Falta de chuva prejudica pasto e beneficia colheita
Falta de chuva prejudica pasto e beneficia colheita
Texto: Márcia Buzalaf
Enquanto a colheita da cana e a produção de folhas podem ser privilegiadas pela seca, a pecuária sofre com as conseqüências de 20 dias sem chuva. Há mais de um mês e meio, a chuva não atinge 10 milímetros na região. A média registrada em julho foi de 6,9 milímetros, ou seja, 320% a menos do que a média histórica, que é de 29%.
A atual falta de chuva está prejudicando algumas pastagens e beneficiando algumas colheitas. De acordo com Paulo Benedito Paro, diretor substituto da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Bauru, a seca tem forte influência na pastagem. "Você passa nas propriedades e vê os gados sem peso", conta Paro.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), durante o mês de julho, choveu 3 milímetros no dia 2; 2,6 milímetros no dia 5; e 4 milímetros no dia 24, somando, no acumulado, 6,9 milímetros. A média histórica entre 1981 e 1999 do mês de julho é de 29 milímetros.
A média histórica de 1981 a 1998, segundo o IPMet,
é de 34 milímetros, sendo que, neste mês, ainda choveu nesta região. O instituto afirma que a média está abaixo da registrada nos anos anteriores.
Paro afirma que, geralmente, não chove nesta época do ano, e a seca pode durar até agosto. Segundo ele, 98 foi um ano atípico, que fez com que chovesse nesta mesma
época.
O engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Pederneiras, Romão Berbel Júnior, afirma que os prejuízos com a falta de chuva poderiam ser ainda maiores se a época não fosse de entressafra.
Mesmo assim, a colheita da cana nesta época pode ser beneficiada pela falta de chuva. Já a cultura da cana em si, segundo Berbel Júnior, apesar de resistente, também pode ser prejudicada pela seca.
Outro benefício da seca é a falta de proliferação das doenças. Segundo Berbel Júnior, a falta de chuva ajuda a evitar a contaminação geral de hortaliças.
"A chuva propicia certas doenças", explica.
Problemas
Os maiores problemas com a seca são encontrados na pecuária, tanto de corte quanto de leite. No caso da pecuária de leite, a perda da produtividade é de aproximadamente 30%.
"O gado emagrece um pouco e continua com o ganho de peso normal, por isso, demora um tempo para se recuperar", explica Paro, da CATI de Bauru.
O secretário municipal de agricultura e abastecimento, Cynise Pereira Leite, afirma que a fruticultura e a pastagem são as mais danificadas com o tempo seco. "Se tivesse cultura de algodão na cidade, tudo bem, a seca é boa, e pode dar um produto de maior qualidade", garante.
A florada das próximas safras também pode ficar abalada. Segundo o secretário municipal, o café pode ser prejudicado porque, atualmente, está na fase da florada. Várias outras culturas, de acordo com Leite, podem ter frutos menores com a falta de chuva.
Na opinião de Berbel Júnior, o preparo do solo também pode ser atrasado com a falta de chuva na região. "Isso pode atrasar o plantio também", afirma.
Precaução
A irrigação ajuda, mas a melhor solução para os problemas causados pela seca é a precaução. Alguns produtores se preparam antes da chegada do inverno, fazendo cilagem de milho, capineiras de cana, de napiê, entre outros.
"Isso alivia os problemas do inverno", afirma.
Na agricultura, a seca pode inclusive ter um efeito benéfico, principalmente para o café e a cana, que estão na
época da colheita. Para o café, em particular, o prejuízo pode ter reflexo apenas na próxima florada do café. "Normalmente, a primeira florada do café
é em setembro, e, se não chover até lá, pode prejudicar a florada", explica Paro.
No caso de hortaliças, para quem tem um sistema de irrigação, o clima é propício e pode ajudar as verduras folhosas. A quantidade de água usada para a irrigação deve ser aumentada nos dias mais quentes e secos. "Se não houver geada, tudo bem. E não há previsão de geada", garante Paro.
Nesta época seca do ano, também são registrados muitos casos de queimada de cana, que foi regulamentada há pouco tempo. De acordo com Paro, é proibida a queimada na beira de estrada e as usinas devem fazer um plano de queimadas agora, válido para os próximos doze anos. "E a cada ano eles têm que diminuir um pouco as queimadas", afirma.
Outra preocupação de Berbel Júnior é com as queimadas em pastagem, que tendem a acontecer com mais freqüência nesta época do ano. "Nas áreas de reflorestamento, o perigo é ainda maior", afirma Berbel Júnior.
Agenda
No topo
A Fazenda Bentoca vai realizar amanhã, dia 14, o leilão de animais selecionados da raça Nelore e seus cruzamentos, aberdeen, limousin, marchigiana e simental. O evento será no Recinto Boi Bravo, a partir das 13 horas, com a apresentação dos animais. Às 15 horas, terá início o leilão. Devem participar Alcides Bernardi Júnior, José Carlos Wagner, Fazenda Água do Capitão, Fazenda São Francisco da Água Parada, Fazenda Três Barras, Luis Francisco de Carvalho, Fazenda Perfeita União e Dirceu Cerigato. Informações: (14) 238-2215.
Bauru
O Serviço de Aprendizagem Rural (Senar), juntamente com o Sindicato Rural de Bauru, vão realizar a III Cavalgada Ecológica nos dias 14 e 14, amanhã e domingo. Voltada para produtores, trabalhadores rurais e familiares, o evento busca proporcionar lazer educativo e ecológico, a partir das 8 horas, no Centro Rural de Tibiriçá. Informações podem ser obtidas pelo fone: 234-3878.
Agrotóxicos
A Fundacentro está divulgando as pesquisas realizadas com um equipamento que visa reduzir em até 80% a exposição dos trabalhadores aos produtos agrotóxicos - em uma primeira etapa, a queda é de 60% da exposição. A pesquisa foi realizada em 25 campos de pesquisa espalhados por 20 municípios do Estado, entre eles, Marília e Avaí. Mais informações podem ser obtidas através do telefone: (11) 3066-1000.
Plantio Direto
Nos próximos dias 25 e 26 de agosto, a cidade de Paraguaçu Paulista vai sediar o V Encontro Paulista de Plantio Direto e o III Encontro Regional de Plantio Direto do Vale do Paranapanema. O evento começa às 8 horas, com a presença do Secretário Estadual de Agricultura e Abastecimento, João Carlos de Souza Meirelles. As vagas são limitadas e mais informações podem ser obtidas pelo fone:
(18) 361-1492.
Pesquisa nitrogenada
A Bio Soja está divulgando os resultados de pesquisas realizadas com o uso de bactérias nas lavouras para a redução de fertilizantes nitrogenados, que poluem às águas. As bactérias específicas são usadas para fixar o nitrogênio no solo, técnica que, na escala industrial, é muito cara. O produto originado da pesquisa
é o BioMax, que foi produzido pelo Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Bio Soja.