Geral

Aids

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Coquetel: gastos de R$ 1,8 mil por mês

Coquetel: gastos de R$ 1,8 mil por mês

Texto: Sabrina Magalhães

O Brasil é um dos únicos países que distribui os medicamentos de graça

A aids é, sem dúvida, uma doença cara. Segundo os especialistas, o tratamento só com os remédios contra o vírus HIV dá ao paciente uma despesa de até R$ 1.800,00 por mês. Vale lembrar, porém, que muitas vezes, além do coquetel, o paciente precisa tomar outros medicamentos, para combater as infecções oportunistas. Com um salário mínimo de R$ 136,00

é fácil deduzir que poucos teriam condições de se tratar, não fosse a ajuda do Governo.

Neste sentido, segundo a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, Eliane Monteiro, o Brasil é um dos pioneiros em fornecer as drogas do coquetel de graça para todos os doentes. Ela compara a situação do País com a da África, onde a população não tem sequer água de qualidade ou comida. "Lá, o índice de aids

é altíssimo. Pode-se dizer que entre os nascidos vivos num dia, cerca de 10 mil têm o HIV."

Por outro lado, a infectologista Denise Arakaki lembra que não

é só isso. Um paciente que manifeste tuberculose, por exemplo, acaba tomando dois coquetéis: o da aids e outro contra a tuberculose. "O paciente chega a tomar seis comprimidos de uma única vez em jejum. E são todos medicamentos fortes, com efeitos colaterais fortes. Muitos acabam desistindo do tratamento, outros não conseguem segui-lo

(os que vivem em condições precárias, principalmente), o que implica em outros problemas, como a resistência do vírus a medicamentos (e as complicações no quadro de saúde do próprio paciente)."

Sapab: assistência às custas da comunidade

A Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab)

é uma das inúmeras entidades criadas no País para ajudar o portador na luta contra a doença. Mas de acordo com a presidente, a assistente social Mafalda Sparapan, todo o trabalho depende da ajuda financeira da já tão

"explorada" comunidade. "A gente vê que a população também está desgastada, mas vivemos praticamente na dependência desta ajuda. Mesmo com os medicamentos do coquetel sendo gratuitos, nós oferecemos os outros medicamentos para 70 famílias, além dos 14 moradores da Casa de Apoio. Recebemos R$ 1.400,00 da Prefeitura e temos uma despesa de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês."

A Sapab atua em duas frentes. Uma delas é o apoio às famílias de portadores carentes, que recebem, além dos medicamentos, cestas básicas, roupas, atendimento médico e psicológico. Para este trabalho, a entidade conta com vários voluntários, que se revezam nas visitas periódicas. Outra frente de trabalho da Sociedade é a Casa de Apoio, um lar para aqueles portadores do HIV que não têm onde morar, os que são rejeitados pela família e as crianças órfãs. Hoje são oito adultos e seis crianças. Adultos que sonham poder voltar a trabalhar, crianças que querem ler, escrever, estudar para conseguir um emprego, ter dinheiro e ser feliz.

Casa nova

De acordo com Sparapan, a situação do imóvel onde funciona a Casa de Apoio é muito precária, com cômodos pequenos e rachaduras em vários lugares. Mas a Sapab ganhou da Prefeitura um terreno, ao lado deste imóvel, para construir a nova Casa, com mais leitos e mais conforto aos moradores. "Nós temos o terreno, ganhamos quase todo o material do Grupo Pró-vida para levantar a obra, já iniciamos o trabalho, mas não temos mão-de-obra e estamos procurando voluntários." Além dos serviços de pedreiro, a Sapab também precisa de ajuda com alimentos, roupas e dinheiro. Para colaborar, basta entrar em contato pelo telefone (014) 238-4072

Programa DST/Aids

Em parceria com o Ministério da Saúde, Bauru implantou há quatro anos, o Programa Municipal DST/Aids, que tem por objetivo fazer campanhas pela prevenção da doença junto à comunidade e nas escolas. "Bauru foi uma das cidades convidadas a participar porque apresentava uma alta incidência de aids. Estamos atualmente no 16.ª posição no ranking nacional, com 336 casos notificados para cada 100 mil habitantes", explica a coordenadora do programa, Eliane Monteiro. Neste sentido, o objetivo do programa é, através da prevenção, reduzir o número de casos novos, ampliar o acesso aos serviços de saúde, melhorar a qualidade do diagnóstico, tratamento e assistência.

Através de palestras, o programa pretende atingir principalmente as mulheres, batendo na tecla do acompanhamento pré-natal e dos exames preventivos, e crianças, eliminando os preconceitos. Na Seção de Moléstias Infecciosas (SMI), são feitos os atendimentos médicos. Além disso, existe o Centro de Orientação de Apoio Sorológico

(Coas), onde a população pode fazer seu teste anti-HIV de graça e sem se identificar. A pessoa recebe um número e não precisa deixar seu nome. Mas todos esses serviços só têm utilidade para aqueles que, quando infectados, se dispõem a se tratar, e, quando saudáveis, estão atentos à prevenção.

Serviços de saúde

* O Centro de Testagem e Aconselhamento em DST/HIV e Aids (CTA/Coas) realiza, de graça, os testes sangüíneos para identificar uma possível contaminação. O horário de atendimento é das 13 horas às 17 horas. Fone: (014)235-1393.

* A Seção de Moléstias Infecciosas (SMI)

é destinada ao atendimento e tratamento de DST/aids e doenças infecciosas. Funciona das 7 horas às 17 horas. O telefone

é (014) 235-1463.

* O Programa Municipal DST/Aids é coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde e trabalha com educação e prevenção, através de cursos e palestras. Mais informações, pelo telefone (014)223-2355, das 8 horas às 17 horas.

Comentários

Comentários