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Márcia Buzalaf
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Bauru deve ter Conselho Agrícola

Bauru deve ter Conselho Agrícola

Texto: Márcia Buzalaf

A idéia é criar um conselho que estabeleça a política agrícola do município, englobando, inclusive, a liberação de verbas para o setor. A experiência em outras cidades é positiva, e pode ter bons resultados na cidade. De acordo com o secretário municipal de agricultura e abastecimento, Cynise Pereira Leite, o conselho deve ser importante para a agricultura local porque deve ser formado por pessoas do setor

A idéia partiu da Secretaria Estadual de Agricultura, que vem apresentando projetos no sentido de desenvolver e gerir a agricultura do Estado. A formação do Conselho Municipal de Agricultura, segundo Leite, deve estabelecer qual é a política agrícola da cidade, orientar a produção e buscar recursos para financiamento de custeio e de comercialização.

A primeira reunião, realizada na quarta-feira, dia 23, no Recinto Mello Moraes, reuniu 25 interessados, entre produtores e também representantes do Banco do Brasil, do Banespa, do Escritório do Desenvolvimento Regional, da Empresa de Desenvolvimento Urbano (Emdurb), do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Sindicato Rural e da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp).

Foi o primeiro passo para a discussão do conselho agrícola. A criação do órgão, entretanto, não

é burocrática, mas tem que ser feito através da aprovação de uma lei municipal. A secretaria municipal da agricultura elaborou a minuta de um projeto de lei, que deve ser encaminhada em breve ao Prefeito Municipal, Nilson Costa (PL).

Depois da apreciação jurídica do documento pela prefeitura, o projeto deve seguir para a Câmara Municipal. Com o recesso das sessões do órgão público, durante todo o mês de julho, a votação do projeto de lei só deve ser feita no início do mês de agosto.

O objetivo do encontro foi consultar produtores e representantes da área rural para reunir suas sugestões e reivindicações em uma "Carta de Bauru", que deverá ser encaminhada para políticos do setor agrícola. Os deputados estaduais por Bauru, Pedro Tobias (PDT) e Carlos Braga (PPB), além do deputado federal, Francisco Graziani Neto (PSDB), que já foi secretário estadual da Agricultura, deverão ser acionados para ajudar a conduzir a criação da comissão.

O Conselho Agrícola Municipal deve viabilizar convênio entre o município, o Estado e a União. Conforme informação dos participantes, de todos os 14 municípios que compõem a área do EDR, Escritório de Desenvolvimento Regional, antiga Dira (Divisão Regional Agrícola), apenas três ainda não contam com o Conselho Agrícola, entre os quais Bauru.

Desenvolvimento

Na opinião do vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, que já foi presidente do Conselho Regional de Agricultura, a idéia de se estabelecer uma política agrícola clara para o município é importante. Segundo ele, a criação tem o aspecto político - de fundar um conselho municipal nesta gestão - quanto prático

- de orientação da atividade produtiva agrícola de Bauru.

Mesmo assim, Guimarães alerta que o resultado da atuação de um conselho municipal só deve ser observado a longo prazo, quando a política do conselho já foi decidida.

O benefício da criação do conselho, entretanto,

é grande, segundo Leite. Ele afirma que o órgão poderá trazer, além de recursos, a transferência de tecnologia através da presença de produtores de fora de Bauru

O Conselho da Agricultura de Avaí, por exemplo, vem recebendo, anualmente, R$ 450 mil do Estado, para viabilizar produção agrícola. "É um número expressivo", diz Leite.

Apesar disso, os produtores rurais são de difícil mobilização, segundo o secretário municipal. Ele diz que, dos 600 convites enviados para a reunião, compareceram apenas 25 interessados. "Precisa de interesse,

é uma pena que a categoria não é unida", lamenta.

Gado de corte é tema de encontro de produtores

O II Encontro de Gado de Corte de Bauru e região, agendado para a próxima quarta-feira, dia 30, deverá enfocar o controle produtivo e sanitário da pecuária de corte, a recuperação de pastagem, e o cruzamento industrial.

Para falar sobre estes temas, o Sindicato Rural de Bauru e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) convidou o professor da Escola Superior de Agronomia (Esalq) de Piracibaca, Moacyr Corsi, Fernando Almeida de Andrada, de Uberlândia (MG), e a médica veterinária do Sindicato Rural de Bauru, Elizabete de Lourdes Teixeira.

De acordo com o presidente do sindicato, Maurício Lima Verde Guimarães, o encontro do ano passado já foi um sucesso, com a participação de 400 trabalhadores e produtores rurais. Este ano, o encontro será realizado no auditório da Universidade de São Paulo (USP), e deve ser voltado para a prática da atividade, a fim de aumentar a lucratividade. E a palavra-chave para aumentar os rendimentos com o gado de corte, segundo Guimarães, é o manejo.

O encontro também deve apresentar novas tecnologias na criação de gado de corte, que tem bastante peso na economia da região, mas que enfrenta desafios. Atualmente, segundo Guimarães, com o excesso de pastagem, o maior problema dos produtores de gado de corte é "povoar" os pastos, em uma época em que se exige um mínimo de mil cabeças de gado para ter alta lucratividade.

O encontro é totalmente gratuito, além da alimentação e material que também não são cobrados. As vagas são limitadas.

Serviços

Informações sobre o II Encontro de Gado de Corte de Bauru podem ser obtidas no próprio sindicato, pelo número 234-2938, com Cleuza.

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