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Josefa Cunha
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Casas da Cohab estão com seguro parcial

Casas da Cohab estão com seguro parcial

Texto: Josefa Cunha

Os mutuários da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) não estão cobertos integralmente pelo seguro cobrado compulsoriamente nas prestações. A situação, preocupante e prejudicial aos moradores que pagam suas parcelas em dia, foi confirmada ontem pela seguradora Sasse, subsidiária da Caixa Econômica Federal (CEF) e controladora das apólices dos núcleos habitacionais da Cohab.

Por conta do débito de R$ 23 milhões - segundo a Cohab, somente R$ 18 milhões são realmente devidos

- com a Sasse, o seguro está cobrindo apenas os incidentes envolvendo danos físicos. "O DFI (Danos Físicos a Imóveis) é mantido por uma questão de filosofia da empresa, que, mesmo sem receber, não se vê no direito de desamparar as famílias num momento de sinistro. O MIP (seguro por morte ou invalidez permanente), entretanto, não está garantido", informou Lipel Custódio, secretário executivo da matriz da Sasse, em Brasília.

Na prática, isso significa que o financiamento do imóvel continuará em aberto mesmo com a morte ou invalidez definitiva do titular do imóvel, presumidamente o responsável ou detentor de condições financeiras para o pagamento das prestações. Numa situação como essa, restam as dúvidas: a Cohab poderia retomar o imóvel ou transferir o débito aos dependentes? Pela regra de mercado, os seguros residenciais garantem a quitação imediata do imóvel em casos de morte ou invalidez permanente.

Lipel Custódio isentou a Sasse de responsabilidades sobre a deficiência. Segundo ele, os mutuários que se sentirem lesados têm como única alternativa recorrer à Justiça contra a Cohab. "A Sasse não está faltando com seus compromissos. Quem não está recolhendo

é a Cohab, mas, se os mutuários estão pagando normalmente, eles têm como reivindicar seus direitos", avaliou.

As cotas dos seguros continuam sendo embutidas nas prestações dos mutuários, mas o repasse delas à seguradora está suspenso desde o final de 1997. A atual direção da companhia alega que voltará a cumprir os repasses tão logo consiga renegociar o débito com a Sasse.

Há cerca de 20 dias, representantes da seguradora estiveram em Bauru para ouvir a proposta de renegociação com a Cohab. O presidente da companhia, Daltayr Vallim, informou que solicitou o reparcelamento da dívida em 20 anos, sem cobrança de multas e juros. Lipel Custódio confirmou o início da negociação, mas disse que nada foi acertado.

"O pessoal está avaliando a proposta, sem falar que qualquer acerto terá que ser referendado posteriormente pela Cosea", assinalou.

Inadimplentes ou não, todos os mutuários da Cohab pagam mensalmente um percentual destinado ao seguro residencial. Os descontos oscilam entre 1% a 10% do valor da prestação, variando conforme o ano de entrega da moradia e a categoria profissional do mutuário. Vale destacar que os inadimplentes, além de não estarem cobertos em caso de morte ou invalidez, também não têm direito ao seguro contra sinistros.

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