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DST

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Condiloma atinge 75% das mulheres

Condiloma atinge 75% das mulheres

Texto: Sabrina Magalhães

Existem mais de 70 tipos diferentes do vírus HPV. Alguns deles são muito agressivos e causam câncer no colo de útero

O Condiloma Acuminado é outra doença sexualmente transmissível que exige atenção especial dos médicos quando diagnosticada. Segundo a ginecologista Maria Cecília Sahade, admite-se que 75% das mulheres sejam portadoras do vírus responsável por ela, o Papilomavírus humano (HPV). Em alguns casos, o condiloma pode levar resultar num câncer no colo do útero - uma das primeiras causas de morte entre as mulheres atualmente. "Ele é chamado também de crista de galo, figueira ou cavalo de crista.

É uma doença que está se alastrando mais que a sífilis, extremamente evidente, extremamente freqüente."

Esta infecção manifesta-se com pequenas verrugas na região genital ou anal. Sem tratamento, essas verrugas começam a crescer e se espalhar, tão próximas umas das outras que se assemelham a uma couve-flor. Algumas vezes, tem que ser feita uma cirurgia para retirá-las.

Sahade afirma que, na maioria das vezes, são manifestações venéreas simples e de fácil tratamento. "Mas já foram detectados 75 subtipos do vírus HPV e alguns

(os de número 16 e 18), que a gente chama de 'dez-graçados', aparecem no câncer de colo de útero. Acredito até que seja o único tipo de câncer que está relacionado a um vírus. Então, por exemplo, uma jovem vem ao consultório com as verruguinhas. A gente cauteriza (queima por processo químico), pressupondo que o condiloma seja do tipo mais simples. Se não cicatriza ou se ela volta a apresentar o problema, então a gente parte para uma investigação mais aprofundada."

Neste caso, o paciente é encaminhado para um exame chamado de captura híbrida, cujo objetivo é identificar qual o subtipo do vírus está atacando aquele organismo e qual é a agressividade da doença. "Se é um vírus 16, por exemplo, numa paciente de 40 anos, eu proponho para ela tirar o útero, porque há grandes chances dela ter câncer de colo lá para a frente. Ou seja, dependendo do resultado da captura híbrida, dependendo do número do vírus, é possível determinar que a paciente tem uma lesão pré-maligna (...) A presença daquele vírus indica que há um risco maior de desenvolvimento de um câncer."

Ministério alega despreparo

O próprio Ministério da Saúde alega que há um despreparo generalizado no tratamento das DST's pela saúde pública. O Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, edição mais recente disponível na Internet (1999), cita a escassez de dados epidemiológicos:

"Destas (DST's) apenas a aids e a sífilis congênita são de notificação compulsória (todo médico é obrigado a avisar o órgão de saúde pública local quando um paciente apresenta estas enfermidades). Raros são os serviços onde a notificação é realizada de forma sistemática."

Outro fator considerado obstáculo no tratamento das doenças

é a falta de treinamento dos funcionários, que muitas vezes deixam o paciente constrangido, obrigando-o a "expor seu problema em locais sem privacidade ou a funcionários despreparados que demonstram seus próprios preconceitos. Essas situações ferem a confidencialidade, discriminam as pessoas com DST e contribuem para afastá-las dos serviços de saúde (e do tratamento)."

A irregularidade na disponibilização dos medicamentos específicos e as dificuldades que os médicos encontram em realizar exames de laboratório com rapidez são outras causas apontadas como empecilho no trabalho contra as DST's.

"A conseqüência mais evidente dessa situação de baixa resolutividade dos serviços é a busca de atendimento em locais nos quais não seja necessário se expor, nem esperar em longas filas, ou seja: as farmácias comerciais."

Local

Mesmo com todos os problemas estruturais, o Ministério atua em vários municípios do país, com atividades locais. Em Bauru, a Prefeitura desenvolve ações preventivas às doenças sexualmente transmissíveis, através do Programa Municipal DST/Aids, que leva palestras a escolas e empresas, além de distribuir medicamentos e oferecer atendimento aos doentes de baixa renda. Para mais informações, o telefone é (014) 223-2355.

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