é o mais movimentado.

Pioneira sofre com cautela dos lojistas

Nem todos, porém, registram e podem comemorar índices positivos de venda de edredons neste inverno. A Andreza Enxovais é uma das maiores empresas de Ibitinga no segmento de conjuntos de cama, mesa e banho e foi uma das pioneiras na produção de edredons, começando a fabricá-los em 1989. Segundo o gerente de produção da empresa, Ayrton Nicolau Galice, a Andreza tem 550 funcionários e produz, atualmente, 8 mil edredons por dia. Esse volume, comercializado em todo o país, é idêntico àquele fabricado durante o último inverno, mas houve uma mudança de comportamento dos lojistas que, conforme Galice, reduz as expectativas da empresa quanto à produção. Enquanto, nos invernos anteriores, havia encomendas confirmadas com longos períodos de antecedência, atualmente os lojistas estão mais cautelosos e só renovam as encomendas quando os estoques realmente estão em vias de se acabar. Com isso, o ritmo de produção só é garantido por duas semanas, prazo em que há encomendas confirmadas. Além desse prazo, os pedidos estão previstos, mas dependem da confirmação, que geralmente é feita com a mínima antecedência.

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