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Guerra nas estrelas

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 7 min

Fãs de outro mundo

Fãs de outro mundo

Texto: Gustavo Cândido

Eles são milhões, estão em todas as partes do planeta Terra, inclusive em Bauru, mas neste momento estão mais interessados em saber o que aconteceu há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante. A resposta já está nos cinemas. São os fãs da série "Guerra Nas Estrelas", criada pelo diretor americano George Lucas e que teve o seu mais recente episódio

(na verdade o primeiro em ordem cronológica), lançado esta semana no Brasil: "Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma". Capazes de saber o nome de todos os personagens (o que não é fácil), dizer falas e explicar como os filmes são feitos, eles cultuam a série de maior sucesso do cinema em todos os tempos por razões diferentes.

Tudo começou a não muito tempo atrás, aqui mesmo nesta galáxia, para ser mais exato, em 1977, quando o primeiro filme da série "Guerra Nas Estrelas"

(Uma Nova Esperança) foi lançado. Com o visual inovador, uma história cheia de personagens cativantes e um tema musical inesquecível, não foi nada difícil para o filme conquistar uma legião infindável de admiradores, na época, a maioria adolescentes. A avalanche de produtos temáticos lançados sobre o filme, que veio em seguida só serviu para aumentar o culto à obra do diretor, que acabou renovando o gênero da ficção científica no cinema.

A série continuou com episódios em 1980 e 1983 e aumentou ainda mais a quantidade de admiradores. O designer e artista plástico Milton Koji Nakata é um dos fãs da série desde o primeiro filme, que viu no cinema quando tinha 16 anos. Segundo ele, que tem uma maquete de uma nave do segundo filme da série e coleciona livros relacionados ao tema, todas as pessoas que mexem com design e visual foram influenciadas pelas inovações mostradas na série.

"Os filmes mostram efeitos visuais que para época eram incríveis", diz. Mas não foi só o visual que o atraiu: "os três filmes apresentam um resgate do conceito de valores da época e ainda tocam no lado místico, que é uma coisa que me atrai", explica Nakata, que não tem um filme favorito da primeira trilogia, "cada tem o seu valor", justifica.

A dentista Luci Trigo Figueiredo também é fã da série desde o primeiro filme, que também viu no cinema. Completamente devota da obra de George Lucas, ela chega a assistir um dos filmes da primeira trilogia (quando não os três juntos), pelo menos uma vez por mês. "Quando vi o filme pela primeira vez gostei da história, que mostrava um grande idealismo, uma luta pelas coisas grandes e boas, com aqueles efeitos maravilhosos, o que para nós, adolescentes da época, foi uma coisa de outro mundo, pois não estávamos acostumados com filmes daquele jeito", conta.

Luci, que sabe a ordem de algumas falas das histórias, de tanto assistir os filmes e tem em vídeo a "trilogia dourada" com cenas adicionais, tem um favorito entre os três.

"É 'O Retorno de Jedi', que mostra todo o resgate da relação pai e filho, que foi colocada de uma forma legal. É o fim da saga que tem mais encontros e desencontros", diz.

Grupo dos sete

Antes que o novo filme da série fosse lançado, os diagramadores João Marcelo Soares, David Borges e Fábio Camargo reuniram, a dedo, no trabalho, um grupo de amigos para assistir à primeira trilogia de "Guerra Nas Estrelas". Os amigos, sete no total, assistiram um filme por semana e estão planejando irem juntos à exibição de "A Ameaça Fantasma". "O primeiro filme marcou época e ultrapassou todas as coisas que tinham sido feitas até aquele ano", diz o jornalista Ricardo Tanaka, um dos que participaram da retrospectiva fechada. As opiniões são diferentes quando os amigos comentam o que mais gostam nos filmes, mas a maioria concorda na escolha do segundo episódio da trilogia, "O Império Contra-Ataca", como sendo o melhor e o terceiro, "O Retorno de Jedi", como o mais fraco e infantil de todos.

"O que mais gosto em tudo é como eles conseguiram mostrar coisas novas, com recursos simples. O que acaba tendo cara de brincadeira, mas com um resultado muito bom", diz João Marcelo Ribeiro, que tem em casa a versão remasterizada da trilogia que foi lançada em vídeo.

Para David Borges o que é mais interessante no filme é a maneira como o bem e o mal são mostrados. "É interessante a organização mostrada pelas forças do mal, onde uma ordem é obedecida sem questionamento, ao contrário das forças rebeldes", diz, "outro detalhe é a mistura de raças que existe entre os rebeldes, o que não acontece no Império, onde são todos humanos, como se essa raça tivesse sobrepujado o universo". Já Fábio Camargo destaca como a temática de conto de fada da história foi usada em um filme de ficção: "acho que isso é uma das coisas que mais chama a atenção dos fãs", diz ele, cujo personagem preferido é o contrabandista Han Solo, interpretado por Harrison Ford.

Minifã

A série não cativou apenas as pessoas que viram os filmes no cinema na época dos seus lançamentos. Com as constantes exibições na televisão e os lançamentos em vídeo, "Guerra Nas Estrelas", conquistou até quem não era nascido na época em que o seu último filme foi mostrado nos cinemas (83), como Bruno Cunha Bueno, de seis anos. Completamente fanático pela série, desde que um primo lhe mostrou seus brinquedos em forma de naves e bonecos, Bruno se tornou um verdadeiro "PhD" na série, daqueles que corrigem, com ar de desprezo, quem ousar pronunciar o nome de um personagem errado. "Não

é ióda que fala, é iôda", diz sobre o mestre Jedi Yoda, seu personagem favorito na série,

"porque ele foi o melhor Jedi que já teve", explica.

Bruno, que tem vários brinquedos relacionados à

"Guerra Nas Estrelas" assiste os filmes com legendas em Inglês mesmo e entende a história e as falas de tanto que já assistiu a trilogia. "Uma vez ele viu

'Guerra Nas Estrelas", 14 vezes seguidas, fazendo comentários sobre as cenas", conta sua mãe, que na época no lançamento dos filmes não se interessava pelo tema e acabou gostando e conhecendo a série por causa do filho.

Série tem muitos símbolos

Segundo a psicóloga Luciana Biem Neuber, um dos fatores que garante o sucesso da série "Guerra Nas Estrelas",

é a quantidade de símbolos. De acordo com ela os filmes tocam em vários pontos que mexem com a fantasia das pessoas: "Eles trabalham o bem e o mal, misturando muitos recursos para aprender a atenção, como as espadas, os combates de naves, a tecnologia e também o lado místico, ambos em alta com a virada do milênio", diz, " O bem e o mal são mostrados de maneira diferente porque ao mesmo tempo que um tem uma harmonia, o outro também tem. É interessante até porque todo mundo tem o mal dentro de si e precisa saber como controlá-lo, assim como os personagens da tela".

Para Luciana, a existência dos bichinhos e criaturas estranhas também servem para trabalhar com o lado criança das pessoas mas o que fica mais evidente em toda a trilogia é a busca pela essência (a Força) que os personagens Luke e Darth Vader travam, um do lado do bem outro do mal. "Um mérito dos filmes é não terem envelhecido e se renovado com o tempo o que continua acontecendo agora com o novo episódio. Isso também é uma razão para o número grande de fãs da série".

A maior trilogia do cinema

A trilogia de "Guerra Nas Estrelas", conta a história de Luke Skywalker (Mark Hamill), um jovem que se une a Aliança Rebelde, para lutar contra o domínio de um Império intergáctico que instaurou uma ditadura no Universo. Para isso ele conta com a ajuda da Princesa Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford), além dos observadores robôs C-3PO e R2-D2. Treinado para se tornar um cavaleiro Jedi (espécie de nobre defensor da paz e da ordem) e dominar a Força

(tudo o que nos cerca e está dentro de todas as coisas), por Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness), Luke acaba por enfrentar o grande vilão da história, um ex-Jedi e agora lorde do mal chamado Darth Vader (David Prowse), na verdade, seu pai que ele julgava morto.

A nova trilogia, que começa agora com "A Ameaça Fantasma", se passa cronologicamente 30 anos antes dos acontecimentos de "Guerra Nas Estrelas" e vai contar como o pai de Luke passou para o lado "negro" da força e se tornou um lorde do mal.

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