MST sofre manipulação, diz comando da PM
MST sofre manipulação, diz comando da PM
Texto: Josefa Cunha
O comandante geral da Polícia Militar do Estado, coronel Ruy César de Mello, advertiu a ocorrência de manipulação em ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
(MST). A observação foi feita após questionamento sobre os recentes episódios envolvendo os sem-terra que ocupavam a Fazenda Val de Palmas. Determinada pela Justiça, a saída dos trabalhadores foi tensa e marcada por incêndios que destruíram construções da propriedade.
Os 400 policiais destacados para garantir a ordem não intervieram na queima proposital dos barracões e acabaram recebendo críticas pela falta de rigor. A atitude do comando local, entretanto, recebeu elogios do coronel Mello. "A ação da PM em relação aos sem terra foi muito bem executada, em que pese algumas críticas. Críticas são normais num ambiente democrático. Mas quem criticou, temos certeza, não considerou o todo da questão e o cuidado que a PM precisa ter para evitar vítimas, principalmente entre gente humilde, mulheres e crianças", disse.
A represália que poderia ter partido da PM, explicou o comandante, foi substituída por uma causa mais social. Os policiais, assegurou, estiveram mais preocupados em garantir
àquelas famílias menos constrangimento e condições mais dignas de retirada, como transporte para as pessoas e seus pertences. "A Polícia agiu com lisura e respeito às partes, garantindo o cumprimento das leis, a dignidade daquelas pessoas e os seus direitos humanos", orgulhou-se.
Quando censurou a manipulação do MST, o comandante deixou claro que não vincula a massa dos integrantes do movimento às ações radicais. Em sua opinião, o MST preocupa a Polícia Militar porque há "muita manipulação". "Percebemos que a liderança do movimento perdeu o controle e que pessoas inescrupulosas agiram com vandalismo. Isso não legitima a luta pela terra e demonstra a infiltração de pessoas indesejáveis. O que ocorreu foi inconcebível. Aquilo é uma propriedade privada, conforme reconheceu a Justiça, e cabe ao cidadão respeitar a lei antes de pleitear terras ou qualquer outro direito. Eles têm tido espaço para divulgar suas reivindicações e não precisariam partir para uma ação revestida de violência. Eles estão dando maus exemplos para seus próprios filhos", analisou.
A não-interferência dos policiais no episódio de Val de Palmas, entretanto, avisou o comandante não significa tolerância de atos abusivos do movimento. O coronel enfatizou que a PM tem orientação para agir com energia mediante fatos que ameacem a ordem, como as recentes promessas de saques.
"A Polícia está preparada para impedir que isso aconteça. Nós entendemos a luta pela terra, mas não aceitamos afrontas às leis e às autoridades. Isso, aliás, não será tolerado jamais. Todo o movimento social tem lá seu caráter legítimo, mas, repito, existem pessoas inescrupulosas que se aproveitam, infiltram e desviam a luta, partindo para a violência e o vandalismo gratuitos. Isso acaba comprometendo a imagem do movimento e de seu integrantes", alertou.