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Josefa Cunha
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Cohab retomará casas de 180 mutuários

Cohab retomará casas de 180 mutuários

Texto: Josefa Cunha

A Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru começa a executar amanhã a retomada de 180 moradias. A medida, prevista em portaria, inclui todos os contratos inadimplentes já julgados pela Justiça, independente de ações ajuizadas contra a empresa. A portaria também "aperta" as condições da campanha de negociação dos débitos em atraso.

As medidas pouco simpáticas foram decididas a partir do saldo preliminar do Plano de Combate e Controle da Inadimplência, lançado em 21 de junho passado com o objetivo de reduzir o alto índice de devedores. Mais da metade dos devedores de Bauru procurou a empresa no período, mas os resultados efetivos da campanha só serão conhecidos este mês, depois que os pagamentos forem efetuados. Segundo explicou o presidente da Cohab, Daltayr Vallim, "muitos dos que fecham acordos acabam por não cumpri-los". A carteira total nos 82 municípios abrangidos pela Companhia é de 47 mil mutuários, dos quais 49% (23 mil) estão com prestações em atraso. Somente na cidade de Bauru, onde 12.200 mutuários estão cadastrados, são 6.500 devedores, o que representa 53% de inadimplência. A dívida total atinge mais de R$ 33 milhões.

As regras da campanha de regularização estarão mais rigorosas a partir de amanhã, mas a busca do acordo continua sendo vantajosa. A renegociação da dívida exige agora o pagamento da prestação mais antiga, devidamente corrigida. A possibilidade de regularizar os chamados contratos de gaveta também continua, mas os mutuários terão agora de pagar pelo menos 10% da dívida no ato da transferência. Os contratos com rescisão já com sentença em julgado dependerão do pagamento mínimo de 20% do débito para serem renegociados. Já os que não foram julgados poderão ser regularizados mediante quitação de 10%.

Mesmo com o final da campanha, previsto para 31 de agosto, a Cohab continuará insistindo no recebimento dos débitos. A Companhia já abriu licitação para contratar uma empresa de cobrança e avisa que o rigor será maior ainda. No contrato de prestação de serviços, a futura contratada poderá executar as cobranças a partir da segunda parcela em atraso. Nota: a empresa ganhará percentual fixo sobre cada recebimento, o que significa que haverá todo o empenho no sentido de cobrar os devedores.

Em dia

Apesar dos questionamentos sobre sua viabilidade, a Cohab afirma estar "bem" financeiramente. Segundo o presidente Daltayr Vallim, a dívida da empresa está sob controle e já permite estudos para investimentos. Excluindo os débitos com a seguradora Sasse - subsidiária da Caixa Econômica Federal (CEF) responsável pelas apólices das moradias financiadas -, as finanças da empresa estariam em dia.

A dívida com a seguradora começou em 1993, na gestão Celso Martha, mas foi renegociada com a Sasse em 1996. Na época, o débito então calculado em R$ 9,3 milhões foi reparcelado em 10 anos e continua sendo pago até hoje. Os repasses mensais à seguradora, provenientes de cota embutida nas parcelas pagas pelos mutuários, foram retomados e mantidos até novembro de 1997. A dívida acumulada pela suspensão do repasse chega a quase R$ 13 milhões, dos quais R$ 11 mi referem-se à gestão de Jorge dos Santos, no governo Izzo Filho. A atual administração

é responsável por R$ 2,69 mi. A dívida com a Sasse também inclui o restante do parcelamento feito em 1996.

Vallim explica que a Cohab deve na realidade R$ 17 milhões

à seguradora e não R$ 23 mi como foi recentemente divulgado. A diferença, de mais de R$ 5 milhões, seria um crédito de direito da Companhia pelo pagamento de seguros com recursos próprios.

A dívida com a Sasse, entretanto, pode ser renegociada em breve. Há cerca de 15 dias, representantes da filial carioca da seguradora estiveram em Bauru a convite de Vallim. O acordo já foi proposto, mas sua viabilização depende de uma resposta da matriz da empresa, sediada em Brasília. Segundo Vallim, a proposta é para o pagamento da dívida em 20 anos, com dispensa de multa e juros. O presidente não acredita que a seguradora aceite integralmente os termos, mas está confiante na assinatura de um acordo. "Assim que acertarmos essa questão, retomaremos os repasses mensais. Enquanto isso, a Sasse garante a cobertura dos seguros aos mutuários pontuais. As apólices só não estão garantidas para aqueles que devem mais de duas prestações", garantiu.

A dívida dos financiamentos com a CEF também não preocupa a diretoria. O saldo em aberto ultrapassa os R$ 530 milhões, mas todo esse montante está atrelado aos 547 mil contratos em vigência. O chamado "retorno" - dinheiro que a Cohab recebe dos mutuários e repassa à CEF - está em dia. "Quando assumimos, existia uma pendência de R$ 5 milhões com a Caixa, mas já conseguimos pagar.

É imprescindível estar em dia com a CEF, porque dependemos dela para operar no sistema", considerou Vallim.

A "estabilidade" da Companhia, aliás, já estaria até permitindo a realização de estudos para novos investimentos. Vallim adiantou que dois projetos estão sob análise da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan): um para a construção da Vila Ecológica, no Jardim Chapadão, destinado a pessoas com renda até três salários mínimos; outro, para um condomínio fechado, nas imediações do Ceasa, visando faixa de renda de R$ 1,2 mil. Ambos, seriam construídos em terrenos próprios da Cohab, com financiamento pela CEF.

Quadro saneado

As dívidas operacionais da Cohab ainda estão a caminho do equacionamento, mas, internamente, a situação financeira já revela equilíbrio. Em cinco meses, a atual direção da Companhia conseguiu reduzir em mais de 50% os gastos com pessoal, baixando a folha de pagamento de R$ 1.080.000,00 para R$ 420 mil. A empresa mantinha 350 funcionários e hoje conta com apenas 144, dos quais 92 são efetivos.

O presidente da Companhia, Daltayr Vallim, disse que ainda pretende reestruturar o quadro, limitando, por lei, 120 servidores efetivos e apenas 24 cargos de confiança. "Não é necessário mais do que isso para levar a empresa adiante. Quando duvidam da viabilidade da Cohab, eu digo que basta administrar com seriedade e não abrir as portas para o cabide de emprego.

É o que estamos fazendo", garantiu, sem modéstia.

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