Pai mata próprio filho atropelado
Pai mata o próprio filho atropelado
Texto: Ieda Rodrigues
Uma criança morreu e outra ficou ferida numa tragédia ocorrida ontem à tarde no Jardim Godoy, em Bauru. O comerciante Ademar Roberto dos Santos, 44 anos, atropelou o próprio filho, Júlio César Florenço dos Santos, 5 anos, a sua sobrinha em segundo grau, Priscila Fernandes Siqueira, 4 anos, e a mãe da menina, Aparecida de Jesus Siqueira.
As vítimas foram levadas ao Pronto-Socorro da Bela Vista por populares, mas Júlio César morreu no caminho. Priscila, que sofreu um corte na cabeça, foi medicada e liberada ainda ontem à tarde. A mãe da menina sofreu apenas escoriações. Santos, ao saber que o filho havia morrido, entrou em estado de choque e precisou receber um sedativo.
O acidente ocorreu na quadra 6 da rua Napoleão Bianconcini, por volta das 14h10 de ontem, em frente da casa e do bar do comerciante. O carro conduzido por Santos, o Monza placas BQS 6686, de Bauru, colheu as vítimas na calçada e entrou dentro do bar, localizado no número 6-97, que ficou bastante danificado.
Santos, apesar de muito abalado, contou que sua sobrinha Aparecida pediu que tirasse o Monza de uma garagem ao lado do bar porque ela tinha receio do veículo cair dentro de um buraco existente na rua. Ele, então, assumiu a direção do carro e engatou a marcha ré, saindo da garagem. No entanto, segundo relatou, ao sair na rua perdeu o controle da direção e atropelou as crianças. O carro só parou ao bater nas paredes do bar.
Santos disse que perdeu o controle da direção porque o Monza tem câmbio hidramático, tipo de veículo que ele nunca dirigiu. Desesperado, ele não deu mais detalhes de como o atropelamento ocorreu. Pelas marcas de pneus na rua, acredita-se que ele atrapalhou-se e, ao invés de frear, acabou acelerando o veículo.
Populares socorreram as vítimas ao Pronto-Socorro da Bela Vista. Júlio César chegou ao PS já sem vida e Priscila foi encaminhada ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI), onde foi medicada e liberada. Aparecida não precisou de medicação. Mais tarde, Santos foi ao pronto-socorro e, ao saber que o seu filho havia morrido, entrou em estado de choque, precisando receber uma injeção de sedativo.
Motorista vai responder por homicídio culposo
Apesar de ser uma tragédia, o motorista, Ademar Roberto dos Santos, 44 anos, vai responder a processo por homicídio culposo (sem intenção). A ocorrência foi registrada no 2.º Distrito Policial, mas como Santos estava em estado de choque, ele ainda não foi ouvido.
O delegado titular do 2.º DP, José Henrique Gomes dos Santos, disse que será instaurado inquérito policial para esclarecer o fato. Ele explicou que o crime culposo
é aquele ocorrido por imprudência, imperícia ou negligência.
No caso de Santos, tudo indica que houve imperícia. A pena para homicídio culposo é de dois a quatro anos de detenção, mas o juiz pode deixar de aplicá-la diante das circunstâncias.
De acordo com o tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito e que esteve no local do acidente, a 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito
(Ciretran) deverá instaurar procedimento que definirá se Santos perderá ou não o direito de dirigir. Ele ressaltou que, se ficar comprovado que o motorista ficou pertubado após a tragédia, ele poderá ter suspenso o direito de dirigir.
Polícia pede cuidado com crianças ao manobrar veículos
O tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito, orienta os motoristas a ficar alerta à presença de crianças na hora de manobrar veículos, principalmente em garagens. Ele também diz para o motorista evitar conduzir veículo ao qual ele não conhece o sistema de funcionamento, para que não ocorra acidentes como o de ontem.
Ele alerta que há muitas ocorrências de acidentes nas garagens de residências, pelo fato do veículo ter sido deixado desengatado. Também na hora de tirar ou colocar o veículo na garagem é preciso estar atento
à presença de crianças, que podem surgir derepente.