Geral

Sem-terra

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Acordo prevê desocupação pacífica em Bocaina

Acordo prevê desocupação pacífica em Bocaina

O grupo de sem-terra que ocupa a fazenda Fortaleza tem até o dia 14 de julho para deixar área. Acordo leva em conta aula das crianças

Bocaina - A Polícia Militar e a juíza da 2a. Vara Cível de Jaú, Elaine Cristina Storino Leoni encontraram uma solução pacífica para a desocupação da fazenda Fortaleza, no município de Bocaina. Foi concedido um prazo até 14 de julho até que as crianças terminem o semestre escolar e os adultos providenciem um outro lugar para ficar.

O acordo foi firmado na última segunda-feira, quando a juíza promoveu uma audiência extraordinária reunindo o promotor público de Jaú Célio Sormani, o major Atílio Ghiselli e o capitão Américo Martins da PM, o representante dos sem-terra Laércio Neves e o representante do Sindicato dos Desempregados Rurais de Araraquara, Wilson Gandolfi. Na pauta da reunião estava a decisão sobre a desocupação da área invadida há mais de um ano, por cerca de 40 famílias de sem-terra, que não têm qualquer ligação com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).

Os sem-terra estão sendo despejados por conta de um mandado de reintegração de posse, numa ação movida pelo Banestado do Paraná, dono das terras, e de um dos locatários que exploram a fazenda.

Na reunião de segunda-feira ficou decidido de comum acordo que os sem-terra ficarão na fazenda até o dia 14 de julho. Até lá eles terão tempo para se inteirar sobre sua situação junto ao Incra e, caso nada seja resolvido, colher alguma coisa do que foi plantado e arrumar um local para onde possam ir.

Acabado o prazo, os sem-terras se comprometeram a sair pacificamente da fazenda. "Tendo em vista a parte social, das crianças que estão estudando foi dado um prazo até o mês que vem", confirma o major Ghiselli. Todos os presentes assinaram um "termo de compromisso", empenhando a sua palavra de cumprir cada parte do acordo.

A decisão inédita foi motivada pela sensibilidade dos policiais que foram designados para a desocupação da fazenda. O major Ghiselli visitou duas vezes o acampamento dos sem-terra e diz ter percebido que não seria necessário a força para retirá-los do local. "Nós tínhamos uma determinação judicial, mas eu chego lá e tem bastante criança brincando, o povão que está daquele jeito, então nós achamos por bem intermediar junto com a juíza para haver um consenso sobre a desocupação sem ter que colocar policial fardado com cacetete lá. A criança vai perceber, vai sentir, vai pensar 'os caras chegaram e tiraram a gente daqui' e não sabe porque", analisa o major Ghiselli.

Ainda não está definido para onde irão os sem-terra. Nos próximos 20 dias eles irão em busca de um dos assentamentos vizinhos, caso não encontrem lugar para ficar, voltarão para a beira da estrada.

O major Ghiselli ressalta que um dos itens que colaborou para um entendimento sobre a questão da desocupação entre as partes foi o uso do bom senso.

Comentários

Comentários