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Balsa

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Nevoeiro interrompe travessia do Tietê

Nevoeiro interrompe travessia do Tietê

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Pelo segundo dia consecutivo a travessia do Rio Tietê, próximo a cidade de Pederneiras, ficou interrompida. As balsas não fizeram a travessia por falta de visibilidade provocada pelo forte nevoeiro. A interrupção durou mais de sete horas.

A travessia por balsa parou por volta das 3 horas da madrugada de ontem e só voltou a funcionar por volta das 11 horas. Na madrugada de segunda para terça-feira, a interrupção teve início às 2 horas e retornou por volta das 10. "No segundo dia de nevoeiro ele sempre é mais intenso e longo", explicou um funcionário da Centrovias.

Uma fila de mais de 100 veículos aguardava o início da travessia, ontem. Muitos carros desistiam da espera, diante do aviso feito pelos funcionários da concessionária Centrovias. Os motoristas reclamam da precariedade dos serviços.

"Nós não temos culpa", defende o funcionário.

Segundo ele normalmente a travessia funciona 24 horas. "Temos quatro balsas, 24 horas. Quando tem problemas de tempo, como hoje, as filas chegam a ter 500 veículos, além daqueles que optam por seguir até Bariri e de lá para Jaú.

O funcionário da concessionária diz que demora de duas a duas horas e meia para que os serviços voltem ao normal, quando é liberada a travessia. " Com as quatro balsas em atividades demora uma duas horas a dua e meia ."

Transtorno

Ficar com o carro parado esperando a travessia é um transtorno para todos aqueles que necessitam chegar em Jaú ou cidades daquela região. É também tempo de fazer novos amigos, contar piadas e até apreciar a paisagem nada comum.

O sitiante José Roberto Carneiro diz que não tem como trabalhar quando a travessia fica interditada. "Moro em Pederneiras e meu sítio fica em Jaú. Demoro três horas para chegar lá não posso transportar a cana porque a ponte está interditada e a travessia também."

Ele aproveita o tempo para conversar com outros motoristas. "Fazemos novas amizades para controlar as tensões e não perder a esportiva. Esse tempo que a gente fica aqui é tempo perdido", avalia.

Maurício Ribeiro Almeida mora em Pederneiras e trabalha no Forum de Jaú. "É um transtorno. Tenho que contar com a compreensão dos meus superiores. "

Ele lembra que sem a travessia, chega tarde no trabalho. "Chegando tarde saio mais tarde para compensar. Pego congestionamento na ida e volta." A mulher dele faz o mesmo caminho para trabalhar.

"Quando a travessia fica impedida, ela não tem como retornar e pegar as crianças na escola. Temos que contar com a boa vontade de terceiros."

A viagem do caminhoneiro Dorival Vidor de Santa Cruz do Rio Pardo para o Estado de Minas Gerais sofreu um atraso de mais de três horas. "Cheguei aqui às seis horas, não consegui atravessar. Tenho que ligar para a empresa para avisar porque se não eles pensam que fui assaltado."

Azar de uns, sorte de outros

Se a espera é um transtorno para os motoristas é alegria para os comerciantes. Enquanto esperam a liberação da balsa, motoristas, ajudantes e acompanhantes consomem no quiosque Lanterna de Fogo. "Vende mais quando a balsa fica parada", confessa a funcionária do quiosque.

De acordo com ela, o movimento dobra e os produtos mais consumidos são: café, bebidas alcóolicas como pinga e conhaque, que ajudam a suportar o frio acompanhado de nevoeiro.

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