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Astronauta

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Astronauta visita Bauru e vive tietagem

Astronauta visita Bauru e vive tietagem

Texto: Roberta Mathias

Em um curto período de descanso, Marcos Pontes visitou familiares e amigos e foi reconhecido pelas ruas de Bauru

Um visitante importante veio matar a saudade de casa. O major Marcos César Pontes, 36 anos, o primeiro astronauta brasileiro, esteve em Bauru durante seis dias em visita à família. Durante a estada na cidade, Pontes limitou-se a rever velhos amigos, descansar e curtir os pais Virgílio Pontes, 82 anos, e Zuleika Navarro Pontes, 73 anos. Nada de visitas oficiais, nem trabalho, nem entrevista. O período, apesar de curto, foi de descanso.

Muita gente chegou a encontrar com Pontes pela cidade, alguns espantados por rever o amigo, outros com aquela sensação de "eu conheço você de algum lugar..." Quem reconheceu pôde pedir autógrafo, tirar dúvidas e tietar. Com o bom humor de sempre, Pontes respondia a quase todas as solicitações, mas entrevista oficial não foi possível. Pouco tempo era a justificativa. O momento era para ficar ao lado dos pais, dos irmãos, tios, sobrinhos.

Ele chegou em Bauru no dia 27 de junho e partiu para Natal (RN) na sexta-feira, dia 3. Lá, Pontes encontra com a esposa e os filhos e permanece por mais uma semana no Brasil, aproveitando as praias do Nordeste.

O ritmo acelerado dos treinamentos na Nasa, em Houston (Texas), impedem que Pontes esteja no Brasil com mais frequência. São técnicas de sobrevivência, testes com equipamentos aeronáuticos, esportes, cursos e aulas. Agora ele está aprendendo russo a pedido da Nasa e os dias de folga são eventuais. É nesse período que Pontes aproveita para relaxar e se divertir com a família.

Novidade

Em Bauru, Pontes já estava com o "patch" (bolacha de macacão) que será afixado no uniforme da turma. O emblema foi idealizado pela também candidata a astronauta Sunita Williams (uma das quatro mulheres que integram a turma) e a programação visual ficou sob a responsabilidade do bauruense. Pontes explica o significado do "patch", que tem o formato semelhante a um ônibus espacial visto de cima. "Nós procuramos colocar os principais elementos do grupo XVII."

Na ponta, em amarelo, o símbolo mundial dos astronautas; as estrelas brancas, nas laterais, simbolizam cada um dos candidatos, da XVII turma. No centro, as sete estrelas são homenagem aos sete primeiros astronautas. Depois, a Terra, a Lua, Marte e a estação espacial são as possíveis missões desse grupo de astronautas. Abaixo, as bandeiras da turma: Estados Unidos, Canadá, Brasil, França, Alemanha e Itália.

A maioria dos astronautas vai colocar a bolacha no alto do braço direito, mas Pontes, que já tem a bandeira do Brasil neste local, irá colocar o "patch" na frente, à direita, próximo ao bolso. O "patch" é marca oficial do grupo XVII.

Uma curiosidade é que todas as turmas que entram na Nasa ganham logo um apelido relacionado a um animal que não voa. As turmas anteriores foram "Sardinhas" e "Scargots" e para o grupo de Marcos Pontes escolheram "Pinguins", uma boa escolha para quem gosta de frio.

Há 30 anos

No próximo dia 20, comemora-se 30 anos que o primeiro homem pisou em solo lunar. Neste período, muita coisa mudou. Novas conquistas, novos objetivos e projetos. O ser humano enfrenta o desconhecido, supera seus limites e continua a sua busca. O Brasil também entrou na era espacial há algum tempo.

Após o desenvolvimento de vários satélites brasileiros nas décadas de 80 e 90, sempre com a coordenação dos cientistas do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o País está agora complementando seu projeto de um foguete lançador próprio, o VLS. Com ele, os satélites brasileiros poderão ser colocados em órbita.

Em junho de 1998, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Nasa escolheram o major-aviador Marcos César Pontes para ser o primeiro astronauta brasileiro. O objetivo é aproveitá-lo até 2002, no máximo, numa das missões do

ônibus espacial para a Estação Espacial Internacional.

A Estação é um projeto multinacional que prevê a montagem, iniciada em fins de 1998, de uma estação orbital com a colaboração de EUA, Rússia, Comunidade Européia, Canadá, Japão e Brasil. Deve ficar completa em 2003 e poderá abrigar até sete tripulantes - um deles poderá ser o major Marcos César Pontes.

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