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Plano Real

Márcia Buzalaf
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Real aumentou em 32% as dívidas agrícolas

Real aumentou em 32% dívidas agrícolas

Texto: Márcia Buzalaf

O endividamento do setor agrícola está 32% acima daquele assistido há cinco anos, no início do real. Os números, entretanto, divergem. Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, a a Câmara Federal afirma que o montante total da dívida é de US$ 12 bilhões; a Confederação Nacional da Agricultura

(CNA) diz que são US$ 18 bilhões de dívida; já o Banco do Brasil afirma que a dívida é de US$ 10,2 bilhões.

O grau de endividamento aumentou em proporção ao aumento de recursos destinados ao financiamento agrícola, diz Guimarães. "Houve mais recursos dentro do plano real", garante.

Embora tenha tido mais recursos, os produtos nacionais ficaram menos competitivos. De acordo com Guimarães, ao contrário dos outros setores da economia, que foram beneficiados nos primeiros anos do plano econômico, a agricultura manteve todos os vícios da época da inflação no Brasil

- falta de investimento, de recursos, de subsídios e de uma política agrícola clara - foram mantidos para o setor agrícola durante os primeiros anos do real.

Faltou, também, uma política clara de comercialização dos produtos agrícolas e pecuários. "Todo país inteligente faz isso: compra o excesso de produção para que o preço não caia", afirma.

Neste período, considerado "de ouro" para o comércio, o Mercosul também influenciou negativamente a economia agrícola. "Antes, se comprava um pêssego chileno 30% mais barato do que o de Lucianópolis", afirma.

Depois da liberação no câmbio, alguns produtos tiveram o preço aumentado em real, mas, em dólar, foram mantidos, e continuam os mais baixos dos últimos oito anos.

Mas o novo plano econômico mudou dois comportamentos do setor. O homem do campo, segundo Guimarães, passou a viver melhor e acabou a atividade dos "picaretas do boi", ou seja, daquelas pessoas que compravam cabeças de gado em um dia para vender depois de semanas, com grande valorização.

O valor da terra também sofreu uma queda substancial. O alqueire da região costumava ser vendido por R$ 9 mil, enquanto que, agora, dificilmente se consegue R$ 4 mil pelo alqueire.

Além disso, a automação tomou o lugar do trabalhador do campo. "A tecnologia chegou para valer. Uma máquina pode eliminar diversos trabalhadores e otimizar a produção", alega Guimarães.

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