Restrição aos rodeios causa polêmica
Restrição aos rodeios causa polêmica
Texto: Adriana Rota
A lei municipal de autoria do vereador Antônio Carlos Garms que restringe a realização de rodeios em Bauru está causando polêmica e descontentamento. O locutor Tula Camargo,
único representante de Bauru na festa de Barretos, disse estar "chateado" e que não é possível fazer rodeio com essas proibições. Garms salienta que pretende coibir apenas os maus-tratos, não terminar com o evento.
Camargo, locutor de rodeios há 7 anos e único representante da cidade na popular festa de Barretos, enviou um fax à redação do JC em protesto à lei que proíbe provas de laço ou derrubada de animais, além do uso do sedém mesmo com forração ou revestido de material macio. De acordo com ele, "o rodeio, sem isso, não existe". "Não sou contra pessoa nenhuma, mas contra atitudes de quem faz as coisas sem conhecer", atirou. "A gente fica meio chateado. Se me perguntarem 'por que barraram o rodeio?' Eu vou falar o que? Quando lá em Barretos perguntarem sobre a minha cidade, o que vou dizer? Que o prefeito está preso? Que o maníaco do parque andava de patins no shopping? Que o time do Noroeste foi rebaixado?", questionou.
Outra questão que Camargo colocou foi relativa à não-proibição em outros locais. "Eu sou contra os maus-tratos. Se o prefeito tivesse ido numa festa de peão e visto como funciona, ia ver que não é assim. Eu tenho touro que custa mais caro que um carro zero e vou judiar dele? A gente zela, mas tem que faça coisa errada em qualquer ramo", disse.
Para Garms, o que está havendo é um equívoco. Ele afirmou que o projeto que se transformou em lei no dia 26 de julho, tramitou por quase três meses na Câmara, sem restrições, passando por todas as comissões temáticas: Justiça, Economia, Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Educação e Assistência Social, foi lido integralmente na seção do dia 19 de abril, aprovado por unanimidade pelos vereadores, sancionado pelo prefeito Nilson Costa (inclusive tendo passado por várias secretarias) e publicado no Diário Oficial do último sábado.
O vereador disse, ainda, que seus pares tinham pleno conhecimento de todo o teor do projeto. "Em momento algum tive o objetivo de proibir os rodeios", garantiu. "Se não existem maus-tratos, não há proibição nenhuma. Ela está baseada no artigo 64 da lei de contravenções penais que trata da crueldade contra os animais. Alguém em sã consciência diria que o sedém, que é colocado na virilha do animal e serve para apertar os testículos, para fazê-lo pular, não são maus-tratos?".
Garms disse não acreditar que os vereadores, contrários
à prática de maus-tratos aos animais, irão aprovar o projeto de lei do vereador José Carlos Batata, que pretende revogar um artigo e dois incisos referentes à proibição. Ainda que seja aprovada, segundo ele, ainda terá de passar pelo crivo do prefeito.
Quanto às alegações de que não é possível fazer rodeio sem algumas provas e sem o sedém, Garms afirmou que em países como os Estados Unidos eles são realizados nesses parâmetros. O vereador disse ter uma preocupação antiga com o assunto e que pôde contar com a colaboração da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) para sua efetivação.