Fuga em massa leva a demissão do diretor da PII
Fuga em massa leva a demissão do diretor da PII
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A fuga em massa na Penitenciária II de Bauru, no início da noite de segunda-feira, provocou a demissão do diretor geral do presídio, Carlos Eduardo Empke Vianna. A PII passa a ser administrada por uma junta até que seja designado um novo diretor. O número correto de fugitivos é 36, e não 37 como a polícia havia informado antoentem. Um dos fugitivos resistiu à prisão e foi morto pela polícia na madrugada de ontem. No total, até as 21h30 de ontem, 16 presos haviam sido recapturados.
A demissão do diretor aconteceu na noite de segunda-feira, após a fuga em massa. Segundo o coordenador da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coespe), Lourival Gomes, que esteve ontem em Bauru para resolver a situação, a fuga contraria todos os princípios da filosofia de trabalho da direção do presídio.
"O diretor foi substituído por não se adequar a essa filosofia. A demissão foi ontem (segunda-feira)", disse.
Gomes classificou de negligência o fato dos presos de outros raios estarem no raio 1 na hora da fuga. "Foi uma tremenda negligência. Presos de outros raios estavam no raio I e fugiram juntos", ressaltou. Ele admitiu que foi uma falha da direção o fato do jantar ter atrasado. "Houve falha para não falar que foi negligência. O atraso do jantar na prisão é indício de que alguma coisa está no ar", afirmou.
Na opinião do coordenador, quando há um atraso deste tipo, se prevê que alguma coisa está sendo preparada pelos presos. "Se atrasou o jantar, tem que saber porque atrasou. Uma panela furou? A energia ou o gás faltou ou o preso está preparando uma fuga?", detalhou Gomes.
Junta administrativa
A junta administrativa convocada pelo coordenador da Coespe para, provisoriamente, administrar a PII é composta por três diretores de penitenciárias: Wilson Elorza Júnior, diretor da Penitenciária I; Edilson Araújo Valim, do Instituto Penal Agrícola (IPA), e Antônio Paulo Veronezi, diretor da Penitenciária de Pirajuí.
A missão da junta, segundo Gomes, é avaliar a situação como um todo. "As medidas serão seqüenciais. A junta diretiva vai avaliar quais os mecanismos de segurança que ela quer que introduza na unidade. Vai avaliar quais os presos que devem ser transferidos para o bem da disciplina e segurança", explicou.
Gomes admitiu que está de olho nos funcionários.
"A junta diretiva vai avaliar quais os funcionários que devem ficar e aqueles que devem sair até porque, nesta unidade, entram muito alicates e serras", frisou Gomes.
O máximo de segurança e disciplina irá nortear a direção da PII. "A junta diretiva vai implantar o máximo de segurança e disciplina na instituição. Só depois é que será designado um novo diretor" afirmou o coordenador da Coespe.
A partir de hoje ou amanhã, um grupo da Coespe deve chegar
à PII. "Este grupo vai analisar as circunstâncias em que estas e outras fugas ocorreram, principalmente esta fuga", disse Gomes. O atraso no jantar dos presos, se foi proposital ou não, será investigado pelo grupo, também.
"Os corregedores vão ouvir funcionários e presos para saber o que ocorreu. Tudo leva a crer que houve uma dissimulação para que o jantar demorasse a ser servido", disse.
Segundo Lourival Gomes, o ex-diretor da PII, Carlos Eduardo Empke Vianna, que durante três anos ficou na direção do presídio, volta a exercer a função de agente de segurança. "Ele vai auxiliar a direção, mas não está mais no comando", disse.
Blitze
As blitze no presídio deve ser uma rotina, na opinião do coordenador da Coespe, Lourival Gomes. "Tem que ser feita rotineiramente. Quando há um fato como este temos que fazer uma blitz na prisão. Hoje (ontem) estamos fazendo uma blitz com os agentes penitenciários. Vamos fazer uma limpeza. Se houver qualquer coisa que obstrua a visão de uma cela, será retirado. Assim como armas brancas. Tudo o que não
é permitido, será retirado", garantiu.
O coordenador acredita que em uma prisão as revistas têm que ser feitas todos os dias. "Toda hora que se achar conveniente. Pode terminar uma revista e começar a outra, na medida em que houver suspeitas. Não há uma prisão que possa ficar mais de um dia sem revista. Se não revistar todas as celas, pelo menos àquelas sobre a qual recai as suspeitas" disse. Gomes garantiu que não vai suspender as visitas. "Pelo menos por enquanto, não. Não posso suspender as visitas por uma fuga", afirmou.
O coordenador da Coespe se reuniu ontem com o juiz corregedor Evandro Kato, com o promotor Luiz Carlos Gonçalves Filho e com o comandante do CPA-I/9, coronel Cid Monteiro de Barros.
"Dei o posicionamento nosso e aquilo que pretendemos fazer, solicitamos o apoio deles para colocar em prática algumas medidas. Para a PM, pedimos que por hora a segurança seja redobrada", disse.
Muralhas
A possibilidade das duas penitenciárias de Bauru - I e a II - serem cercadas por muralhas não está descartada, depende de estudos, segundo Lourival Gomes. "Eu sou favorável a colocação de muralhas nas prisões. Ela inibe a fuga", disse.
Segundo o coordenador da Coespe, um estudo topográfico para instalação das muralhas já foi solicitado.
"Não é simplesmente querer colocar muralhas.
É necessário que se faça um estudo. Percebemos que o terreno daqui é excessivamente acidentado e temos que ver se tem condições topográficas para a instalação", explicou.
Ele acha que com a muralha a guarda externa será melhorada.
"O alambrado dá uma visão de liberdade, mais vontade de fugir. A muralha facilita a guarda. De uma posição mais elevada pode se ter uma visão melhor, facilitando o trabalho da Polícia Militar", opina.
Fugitivo é morto em troca de tiros com a PM
O detento Paulo Vinícius do Prado morreu, no início da madrugada de ontem, na rodovia Bauru/Marília, próximo da subestação da Cesp. Ele resistiu a prisão e foi atingido por um disparo de policiais militares. Ele estava preso por assalto, tráfico e estupro.
Segundo a PM, Prado estava armado com um revólver calibre 38 de numeração raspada. A polícia informou que não sabia qual policial atirou. Duas armas foram apreendidas e foi instaurado um inquérito da Polícia Militar para apurar os fatos.