Mais oito presos são recapturados
Mais oito presos são recapturados
Já somavam 16 o total de fugitivos recapturados pela polícia até a noite de ontem, em diversos pontos de Bauru e região, como Pirajuí, Nogueira (distrito de Avaí), Tibiriçá
(distrito de Bauru), proximidades da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e vilarejo Rio Verde (divisa com Arealva).
Para o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar, a maior parte dos fugitivos ainda deveriam estar em Bauru até o período da noite, por não conhecerem bem a cidade. Os que conseguiram deslocar-se para pontos mais distantes, possivelmente, o tenham feito por estarem armados. O fato de suas vestimentas serem roupas normais e não uniformes também facilitou a fuga.
Um dos recapturados, Everton F. Garcia Teixeira, 28 anos, foi pego no distrito de Tibiriçá, por volta das 16 horas de ontem. Ele permaneceu escondido no mato durante a noite e seguiu a linha férrea logo que o dia clareou, até chegar na estação de trem, onde foi pego pelos policiais do Tático após uma denúncia anônima.
Sua pena é de 25 anos e oito meses por crime de latrocínio
(assalto seguido de assassinato), dos quais cinco já haviam sido cumpridos. Natural de Tupi Paulista, Teixeira chegou a passar pelas penitenciárias de Mirandópolis e Hortolândia. Ele cumpriu pena anterior por roubo e, ao ganhar regime semi-aberto, chegou a ficar foragido por quase três anos na casa de familiares, no Mato Grosso.
Wilson Augusto, 24 anos, foi condenado por assalto a 12 anos e cinco meses, já tendo passado os três primeiros anos preso. O limeirense foi pego após denúncia anônima que dava conta de um elemento estranho na estrada que dá acesso ao vilarejo de Rio Verde, no início da noite. Ele foi adentrando pelos sítios da região, até ser finalmente localizado no pomar de um deles, onde recebeu voz de prisão e entregou-se pacificamente.
Ambos ficavam confinados no Raio 1, local para onde são enviados os presos de bom comportamento e os estupradores. Eles afirmaram que a fuga foi motivada pelo "embalo", ou seja, uma espécie de tentação irresistível de conseguir a liberdade. (AR)
Denúncias anônimas estão sendo determinantes
As pistas fornecidas à Polícia Militar através de denúncias anônimas têm sido determinantes para a recaptura dos presos foragidos. Não foi possível determinar o número de ligações recebidas após a fuga, tampouco as realizadas durante todo o dia de ontem, mas os telefones ficaram congestionados.
A polícia solicita da população duas coisas: uma, que continue colaborando, denunciando a presença de pessoas estranhas com atitudes suspeitas em sua comunidade e procurando tomar o máximo de cuidado, principalmente em pontos mais afastados, próximos a matagais ou chácaras, pois existe a possibilidade de esses locais estarem servindo de abrigo aos fugitivos. A outra, que evite dar caronas, preservando a própria vida e não propiciando a fuga para localidades mais distantes.
Para se ter uma idéia da importância das denúncias, foi justamente uma delas que impediu, cerca de três semanas atrás, a fuga de todos os presos da PII. Tendo conhecimento do fato, a PM reforçou o policiamento no local.
Apurou-se, também, através das denúncias, uma série de irregularidades que estariam ocorrendo dentro da PII e que teriam facilitado a fuga dos presos. Dentre elas pode ser citada a corrupção, que atingiria todos os níveis e permitiria a entrada de dinheiro, drogas, armas e celulares nas dependências do presídio, inclusive através dos visitantes, apesar da rotineira revista.
Fala-se, ainda, de presos "privilegiados", ou seja, que teriam acesso a regalias como comida melhor (pizza, frango assado, etc), enquanto outros presos chegariam a passar fome em algumas situações.
A falta de controle interno permitiria que os próprios presos tomem conta do local, dando a eles total liberdade para circular de um raio para outro, coisa que não poderia ocorrer.
Esses poucos presos que "chefiam" a prisão obrigariam, segundo consta, aqueles que têm acesso a ferramentas a pegá-las, de modo a garantir eventuais fugas. São eles, também, que se encarregariam de recrutar "laranjas", homens que são incumbidos de assumir crimes ocorridos dentro da penitenciária em lugar dos verdadeiros culpados. Quem fica e quem sai numa fuga é outra determinação que caberia ao "comando".
O uso do uniforme não seria fiscalizado de perto, permitindo que, em situações de fuga, o preso misture-se a pessoas da comunidade, passando despercebido e saindo ileso. Mesmo nos dias de visita, apenas a calça do uniforme deveria ser mantida, podendo o detento vestir apenas camisa própria.
(AR)